Maduro declara-se inocente e deixa claro em tribunal: "Continuo a ser o presidente do meu país"

5 jan, 17:31
Nicolás Maduro e a sua esposa, Cilia Flores, na primeira audiência no tribunal (Elizabeth Williams via AP)

Nicolás Maduro e a sua esposa, Cilia Flores, declaram-se inocentes das quatro acusações de que são alvo no Tribunal Federal de Manhattan

Nicolás Maduro e a sua esposa, Cilia Flores, declararam-se esta segunda-feira inocentes das quatro acusações de que são alvo no Tribunal Federal de Manhattan, Nova Iorque, depois de terem sido capturados pelos EUA.

Nas suas primeiras declarações desde que foi levado para os EUA, Maduro, que apareceu algemado nos tornozelos, apresentou-se ao juiz Alvin Hellerstein como o ainda presidente da Venezuela.

"Fui capturado em minha casa, em Caracas", adiantou ao juiz, que lhe pedia para se identificar diante do tribunal. "Não sou culpado, sou um homem decente, continuo a ser o presidente do meu país", declarou Maduro, assumindo-se inocente das quatro acusações de que é alvo, nomeadamente de conspiração narcoterrorista, conspiração para tráfico de drogas, posse de armas de guerra e conspiração para a posse de armas de guerra.

Também a sua esposa, Cilia Flores, que se apresentou como "a primeira-dama da Venezuela", declarou-se "completamente inocente" diante do juiz.

Os advogados do casal optaram por não solicitar nesta audiência a libertação sob fiança, mas admitiram vir a fazê-lo em audiências futuras.

A defesa referiu que Cilia Flores, que apareceu em tribunal com dois pensos no rosto - um na têmpora e outro na testa, segundo o Guardian - apresenta "lesões significativas" causadas pelo "rapto", com o advogado Mark Donnely, que representa a esposa de Maduro, a admitir que a mulher possa ter uma fratura nas costas, pelo que precisa de avaliação médica.

Quanto a Nicolás Maduro, o seu advogado referiu apenas que “há alguns problemas de saúde que vão necessitar da atenção”.

No final da audiência, no momento em Nicolás Maduro se levantava para sair do tribunal, um homem na galeria disse-lhe, em espanhol, que Maduro iria pagar pelos seus crimes. Segundo o New York Times, o presidente deposto da Venezuela respondeu que vai conquistar a sua liberdade e, ao sair do tribunal, declarou, em espanhol: "Sou um prisioneiro de guerra."

Nicolás Maduro e Cilia Flores foram capturados, na madrugada de sábado passado, pelas forças armadas dos EUA, num "ataque em grande escala contra a Venezuela", como classificou  o presidente Donald Trump.

Depois desta primeira audiência, que durou cerca de 30 minutos, Nicolás Maduro e Cilia Flores voltam a tribunal a 17 de março.

Entretanto, a até agora vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, assumiu a presidência interina do país.

E.U.A.

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