Países nórdicos começam a "sair" da pandemia. Demasiado cedo ou no tempo certo?

1 fev, 14:28

Numa altura em que recordes de casos são batidos todos os dias, há países que começam a voltar à normalidade. Será que vai correr bem, ou os exemplos anteriores são um prenúncio do que pode correr mal?

Primeiro foi a Dinamarca. Depois a Finlândia. Os dois países nórdicos preparam-se para voltar à normalidade numa altura em que o número de casos bate recordes em ambos os países.

A decisão dos governos em colocar um fim à obrigatoriedade do uso de máscara em espaços fechados e à apresentação do certificado covid no acesso a determinados estabelecimentos e eventos é tomada com base na ideia de que é necessário aprender a viver com o vírus e que os países entrem em endemia. Mas será que corre bem?

A pergunta surge porque a tentativa de conviver com o vírus não é nova. Logo no início da pandemia, a Suécia destacou-se na Europa pela sua postura mais tranquila enquanto os restantes países aplicavam medidas restritivas. No final, viu-se a braços com fortes vagas de infeções, hospitais cheios e teve mesmo de implementar medidas restritivas para conter a pandemia. Medidas essas que serão levantadas, em princípio, de forma faseada no dia 9 de fevereiro. Uma postura mais ponderada do que se viu no início da pandemia. E nos restantes países, como vai ser? 

Dinamarca

A Dinamarca eliminou esta terça-feira todas as restrições impostas na quarta vaga da pandemia, apesar do número recorde de contágios. Na base da decisão está o menor risco da variante Ómicron e o elevado número de imunizados e, por isso, a covid-19 vai deixar de ser considerada uma doença “crítica” para a sociedade.

Assim, os dinamarqueses deixam de ter de usar máscaras em espaços fechados e desaparecem as restrições nos restaurantes, na vida cultural e social. As discotecas vão reabrir.

O país desconfina três dias depois de ter batido o número recorde de casos: na sexta-feira, 28 de janeiro, foram registadas 53.655 novas infeções. Já a média de óbitos nos últimos sete dias é de 19. A Dinamarca é um dos países que mais testam contra a covid-19 no mundo. As autoridades dinamarquesas esperam que o contágio elevado continue durante mais algumas semanas, mas consideram desproporcional manter as restrições atuais.

Esta não é a primeira vez que a Dinamarca avança para a "libertação" antes do resto do mundo. Em novembro de 2020, o país tinha poucas restrições e Søren Brostrøm, diretor da Autoridade de Saúde da Dinamarca, afirmava que “lidar com uma pandemia tem tudo a ver com o comportamento humano”.

No entanto, o governo dinamarquês mudou rapidamente de opinião quando os contágios aumentaram subitamente e, em dezembro, as restrições voltaram em força porque a situação era preocupante por causa da "transmissão comunitária" no país.

Suécia

Já foi dado como exemplo, mas rapidamente se tornou no exemplo a não seguir. No início da pandemia, a Suécia foi destaque entre as nações europeias pela resposta relativamente tranquila à pandemia, sem confinamento ou encerramentos de estabelecimentos, apoiando-se no senso de dever cívico dos cidadãos para controlar as infeções.

Mas, rapidamente, o cenário mudou, e em dezembro de 2020 o país viu um rápido aumento de casos confirmados, o que sobrecarregou o sistema de saúde. A sua estratégia atípica colocou os serviços de saúde com dificuldades e o rei Carlos XVI Gustavo afirmou mesmo que o país nórdico “falhou”.

Em abril de 2021, o país registava recordes de infeções numa terceira vaga tardia e Britta Bjorkholm, da Agência de Saúde Pública sueca, afirmava que era “hora de começar a seguir as recomendações” para evitar contágios. E assim foi. Depois do desastre na prevenção, a Suécia mudou de estratégia e em dezembro reforçou as restrições perante o aparecimento da Ómicron. Desde o início da pandemia, o país contabiliza mais de 2,07 milhões de casos e 15.855 óbitos.

Agora, é esperado que a maioria das restrições comecem a ser levantadas no próximo dia 9, caso o surto da variante Ómicron atinja o pico até lá e a vacinação mantenha o ritmo.

Em conferência de imprensa, Karin Tegmark Wisell, diretora-geral da Agência de Saúde Pública, lembrou que nos últimos sete dias foram registados 270 mil novos casos, mas que o surto está tão disseminado que o número real pode ser de pelo menos meio milhão de pessoas por semana.

Por sua vez, a ministra de Saúde, Lena Hallengren, assegurou que as restrições serão levantadas por etapas e não todas de uma vez. Uma decisão ponderada do governo que, inicialmente, não confinou a população nem encerrou estabelecimentos.

Finlândia

Outros dos países nórdicos que também eliminou as restrições impostas no combate à covid-19 foi a Finlândia. O governo finlandês diz que algumas das restrições impostas até ao momento para combater a pandemia devem ser revistas. 

Por isso, a partir desta terça-feira, os estabelecimentos que servem refeições na Finlândia vão poder permanecer abertos até às 21:00. No entanto, os bares e outro tipo de comércio maioritariamente ligado à venda de bebidas alcoólicas devem manter o horário anteriormente estabelecido: a venda de álcool é permitida até às 17:00 e esses estabelecimentos devem encerrar até às 18:00.

Para entrar nos restaurantes vai continuar a ser exigido um teste negativo à covid-19 ou o certificado de vacinação. Já os ginásios e as piscinas vão também poder voltar ao normal funcionamento a partir desta terça-feira.

No que diz respeito aos regulamentos das fronteiras com a Finlândia, os mesmos vão ser suspensos quer para os países do Espaço Schengen, como para os não membros da União Europeia.

Com uma média de 5.408 novas infeções por covid por dia no Finlândia, o número de casos positivos revela uma descida. No total, desde o início da pandemia, o país contabiliza mais de 490 mil casos de infeção e 1.990 óbitos.

Segundo o Mika Salminen, diretor da segurança sanitária no Instituto Finlandês da Saúde e do Bem-estar, os baixos números prendem-se com os apoios económicos a todos aqueles que necessitaram de fazer quarentena - um incentivo para que as pessoas tivessem ficado em casa isoladas, o que ajudou a diminuir a propagação do vírus.

Noruega

A Noruega foi o país nórdico que mais restrições colocou em março de 2020. O país parou por completo durante a primavera e conseguiu conter os números de infeções. Mas, atualmente, os casos dispararam. 

No dia 21 de janeiro foram registados 24.958 novos casos, sendo a média de 7 dias superior a 19 mil casos. Desde o início da pandemia, o país contabiliza mais de 781 mil casos e 1.440 óbitos.

O país ainda não suspendeu as restrições, mas é expectável que o faça ainda esta terça-feira em conferência de imprensa. No entanto, ao contrário da Dinamarca, não se espera um levantamento total das restrições.

De acordo com o jornal NRK, o governo já deu a entender que vai levantar a maioria das restrições (como a venda de álcool e o isolamento em casa), mas não quer avançar para um levantamento total por recomendação das autoridades de saúde.

O país tem sido cauteloso no levantamento das restrições e tem levado as recomendações das autoridades de saúde muito a sério: os hospitais têm agora um elevado número de doentes internados e o pico de infeções ainda não terá sido atingido.

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