Mais de 350 mortos e 1.400 desaparecidos no Nepal. Há 650 turistas, entre os quais quatro portugueses, por localizar

27 ago, 10:16
Nepal (Getty Images)
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Há cidadãos de mais de 30 nacionalidades entre os desaparecidos. Foram resgatadas com vida 445 pessoas nas últimas horas, entre as quais 27 estrangeiros

Os números da tragédia no Nepal, junto à fronteira com o Tibete, aumentam a cada hora que passa. O último balanço das autoridades locais, nesta quinta-feira, aponta para 359 mortos do lado do Nepal e 1.400 desaparecidos na enxurrada. Destes últimos, há cerca de 700 estrangeiros, incluindo quatro portugueses, por localizar.

O mau tempo, as estradas bloqueadas e as próprias características do terreno estão a dificultar o resgate.

Balanço de mortes

Além dos 359 mortos do lado nepalês, a China reportou três mortes. O número de vítimas mortais vai continuar a disparar nas próximas horas e nos próximos dias, dado que muitas das vítimas estão soterradas pela lama.

Cerca de 650 turistas com paradeiro incerto

Do lado chinês há a confirmação de 558 desaparecidos no território tibetano de Gyirong, o que, juntando aos números do Nepal, coloca o balanço provisório em cerca de 1.400 desaparecidos.

O número de cidadãos estrangeiros por localizar é de cerca de 650. Nas últimas horas foram resgatados 27 estrangeiros, num total de 445 pessoas resgatadas com vida. Pelo menos 63 vítimas estão hospitalizadas em Katmandu.

Entre os estrangeiros desaparecidos estão quatro portugueses, como confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

A nacionalidade mais representada é a indiana, com quase 200 desaparecidos. Nepal notificou Pequim do desaparecimento de cerca de 100 cidadãos chineses na zona afetada, embora estes ainda não constem, até ao momento, do documento preliminar elaborado pelas autoridades nepalesas.

Lista divulgada pelas autoridades:

Índia: 178

Estados Unidos: 65

Malásia: 55

Ucrânia: 53

Austrália: 35

Reino Unidos: 33

Canadá: 25

Coreia do Sul e Singapura: 9

Alemanha e Rússia: 8

África do Sul e Letónia: 6

Japão e Nova Zelândia: 5

Além dos quatro portugueses desaparecidos, há ainda cidadãos de Bielorrússia, Bélgica, Bulgária, Cazaquistão, Espanha, Filipinas, Finlândia, França, Hungria, Irlanda, Israel, Itália, Lituânia, Países Baixos, Sérvia, Suíça e Suécia.

Resgates e evacuações

É um esforço contra o tempo no terreno. As autoridades chinesas dizem que as equipas médicas já evacuaram mais de 360 residentes para áreas seguras. Por sua vez, o Nepal refere que foram resgatadas 123 pessoas, 29 delas estrangeiras.

Segundo a polícia nepalesa, estão no terreno mais de sete mil operacionais. O lado chinês não revelou o seu efetivo.

Grande parte das vítimas, segundo as autoridades, encontra-se a quilómetros da zona onde a cheia teve origem, depois de ter sido arrastada para as zonas mais baixas do rio por uma enorme massa de água, lama e pedras, que também destruiu infraestruturas em várias localidades.

Possíveis causas

As autoridades estão ainda a avaliar o que estará na origem desta enxurrada. Chegou a ser considerada a possibilidade de rutura ou transbordamento de um lado glaciar no Tibete. O governo nepalês já mencionou um terramoto.

O serviço geológico dos EUA fala num deslizamento de terras de magnitude 5,2, localizando a sua origem a cerca de 55 quilómetros a noroeste de Kodari.

Os cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas já vieram alertar para o risco de novas inundações, uma vez que os sedimentos transportados pela enxurrada podem criar barragens naturais.

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