China pressiona Alemanha para interceder na disputa com os Países Baixos pela Nexperia

12 nov, 16:16
Nexperia (AP)

China quer que a Alemanha pressione os Países Baixos a devolver o controlo da Nexperia. A empresa chinesa foi tomada pela Haia e está em causa o abastecimento de semicondutores utilizados por fabricantes automóveis europeus

A China instou a Alemanha a intervir junto do governo dos Países Baixos para revogar a apreensão da fabricante de semicondutores Nexperia, de acordo com a Reuters. Na semana passada, Pequim aumentou as críticas a Amesterdão e à União Europeia (UE), acusando repetidamente o governo neerlandês de ser intransigente, apesar de a China ter flexibilizado as restrições à exportação.

Durante uma conversa com a ministra alemã da Economia e Energia, Katherine Reiche, o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, afirmou que “a China espera que a Alemanha desempenhe um papel ativo no sentido de instar o governo neerlandês a tomar medidas práticas o mais rapidamente possível para corrigir as suas práticas erradas, revogar as medidas relevantes e promover uma resolução rápida da questão.”

A Nexperia, empresa sediada nos Países Baixos mas detida pelo grupo chinês Wingtech, produz milhares de milhões de chips para automóveis e produtores eletrónicos. A apreensão da empresa pelas autoridades neerlandesas, em setembro, gerou fortes reações de Pequim, que descreveu a decisão como “uma interferência indevida nos assuntos internos de uma empresa chinesa e a causa principal das perturbações na cadeia de abastecimento que se seguiram”.

Em resposta, o governo chinês impôs controlos à exportação dos produtos da Nexperia fabricados na China, o que provocou escassez de semicondutores e afetou a produção de fabricantes automóveis europeus, nomeadamente alemães. Embora Pequim tenha posteriormente concedido isenções, atenuando a falta de fornecimento, as tensões persistem, o que levou a Alemanha a pressionar a China em nome das empresas.

O Ministério dos Assuntos Económicos e Energia da Alemanha confirmou que Katherine Reiche destacou, durante a reunião, “a importância das boas relações económicas entre a Alemanha e a China”, mas também chamou a atenção para “os crescentes desequilíbrios comerciais”. A ministra sublinhou ainda que “os novos e amplos controlos de exportação chineses, incluindo os relativos às terras raras, não estão em conformidade com as normas internacionais e teriam um impacto significativo na Alemanha.”

Do lado neerlandês, o ministro da Economia, Vincent Karremans, afirmou num comunicado que os Países Baixos e a UE irão trabalhar em conjunto para "garantir que as cadeias de abastecimento sejam restabelecidas o mais rapidamente possível.” O governante reiterou que a intervenção do Estado “não visava as operações quotidianas da Nexperia”, e adiantou que “a Europa vai continuar a trabalhar num setor de chips que seja resistente a perturbações”.

Já Pequim reforça o apelo a uma solução rápida: “Para garantir a estabilidade a longo prazo da cadeia de abastecimento mundial de semicondutores, é necessário que os Países Baixos demonstrem uma atitude construtiva e tomem medidas concretas”, declarou Wang Wentao.

Apesar de alguns sinais de distensão, analistas consideram que o impasse entre a China e os Países Baixos - e, por extensão, com a União Europeia - poderá prolongar-se, com possíveis repercussões para a indústria tecnológica global e para a política económica europeia.

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