Prosseguem as operações de busca e salvamento no Broad Peak para encontrar os seis alpinistas desaparecidos. Purja, de 43 anos, fez história em 2019 ao escalar todos os 14 picos do mundo com mais de 8.000 metros em pouco mais de seis meses
O famoso alpinista Nirmal Purja estará entre as seis pessoas que continuam desaparecidas depois de uma avalanche ter atingido o Broad Peak, no Paquistão, uma das montanhas mais altas do mundo. Quatro corpos foram recuperados, embora ainda não tenham sido identificados.
Purja, de 43 anos, nascido no Nepal e também conhecido por "Nims", fez história em 2019 ao escalar todos os 14 picos do mundo com mais de 8.000 metros em pouco mais de seis meses. A sua história é contada no documentário "14 Picos: Nada é Impossível", da Netflix.
O Clube Alpino do Paquistão recebeu na quinta-feira relatos “profundamente preocupantes” de que uma avalanche atingiu a equipa liderada por Purja. Não houve qualquer comunicação com os alpinistas desde então, disse o vice-presidente do clube, Karrar Haidri, em comunicado.
Além de Purja e do norte-americano Mallory Geis, o grupo de dez pessoas incluía alpinistas de Omã, Paquistão e Nepal, segundo o Clube Alpino.
A operação de busca e salvamento está em curso, com equipas terrestres e helicópteros.
O Broad Peak, na cordilheira de Karakoram, com 8.047 metros de altura, é a 12ª montanha mais alta do mundo.
Nirmal Purja ingressou no exército britânico em 2003 e tornou-se fuzileiro em 2009. Serviu durante 16 anos no exército britânico, na Brigada Gurkha e, mais tarde, no Serviço Especial de Barcos (Special Boat Service), uma unidade de elite da Marinha Real Britânica.
A sua carreira no montanhismo começou quando fez um trilho até ao Acampamento Base do Evereste em 2012, uma experiência que “despertou a sua paixão e ambição pelas montanhas”, segundo o site da sua fundação, Nimsdai, que apoia comunidades de montanha no Nepal.
Foi nomeado Membro da Ordem do Império Britânico em 2018, pelos seus serviços militares e conquistas no montanhismo.
Purja iniciou a sua escalada recorde dos 14 picos mais altos do mundo em abril de 2019, concluindo-a 189 dias depois, em outubro, batendo um recorde estabelecido pelo sul-coreano Kim Chang-ho em 2013.
A sua popularidade aumentou depois de, em 2021, ter protagonizado um documentário da Netflix, que relata a sua tentativa de escalar as 14 montanhas mais altas do mundo em menos de um ano. O anterior recorde era de sete anos. Purja optou por utilizar oxigénio suplementar nas suas escaladas, justificando a sua escolha pela enorme dimensão do desafio a que se tinha proposto.
Purja chamou a atenção do mundo para o problema da sobrelotação no Monte Evereste, ao publicar uma fotografia de um “engarrafamento” nas encostas superiores do pico mais alto do mundo durante a sua escalada em 2019. A reação às imagens levou o governo nepalês a elaborar novas regras para as escaladas.
Em 2024, tornou-se a pessoa mais rápida a escalar os 14 picos sem oxigénio suplementar.
