Freya foi eutanasiada, prevaleceu a "segurança humana". Quão perigosa era esta morsa? Foi uma decisão "apressada"? As pessoas poderiam ter sido afastadas?

CNN Portugal , FMC
15 ago, 18:44
Freya, a morsa da Noruega Foto Tor Eirk Schrdern AFP via Getty Images

Várias organizações de defesa de animais e de conservação da natureza recusam que tenha sido a decisão acertada e que as pessoas é que tinham de ser afastadas. A Direção Norueguesa de Pescas defende que o animal era já um perigo e que "a vida e a segurança humana devem ter prevalência”

Freya, a morsa de 900 quilos que estava a gerar problemas na Noruega, foi eutanasiada no domingo de manhã, confirmou a Direção Norueguesa de Pescas em comunicado. As condenações ao abate não tardaram a emergir.

"A decisão de eutanasiar a morsa foi tomada com base numa avaliação geral da ameaça contínua à segurança humana", afirmou o diretor-geral de Pesca, Frank Bakke-Jensen, que revelou que a operação foi levada a cabo por "pessoal altamente qualificado e treinado que executou a ordem de acordo com as rotinas e regulamentos atuais para a eutanásia de mamíferos marinhos". 

Bakke-Jensen acrescentou que o público ignorava sucessivamente os avisos e que as pessoas continuavam a nadar perto do animal selvagem. Segundo apontaram, existiram várias situações perigosas, inclusive uma que exigiu a evacuação da enseada depois de Freya perseguir uma mulher. 

A entidade justificou que "a possibilidade de danos potenciais às pessoas era alta e o bem-estar do animal não estava assegurado", citou o The Guardian. Segundo Bakke-Jensen foram analisadas outras possibilidades, como a transferência da grande morsa para outro lugar, mas esta hipótese não seria viável pois prejudicaria a segurança de Freya.

"Temos em consideração o bem-estar animal, mas a vida e a segurança humana devem ter prevalência”, destacou Bakke-Jensen, em declarações ao jornal norueguês VG.  

Depois de conhecida a decisão da Direção Norueguesa de Pescas, foram várias as organizações de defesa dos animais que condenaram a atitude, defendendo que o importante teria sido educar as pessoas para se afastarem e que a execução da célebre morsa foi "apressada".

Ainda assim, há quem afirme que foi a atitude mais "acertada", como é o caso do primeiro-ministro norueguês. 

Uma decisão "apressada"?

A porta-voz do grupo de defesa dos animais NOAH, Siri Martinsen, foi uma das vozes críticas, notando que o correto teria sido implementar multas às pessoas.  

Também o biólogo Rune Aae manifestou estar "infinitamente triste" pela situação. Numa longa publicação no Facebook, considerou que a excução foi "apressada" e que "todos poderiam ter agido em conformidade, ou seja, não se envolver em atividades aquáticos perto dela”, frisando que havia todas as ferramentas necessárias para saber do seu paradeiro.  

Entre acusações ao Estado e à direção das pescas noruegueses, o biólogo defende que "mais cedo ou mais tarde, a morsa ia sair do fiorde de Oslo pelo que matá-la era, a seu ver, "completamente desnecessário”. “Que vergonha! Isto é simplesmente triste!”, concluiu.   

Christian Steel, do grupo ambientalista Sabima, disse à NRK que, após a decisão, imperava a transparência. Segundo afirmou, é agora fundamental que a diretoria divulgue toda a documentação que levou à tomada de decisão.

“A diretoria não pode manter isto em segredo apenas para tornar as coisas convenientes para si mesma”, disse. “Eles têm uma razão para isso. Devem ter existido profissionais na figura que fizeram uma avaliação de que este animal estava em stress”.

Eivind Trædal, membro do Conselho da Cidade de Oslo, disse ao VG que a decisão de eutanasiar a morsa refletiu “um fracasso coletivo”, enquanto Truls Gulowsen, da Associação de Conservação da Natureza, apelidou a decisão como “embaraçosa”. 

Para Gulowsen as pessoas é que "se comportaram como idiotas diante da Natureza", defendendo que as autoridades falharam ao não manter as pessoas afastadas.  

Numa publicação no Twitter, o grupo "Blue Planet Society" , que faz campanha para proteger os oceanos do mundo, classificou a decisão como "absolutamente vergonhosa".  

O "efeito Bambi"

Por outro lado, o primeiro-ministro norueguês veio demonstrar o seu apoio. 

“Apoio a decisão de sacrificar Freya”, disse Jonas Gahr Støre à emissora pública NRK esta segunda-feira. “Foi a decisão acertada. Não estou surpreendido que tenha conduzido a tantas reações internacionais. Algumas vezes temos de tomar decisões impopulares.”  

Também o zoólogo Per Espen Fjeld disse ao VG que era “óbvio“ que teria de existir um abate. Fjeld acrescenta ainda que a decisão foi totalmente justificada e que não tem quaisquer consequências para o futuro da espécie.   

Fjeld defendeu que afastar as pessoas seria impossível e que a grande morsa poderia constituir um perigo para todos os nadadores.  

Para o zoólogo, Freya desencadeou um “efeito Bambi”, pela notoriedade que ganhou, com multidões a persegui-la para a fotografar. 

“Torna-se uma questão de preocupação, ganha um nome, é referido em termos humanos”, disse. “Mas cuidar desse indivíduo não tem nada que ver com cuidar da população de morsas", frisou.  

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