No coração petrolífero da Nigéria, Olori Atuwatse III aposta noutro recurso

CNN , Lauren Lee
29 ago, 17:00
Reino de Warri
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No Delta do Níger, a riqueza do petróleo contrasta com a falta de água potável, escolas e cuidados de saúde. A rainha consorte do Reino de Warri quer quebrar a "maldição dos recursos" apostando naquele que considera o maior ativo da região: as pessoas.

O Reino de Warri situa-se no coração do Delta do Níger, a região produtora de petróleo da Nigéria, cuja riqueza petrolífera tem ajudado, ao longo de décadas, a alimentar uma das maiores economias de África.

Mas muitas das comunidades circundantes não dispõem de infraestruturas básicas, água potável, escolas e cuidados de saúde.

"O reino sofre, infelizmente, daquilo a que chamo a maldição dos recursos", afirmou a rainha consorte, Olori Atuwatse III, a Larry Madowo, da CNN.

"Tudo é extraído, mas nada é desenvolvido."

Quando Tsola Emiko subiu ao trono como Ogiame Atuwatse III, tornando-se, em 2021, o 21.º "Olu", ou rei de Warri, ele e a mulher decidiram reformular aquilo que uma monarquia moderna poderia ser.

O rei criou o Gabinete da Olori, estabelecendo uma plataforma oficial para que a rainha liderasse iniciativas de desenvolvimento centradas nas mulheres, nas crianças e na educação.

"Não encarei esta função pelo glamour", afirmou. "O que senti foi o peso. O que senti foi responsabilidade… a responsabilidade de usar esta plataforma de privilégio para servir."

O rei e a rainha consorte criaram, em 2021, a Fundação Royal Iwere, que atualmente se concentra em três pilares: educação, capacitação e ambiente. Esta abordagem deu origem a programas que vão do ensino STEM — ciência, tecnologia, engenharia e matemática — e dos projetos ambientais a iniciativas de empreendedorismo destinadas a ajudar as mulheres a desenvolver negócios sustentáveis. Em conjunto, todos apontam para um mesmo objetivo.

"Na realidade, tudo está centrado no desenvolvimento do capital humano", afirmou Olori Atuwatse III.

O rei do Reino de Warri e 21.º Olu de Warri, segundo a contar da direita, e a mulher, a rainha consorte Olori Ivie Atuwatse III, ao centro, deixam a Abadia de Westminster, em Londres, a 13 de março de 2023, no final da cerimónia do Dia da Commonwealth. Adrian Dennis/AFP via Getty Images

Ao discursar, em março, numa cerimónia de graduação do EstablishHer, um programa de seis meses dedicado aos negócios e à liderança criado pela fundação, Olori Atuwatse III afirmou que, desde o seu lançamento, 44 participantes tinham registado formalmente empresas, enquanto outras tinham conseguido novos clientes, expandido as operações e obtido acesso a mentoria, redes profissionais e financiamento. A fundação anunciou também uma linha de crédito de 150 milhões de nairas, cerca de 95 mil euros, para ajudar as mulheres a desenvolver os seus negócios.

"O nosso maior recurso são as nossas pessoas", afirmou Olori Atuwatse III à CNN. "A minha visão, a minha esperança, é capacitar as nossas populações para que possam desenvolver as nossas comunidades."

Mudar a narrativa

Para a rainha, o desenvolvimento económico começa muito antes de alguém criar uma empresa.

"Para mudarmos verdadeiramente alguma coisa, temos primeiro de mudar a forma como pensamos — e não apenas aquilo que pensamos", afirmou.

Aprendeu pessoalmente essa lição.

A rainha já falou publicamente sobre a ansiedade pós-parto que sofreu depois do nascimento do filho, em 2018, descrevendo a experiência como uma "viragem mental" que alterou a sua compreensão do propósito e da liderança. Essa experiência influencia agora a forma como aborda tudo, desde o desenvolvimento dos jovens à capacitação das mulheres.

Esta filosofia estende-se para além do Reino de Warri.

Através da Elevate Africa Fellowship — um programa de mentoria com a duração de dez meses, destinado a profissionais a meio da carreira e fundado pela rainha e pelo marido —, Olori Atuwatse III comprometeu-se a investir cerca de 862.600 euros no desenvolvimento de líderes africanos emergentes, defendendo que a colaboração em todo o continente é essencial para alcançar progressos a longo prazo.

A rainha espera também mudar a forma como os africanos se veem a si próprios.

Construir mais do que um reino

Olori Atuwatse III afirma que este trabalho não se resume a melhorar uma única comunidade.

Trata-se de ajudar a mudar a forma como os africanos — e o resto do mundo — veem o continente.

"Temos de começar a elevar África em todo o continente", afirmou. "Não podemos elevar apenas a Nigéria, de forma isolada."

Para a rainha, o legado que espera deixar não é medido em barris de petróleo, mas em pessoas confiantes e capacitadas.

"Não acreditamos que África seja um problema que precisa de ser resolvido", afirmou. "Acreditamos que África é rica. África é resiliente. A excelência africana precisa de ser amplificada."

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