Não houve sangue, mas houve suor e lágrimas. O regresso "em força" dos Da Weasel no palco do Alive

9 jul, 23:21

Com uma plateia de todas as idades, a banda provou que a música superou o "teste do tempo" e colocaram 55 mil pessoas a cantar a uma só voz

"Espera, espera... rewind", disse Carlão quando a voz falhou no início de "Toque-Toque". O mesmo diziam os fãs quando, ao fim de uma hora e meia, o concerto dos Da Weasel chegou ao fim no NOS Alive. 

Mas comecemos pelo início. Depois da exibição do documentário sobre a banda no palco, os Da Weasel entraram em palco não ao som de "Tás na boa" nem de "Adivinha quem voltou", como muitos fãs esperavam, mas sim de "Loja (Canção do Carocho)".

A música dava o mote para os mais distraídos rumarem à frente de palco e, numa corrida pachorrenta, foi o que muitos fizeram. Corrida essa que acelerou, entre gritos e braços no ar, assim que os primeiros acordes de "A Essência" soaram.

Carlão, sem conseguir tirar o sorriso da cara, deixa-se levar pelo público e solta um "custou, mas foi, porra". Na plateia aplaude-se. Dúvidas houvesse, os Da Weasel estão ali mesmo, a poucos metros de distância, no principal palco do Alive, onde atuaram em 2007, na primeira edição do festival, e regressam para aquilo que é não só uma celebração, mas também um concerto de encerramento, 12 anos depois da despedida da banda dos palcos. 

Quanto ao alinhamento, a banda tinha prometido na conferência de imprensa horas antes do concerto, que ia ter as músicas "que os fãs queriam ouvir" e confirmou-se. De "Força", passando pelos "Dialectos de Ternura", "Casa" (sem Manuel Cruz, que atua no palco Heineken às 23:30), "Mundos Mudos", "Todagente", "Toque-Toque", "Tás na Boa" e "Adivinha quem voltou", não houve êxitos deixados de fora neste regresso.

A emoção do regresso 

Se era emoção que se esperava do reencontro de Carlão, Jay, Quakas, Virgul, DJ Glue e Guillaz com os fãs, foi emoção que houve, até porque com "Duía" - a quarta música do concerto - ficaram dissipadas todas as dúvidas se a multidão ainda conseguiria acompanhar a banda do início ao fim. E conseguiu.

Virgul no concerto dos Da Weasel (José Sena Goulão/Lusa)

Pelo mar de gente que se estendeu este sábado em frente ao palco principal do NOS Alive, dos mais novos aos fãs mais antigos da banda, entre todos, a letra saiu afinada e acabaria por dar força à banda que, como o próprio Virgul confessou depois de "Re-Tratamento", foi metendo alguns "pregos" durante o espetáculo.

Mas, o motivo para as falhas era compreensível: chamem-lhe nervosismo, não de principiante, mas de quem volta a juntar os amigos para fazer aquilo que fez durante 16 anos sem pausa na presença das pessoas que mais ama e que nunca os viu fazer algo que os fez muito felizes.

“Sabem porque é que estamos a dar alguns pregos? É porque temos cá os nossos filhos. Eles não existiam. Obrigado por proporcionarem isto”, revelou Virgul, no fim da música (e já depois de ter pedido um encore cantado pelo público que se ouvisse na Margem Sul), em que o próprio Carlão chegou a pegar na filha ao colo no fosso de acesso ao palco. 

Um momento que chegou a emocionar alguns dos fãs, como foi visível nos ecrãs que ladeiam o palco. 

O concerto teve a duração de uma hora e meia (e nem mais um minuto) e nem o som que soava mais duro, na zona mais afastada do palco, desmobilizou quem estava no Passeio Marítimo. Os Da Weasel atuaram na hora que costuma ser crítica para as bandas (21:00), mas desta vez ninguém jantou, ninguém rumou aos palcos secundários, ninguém arredou pé. Afinal, foram dois anos e meio de espera para mais uma "Página de História" da banda e da vida dos fãs.

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