Falhas de energia? Não foi com os Metallica, claramente

9 jul, 02:28

Concerto de James Hetfield e companhia durou duas horas, mas fãs teriam ficado outras duas se fosse necessário. Festival NOS Alive termina este sábado no Passeio Marítimo de Algés com os concertos de Da Weasel e Imagine Dragons no palco principal

Fizeram-se esperar e fizeram valer a pena a espera. James Hetfield bem disse à plateia que 41 anos depois “ainda estão prontos para partir tudo”. Dos sinais de falta de energia que esta sexta-feira assolaram os concelhos de Cascais e Oeiras nem sinal. Nem no festival, nem na banda: foram duas horas de música que deixaram a multidão eufórica.

De regresso ao festival, onde atuou há 10 anos, a banda de Los Angeles mostrou que os anos não passam por eles e entregou-se de corpo e alma aos milhares de fãs que vieram até Algés para os ver no segundo dia de festival esgotado (estima-se que 55 mil pessoas tenham estado no Passeio Marítimo de Algés esta sexta-feira).

Com um alinhamento recheado de clássicos, para gáudio dos fãs, assim que soaram os primeiros acordes de “Enter Sanderman” ou de “Nothing Else Matters”, o público não desapontou e cantou a uma só voz. Mas nem só nas cantorias se uniu o público, como já era de esperar, com os fãs a não resistirem aos moches, habituais em concertos de metal.

Ao longo de duas horas de espetáculo, que contou como já é habitual com a passerelle para os fãs VIP da banda - uma espécie de golden circle onde ficam fãs com acesso privilegiado na frente de palco -, James Hetfield, Robert Trujillo, Lars Ulrich e Kirk Hammett deram o que tinham, o que não tinham e acabaram o concerto debaixo de fogo de artifício a oferecer palhetas e baquetas ao público. 

Fogo de artifício no concerto de Metallica (José Fernandes/NOS Alive)

Mas, antes do fim, o vocalista ainda ensaiou uma saída de palco, com um "boa noite, Lisboa", para ouvir um sonoro "não" de quem estava na plateia, tendo depois entrado numa disputa de sins e nãos que acabaram com o famoso "siii" de Cristiano Ronaldo a soar pela multidão.

"Lisboa, é tão bom estar de volta. A família Metallica está aqui? Claro que sim. E se não faziam parte da família Metallica, a partir de hoje são parte da família", atirou Hetfield.

E a família voltou a unir-se, atirando-se em moche, ao som de músicas como "Dirty Window", "Sad But True", "For Whom the Bell Tolls" e "Seek & Destroy". 

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Já o concerto ia longo, com mais de uma hora de duração, e com alguma plateia sentada na parte mais retirada do palco, quando os Metallica fizeram o encore (apesar de as pausas entre músicas muitas vezes terem sido longas de mais, dando azo a conversas e dúvidas entre o público). Algum público achou que o concerto tinha acabado e começou a rumar à saída e, a meio do caminho, a banda voltou com "Damage, Inc", seguindo-se "One" e a primeira ameaça de fogo de artifício. 

O público entrou depois em delírio com o êxito "Master of Puppets", um dos maiores da banda e que voltou a fazer manchetes de jornais por causa da série "Stranger Things", antes do céu rebentar em fogo de artíficio com um James Hetfield parado no centro da passerele. 

Era o fim do concerto, mas não a despedida da banda. É que, um a um, todos se assomaram ao microfone para se despedirem dos fãs que estiveram esta noite em Algés, garantindo que era a plateia mais "incrível" de sempre.

Concerto dos Metallica no NOS Alive (Arlindo Camacho/NOS Alive)

"Andámos em digressão, mas parece que guardámos o melhor para o fim. Portugal, vocês são incríveis. Metallica ama-vos e vamos ver-vos não tão breve como queremos", afirmou Lars Ulrich, antes da banda abandonar o palco. 

A banda saía e os fãs pareciam que tinham esvaziados as pilhas, como se se recusassem a aceitar que o espetáculo tinha terminado. Francisco, de Torres Vedras, dizia-se ainda "meio anestasiado" com o que tinha acabado de assistir.

"Foi brutal. Partiram a casa toda, ainda estou meio anestesiado. Superaram as expectativas. A parte final quando eles voltaram e partiram tudo. Não faltou mais nada, só cerveja ao pé de mim", afirmou.

Também Ana Sá, que está grávida e veio do Porto para ver o concerto, diz que o espetáculo "foi sempre melhor do que das outras vezes".

"Foi excelente. Eles superam-se sempre e foi sempre melhor do que das outras vezes. Eu já os tinha visto cinco vezes e hoje trouxe um futuro fã de Metallica, o marido ficou fã por obrigação", conta, dizendo que é "muito bom a nova geração conhecer" a banda, mesmo que seja por causa do sucesso de "Master of Puppets" na série, até porque o grupo de Los Angeles "tem muitos anos de carreira e para mostrar como se faz".

Carta fora do baralho

Outro dos artistas que provou que os problemas de abastecimento de energia elétrica não chegaram ao Passeio Marítimo de Algés, pelo contrário, foi Royal Blood. A banda que antecedeu o concerto mostrou-se à vontade no palco principal do festival e provou que energia era o que não faltava, naquela que tem sido a hora ingrata dos concertos.

Com uma plateia já bem composta - e já algo ansiosa pelo concerto final - Mike Kerr e Ben Thatcher provaram que estudaram bem a lição e trouxeram um alinhamento recheado de músicas do álbum mais recente, sem deixar de fora as canções do disco de estreia. 

Apesar do som algo distorcido ao longo do recinto (talvez culpa dos acertos para os senhores da noite), o público mostrou-se entusiasmado pela banda britânica e acompanhou músicas como "How Did We Get So Dark?", "Boilemaker", "Typhoon", "Come on Over" ou "Trouble's Coming". 

AJ Tracey no NOS Alive (Arlindo Camacho/NOS Alive)

Outro dos concertos onde se esbanjaram volts foi no do rapper britânico AJ Tracey, carta fora do baralho em dia de Metallica. O espetáculo arrancou às 19:00, mas a primeira fila de gente a segurar o melhor lugar para ver a banda de James Hetfield demorou a aderir às letras e ritmo de AJ Tracey e parecia mais interessada em matar a fome, trocar mensagens no telemóvel ou ficar sentada no relvado artificial. 

O cantor, porém, estava a ‘falar’ para esse grupo de gente de braços levantados que o foi acompanhando à medida que ia desfiando as suas canções e que, ainda que por uma breve hora, suplantou a multidão de t-shirts negras a dizer Metallica.

Antes foi a vez de Don Broco, a banda britânica que esta sexta-feira abriu o palco principal, enquanto a maioria ainda procurava pelas sombras disponíveis no recinto. Mas, Rob Damiani e companhia não se deixaram intimidar e, mal subiram ao palco, começaram a puxar pela plateia e a desafiar quem ali estava a alinhar nos já tradicionais moches. 

"Deem espaço, deem espaço. Vamos, malta", pedia o vocalista, antes de iniciar a contagem e o público corresponder aos desejos da banda que acabaria por servir de aquecimento para o resto do dia de concertos que se seguiria.

O festival NOS Alive termina este sábado no Passeio Marítimo de Algés com os concertos de Da Weasel e Imagine Dragons no palco principal. 

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