Netanyahu promete derrota total do Hamas e controlo israelita em Gaza: "Até ao fim, até à vitória"
Na primeira reunião desde dezembro, o primeiro-ministro israelita abordou a ofensiva em Gaza, as armas nucleares do Irão e a campanha contra os Houthis no Iémen
O primeiro-ministro israelita rompeu o silêncio esta quarta-feira, numa conferência de imprensa com declarações explosivas e promessas firmes. Foi a primeira em cinco meses e serviu para reforçar a posição de Israel na guerra em Gaza e enviar recados claros à comunidade internacional.
Benjamin Netanyahu não deixou margem para dúvidas nem para más interpretações: a ofensiva em Gaza vai continuar até à derrota total do Hamas.
“As nossas forças estão a desferir golpes poderosos que se tornarão ainda mais fortes contra os redutos do Hamas em Gaza. Estamos a conquistar cada vez mais território para o limpar de terroristas e da infraestrutura terrorista do Hamas”, afirmou Netanyahu.
No final da operação militar, o líder israelita prometeu que “todos os territórios de Gaza estarão sob controlo de segurança de Israel”. E acrescentou: “O Hamas estará totalmente derrotado”.
Apesar da "dureza" da sua campanha militar, o primeiro-ministro israelita fez questão de sublinhar que autorizou a entrada renovada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. No entanto, não foi por concessão, mas por estratégia.
“Queremos evitar uma catástrofe humanitária e manter o apoio dos nossos aliados. Os nossos amigos mais próximos, incluindo membros do Senado dos EUA, deixam claro que não aceitarão uma crise humanitária em Gaza”, explicou, reforçando uma posição em que os Estados Unidos continuam a apoiar a estratégia tomada pelo governo israelita.
Netanyahu acusou o Hamas de desviar e vender ajuda humanitária para financiar a sua máquina de guerra, e garantiu que Israel, em conjunto com os EUA, desenvolveu um plano para evitar isso.
O plano divide-se em três fases: a entrada imediata de alimentos básicos para conter a crise humanitária, a abertura de pontos de distribuição geridos por empresas norte-americanas nos próximos dias e a criação de uma “zona estéril” no sul de Gaza, completamente livre do Hamas, para acolher civis e garantir a entrega segura da ajuda.
“Nessa zona, os residentes de Gaza receberão ajuda humanitária completa”, prometeu.
Fim da guerra? Só com garantias
A resposta de Netanyahu aos apelos internacionais por um cessar-fogo é inequívoca: “Estamos prontos para acabar com a guerra, mas sob condições claras”.
Entre essas condições, o primeiro-ministro destacou o regresso de todos os reféns israelitas, o desarmamento do Hamas, a saída da liderança do Hamas da Faixa de Gaza, a desmilitarização total do território e a implementação do plano Trump para a região.
“Quem pede o fim da guerra sem estas condições está, na verdade, a pedir que o Hamas continue no poder e se possa rearmar para cometer novas atrocidades”, atirou.
Netanyahu também respondeu às críticas internas, nomeadamente às acusações de Yair Golan, ex-vice-chefe das Forças de Defesa de Israel (IDF) e atual líder do partido Democrata, que acusou soldados israelitas de matarem crianças palestinianas por desporto.
“Enquanto os nossos heróicos soldados arriscam a vida para proteger o país e salvar reféns, Golan acusa-os de crimes de guerra. É uma declaração horrível. As IDF fazem tudo para evitar vítimas civis. Não há exército mais moral no mundo”, defendeu.
Netanyahu acusou os seus críticos de quererem apenas derrubar o governo e de estarem “dispostos a tudo, até a perder esta guerra”, para atingir esse fim.
"Até ao fim, até à vitória”, respondeu aos críticos.
Segundo o primeiro ministro-israelita, há 20 reféns vivos confirmados em Gaza e “até 38” mortos. Mas assegurou:
“Vamos trazer todos de volta. Israel tem um plano organizado para alcançar os seus objetivos: derrotar o Hamas, recuperar os reféns e garantir que Gaza nunca mais representa uma ameaça.”
Além disso, afirmou que Israel “aparentemente” matou o líder militar do Hamas, Muhammad Sinwar.
Como a ofensiva israelita não se limita a Gaza, Netanyahu garantiu que a campanha contra os Houthis no Iémen não terminou e ainda deixou um alerta ao Irão.
“O Irão continua a ser uma ameaça séria. Israel está em total coordenação com os EUA. Falamos com eles o tempo todo. Esperamos um acordo que impeça o Irão de obter armas nucleares, o que significa impedir a capacidade de enriquecer urânio. Se não houver acordo, Israel reserva o direito de se defender contra um regime que promete destruir-nos” conclui o líder israelita.
