Polícia revela que Nicola Bulley tinha problemas com álcool durante a menopausa para evitar "especulação" sobre britânica desaparecida

16 fev 2023, 11:03
Buscas por Nicola Bulley no Reino Unido (GettyImages)

Britânica desapareceu há quase três semanas, quando passeava com o cão junto ao rio, depois de deixar as filhas na escola. Autoridades quiseram divulgar problemas que Nicola Bulley atravessava depois de uma conferência de imprensa da polícia ter feito disparar especulação e rumores sobre o caso

Nicola Bulley, a britânica desaparecida desde o fim de janeiro, que deixou de ser vista quando passeava com o cão junto ao rio, tinha "problemas significativos com álcool" e estava a passar dificuldades relacionadas com a menopausa. 

A revelação foi feita pela polícia, em comunicado, na noite de quarta-feira, na sequência de uma conferência de imprensa da detetive Rebeca Smith, à frente do caso, que na tarde de ontem tinha dito aos jornalistas que Bulley tinha sido considerada uma desaparecida "de alto risco" devido a várias "vulnerabilidades específicas", sem entrar em detalhes.

Perante os rumores e intensa especulação que começaram imediatamente na sequência destas declarações da detetive, as autoridades de Lancashire optaram por divulgar publicamente quais eram as "vulnerabilidades" da britânica de 45 anos, com autorização da família.

Em comunicado, a polícia esclareceu que Nicola "sofreu no passado com problemas significativos com álcool" que tinham ressurgido nos últimos meses devido às dificuldades que a mulher atravessava devido à menopausa. 

"Isto causou alguns desafios a Paul e à sua família", referia o comunicado, citado pela Sky News, referindo-se ao companheiro de Nicola Bulley. A mesma declaração revelou ainda que, a 10 de janeiro, agentes da polícia e profissionais de saúde tinham sido chamados a casa da família para responder a um incidente e consequente "preocupação com bem-estar", sem entrar em pormenores. "Ninguém foi detido em relação a este incidente, mas está a ser investigado", esclareceram ainda as autoridades. 

Clarificação para evitar "especulação"

Nicola Bulley, de Inskip, uma pequena localidade na região inglesa de Lancashire, foi vista pela última vez na manhã de 27 de janeiro quando passeava o cão Willow, num trilho junto ao rio em St Michael's on Wyre, depois de deixar as filhas, de seis e nove anos, na escola. O cão foi encontrado sem trela e o telemóvel de Nicola pousado num banco junto ao rio, ainda ligado numa chamada de trabalho. 

A polícia admitiu que revelar este tipo de informação sobre uma pessoa desaparecida não é habitual mas que foi necessário explicar as "vulnerabilidades" de Bulley. "Sentimos que era importante clarificar o que quisemos dizer quando falámos sobre vulnerabilidades para evitar mais especulação ou má interpretação".

O comunicado das autoridades que investigam o desaparecimento acrescenta ainda que a polícia explicou à família de Bulley "porque divulgámos esta informação" e pedia ainda que a privacidade de todos fosse respeitada neste momento difícil. 

A polícia de Lancashire tem sido alvo de críticas porque rapidamente descartou a intervenção de terceiros no desaparecimento de Nicola Bulley, há quase três semanas, ainda que tenham sido realizadas operações de busca no rio junto ao qual Nicola passeava e em vários quilómetros de áreas rurais em redor. O caso, pelas suas particularidades - o companheiro de Nicola veio dizer que ela parecia ter "desaparecido no ar" - atraiu grande atenção mediática e, segundo a polícia, levou à divulgação de informações falsas, acusações e rumores.

Na conferência de imprensa de quarta-feira, antes de a polícia revelar que a mulher sofria com problemas de alcoolismo e com o impacto da menopausa - que resulta de uma descida dos níveis hormonais nas mulheres e pode causar uma multiplicidade de sintomas, físicos ou mentais - a detetive superintendente Rebecca Smith frisou que não existia uma única prova do envolvimento de terceiros no desaparecimento de Bulley.

Smith acrescentou que a sua principal hipótese de trabalho era que Nicola tivesse caído no rio, mas garante que os detetives mantêm uma mente aberta e que foram colocadas outras duas hipóteses: de que haja uma terceira parte envolvida ou de que a mulher tenha abandonado aquela área de forma voluntária.

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