Álvaro Sobrinho tenta pagar 6 milhões de caução com casas que já estavam arrestadas

5 abr, 13:28

Ministério Público e o juiz Carlos Alexandre vão chumbar esta tentativa do luso-angolano

Álvaro Sobrinho, ex-banqueiro suspeito de ter desviado mais de 500 milhões de euros do BES Angola, a que presidia, tentou pagar ao tribunal os 6 milhões de euros de caução que lhe foram impostos dando como garantia patrimonial imóveis que já lhe tinham sido arrestados pela justiça, sabe a TVI/CNN Portugal. Ou seja, com património que já estava à guarda do Estado, para salvaguardar futuras indemnizações aos lesados pelas alegadas burlas do banqueiro. O Ministério Público e o juiz Carlos Alexandre vão chumbar esta pretensão do luso-angolano, que se quiser sair do país enquanto espera pela acusação terá que desembolsar os 6 milhões de outra forma, nomeadamente com recurso à fortuna que tem depositada em contas na Suíça.
 
Para já, Sobrinho não pode sair de Portugal. E se pagar os 6 milhões pode apenas circular no espaço Schengen, sem regressar nomeadamente a Angola. Foi esta a forma que a justiça encontrou de acautelar o perigo de fuga do suspeito, que deverá ser acusado até ao verão.
 
No último dia 17 de março, foi interrogado no tribunal central depois de ter sido confrontado com novos factos sobre o desvio de 500 milhões do BESA. O dinheiro terá passado pela Suíça, por sociedades offshore, e por Portugal - alegadamente branqueado na compra de vários imóveis de luxo, como apartamentos no condomínio Estoril-Sol, e até no assumir de uma posição acionista na SAD do Sporting, através da sociedade Holdimo, com um investimento de 20 milhões de euros.
 
Álvaro Sobrinho é suspeito em diferentes casos, mas o processo em questão diz respeito à forma como terá burlado o BESA na concessão de empréstimos milionários a terceiros, alegados testas de ferro, tendo os milhões em causa acabado em contas controladas pelo banqueiro. Terá sido o beneficiário efetivo de três empresas angolanas que receberam 352 milhões de euros do banco de forma injustificada. E Sobrinho terá ainda recebido, através de duas sociedades offshore, mais 148 milhões de euros - o que eleva a alegada burla para um total de 500 milhões.
 
O alegado esquema remonta ao ano de 2010, quando Sobrinho comprou, de uma só vez, seis apartamentos de luxo no Estoril-Sol. No ano seguinte, o Ministério Público abriu um processo por branqueamento de capitais, após denúncia da CMVM, e o juiz Carlos Alexandre ordenou o arresto de todos os imóveis - num valor estimado de 80 milhões de euros -, posição que acabou revertida no tribunal da Relação, pelo juiz Rui Rangel, numa decisão que acabou por levantar suspeitas de corrupção em relação a este último, no caso Lex.

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