opinião

A Chantagem de Bolsonaro 

5 jul, 07:00

Marcelo Rebelo de Sousa viajou para o Brasil nos últimos dias. Foi assistir às comemorações dos 100 anos da viagem de Sacadura Cabral, visitar a Bienal do Livro em S. Paulo, com Portugal e a literatura Portuguesa no centro da Bienal. Até aqui não havia problema algum.

O problema, ou melhor o desastre diplomático, aconteceu quando o Presidente Brasileiro concretizou a chantagem imposta a Belém. Ou seja, Marcelo achou por bem encontrar-se com Lula da Silva, em S. Paulo, antes de seguir para Brasília onde iria almoçar com Jair Bolsonaro. O presidente brasileiro, quando percebeu que Marcelo iria mesmo receber Lula no consulado português, ficou furioso e cancelou o encontro com o seu homólogo português. A partir daí, a viagem de Marcelo ficou “contaminada” pela chantagem de Bolsonaro. E durante dois dias, não se falou de outra coisa. Nem de Sacadura Cabral, nem de literatura. Nada. No meio desta trapalhada, esteve mal Marcelo e Bolsonaro. Explico o meu ponto de análise.

O Brasil está a três meses de eleições presidenciais. Ou vai ganhar Bolsonaro ou vai ganhar Lula. Marcelo não se devia ter metido no meio desta “guerra”. O argumento de que não há ainda candidatos oficiais não tem adesão à realidade. Há muitos meses que o Brasil está em “ campanha eleitoral “. E não é uma campanha qualquer. Os brasileiros vão ter que escolher como eles dizem entre “o mau e o ruim”. O que querem dizer com isto? Simples: o “mau“ é Lula da Silva que, com recursos jurídicos ou sem recursos, o certo é que foi acusado, condenado e preso por corrupção. O “ruim” é Jair Bolsonaro. Foi eleito há cinco anos porque não roubou. É certo. Mas geriu de forma “criminosa” a pandemia, ignorando os avisos dos seus ministros da saúde e dos médicos, deixando morrer milhões de brasileiros.

É esta a tese do “mau e do ruim”. Marcelo não se devia ter metido no meio desta luta política. Mas a partir do momento em que decidiu receber Lula, também não podia recuar. E Bolsonaro também não devia ter chantageado o presidente português. Não foi bonito.

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