Nepal: embaixada não confirma resgate de português. Erro de listagem pode ser a causa da confusão

1 set, 16:23
Nepal (Rajesh Kumar Singh/AP)
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Portugal tem vindo a pedir desde o início a identificação das vítimas, mas ainda só recebeu listagens numéricas

Há uma confusão em torno dos cidadãos portugueses que foram apanhados pela enxurrada de há uma semana na fronteira entre o Nepal e a China.

Apesar de estarem confirmados dois cidadãos nacionais desaparecidos, uma informação divulgada na manhã desta terça-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros gerou confusão.

É que o Governo deu conta do resgate de um cidadão português, no caso um terceiro que estaria desaparecido no Nepal.

Acontece que a CNN Portugal conseguiu apurar junto da representação diplomática do Nepal em Portugal que esta informação não é correta, não havendo qualquer confirmação de que tenha sido resgatado um cidadão nacional, podendo tratar-se de um erro de listagem. A informação do número de cidadãos desaparecidos tem sido enviada às autoridades portuguesas em listas numéricas, sem identificação, sendo que a representação diplomática portuguesa mais próxima do país ser em Nova Deli, na Índia.

Até ao momento, o Ministério dos Negócios Estrangeiros foi contactado por familiares de duas das três vítimas referidas na lista dos desaparecidos, não havendo qualquer contacto dos familiares da suposta terceira vítima nem nenhum registo de um terceiro cidadão nacional na app do viajante.

A própria equipa da CNN Portugal no Nepal confirmou num briefing das equipas de socorro que não há qualquer informação que aponte para o resgate de um cidadão português.

Confrontado com o desmentido vindo do Nepal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros esclareceu que o comunicado emitido assentou estritamente nas listas de resgates enviadas pelas próprias autoridades nepalesas, apesar de Portugal ter pedido, desde o início, a identificação das vítimas.

O número de mortos nas cheias que atingiram o Nepal e a China ultrapassou esta terça-feira os mil, segundo as autoridades, enquanto as equipas de resgate tentam chegar às comunidades isoladas pelo desastre.

A agência nepalesa de gestão de catástrofes informou que foram contabilizados 987 mortos no país e que 3.916 pessoas continuam desaparecidas, entre as quais 583 estrangeiros.

As autoridades chinesas tinham contabilizado 16 mortos na atualização mais recente, divulgada no domingo, elevando para pelo menos 1.003 o número de vítimas mortais nos dois países.

Entre os desaparecidos no Nepal estavam três cidadãos portugueses, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que agora atualiza esse número para dois.

Pelo menos 11.814 pessoas foram até agora resgatadas, de acordo com as autoridades nepalesas.

As equipas de emergência têm recorrido a helicópteros e outras aeronaves para chegar a comunidades isoladas em zonas onde estradas e pontes foram destruídas pelas cheias e deslizamentos de terras.

A catástrofe de 26 de agosto teve origem numa sucessão de fenómenos nas zonas de elevada altitude dos Himalaias.

O colapso de um glaciar lançou grandes quantidades de rocha, gelo e água de degelo para os vales, desencadeando violentas cheias a jusante.

Cientistas que analisaram imagens de satélite indicaram que o colapso parece ter envolvido a cedência da rocha subjacente a um glaciar na região dos Himalaias.

A queda de rochas teve uma força suficiente para ser registada como um evento sísmico de magnitude 5,2.

A consequente torrente de água e detritos atingiu rios que atravessam vales no Tibete e no Nepal, provocando uma rápida subida dos níveis das águas.

As cheias arrastaram casas, edifícios, estradas e pontes e transportaram lama e rochas para as zonas a jusante.

As autoridades continuam hoje as buscas por milhares de pessoas que permanecem desaparecidas, enquanto as equipas de emergência procuram prestar assistência aos sobreviventes em áreas onde estradas e outras vias de transporte ficaram danificadas ou intransitáveis.

Uma das prioridades das operações de resgate é encontrar pelo menos 900 trabalhadores desaparecidos em 12 projetos hidroelétricos atingidos pelas enxurradas.

Cerca de 500 destes trabalhadores estarão presos no interior de túneis.

 

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