Número de mortos após enxurrada no Nepal ultrapassa as 800 pessoas

30 ago, 17:41
Nepal (AP)
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Há ainda mais de 3.000 desaparecidos

Os trabalhos de busca na sequência da enorme cheia da passada quarta-feira do rio Bhote Koshi continuam em curso, a par da identificação dos corpos, e as autoridades de ambos os lados da fronteira já contabilizam 804 mortos arrastados pela onda de lama e mais de 3.000 desaparecidos.

Na fronteira entre o Nepal e a região autónoma chinesa do Tibete, prosseguem as buscas para localizar os desaparecidos, sobretudo nos túneis das centrais hidroelétricas, onde se receia que haja mais de 900 pessoas e onde já se encontram equipas internacionais a prestar apoio.

Estas são as últimas notícias sobre a tragédia:

Balanço final

As autoridades do Nepal elevaram para 788 o número de mortos registados, valor que, juntamente com as 16 mortes comunicadas pela China, eleva para 804 o número total de mortos em ambos os lados da fronteira, sem que haja indícios de coordenação entre ambas as partes para comparar os números.

Do lado chinês, as autoridades registam 546 pessoas desaparecidas e, do lado nepalês, mais de 2.500, entre as quais centenas de turistas estrangeiros.

O Nepal afirma já ter resgatado um total de 8.730 pessoas, entre as quais 279 por helicóptero a partir dos projetos hidroelétricos e 227 estrangeiros.

As buscas concentram-se nos túneis

Aos mais de 19.800 efetivos do Exército e da Polícia nepaleses mobilizados para as operações de resgate juntaram-se equipas internacionais especializadas que procuram as cerca de 900 pessoas que se receia que possam ter ficado presas nos túneis das centrais hidroelétricas.

A chegada destas equipas responde também a uma das principais exigências dos familiares dos trabalhadores desaparecidos nas instalações hidroelétricas, que há dias reclamam ao Governo nepalês recursos técnicos que consideram insuficientes para uma operação desta complexidade.

Entretanto, as autoridades chinesas restabeleceram parcialmente, este domingo, as comunicações nas proximidades do posto fronteiriço de Gyirong, devastado pela cheia.

A inundação destruiu estradas, linhas elétricas e redes de telecomunicações, o que, nos primeiros dias, dificultou tanto o acesso por terra como a transmissão de informações a partir do epicentro da catástrofe, segundo os meios de comunicação oficiais chineses.

A nova barragem formada esvazia-se

A nova barragem natural formada por um deslizamento de terra na zona afetada pela inundação no sudoeste do Tibete começou a escoar naturalmente e já está "praticamente esvaziada", de acordo com o último balanço do Ministério chinês de Gestão de Emergências.

A acumulação de água tinha começado a formar-se durante a noite de sábado, depois de drones de vigilância terem detetado um novo deslizamento numa encosta situada a cerca de 2,8 quilómetros a jusante de outra barragem natural surgida na sequência da catástrofe.

O material desprendido bloqueou o leito do rio e levou as autoridades a transferir preventivamente para uma zona segura as equipas que participavam nas operações de busca e salvamento perto do posto fronteiriço de Gyirong.

Identificação de corpos

Para além das equipas de resgate, a Índia enviou também 18 peritos forenses indianos especializados em análise de ADN para ajudar a identificar os corpos recuperados, enquanto as autoridades procedem ao enterro provisório de alguns corpos que não puderam ser identificados.

O Governo nepalês explicou que alguns corpos não identificados ou em estado avançado de decomposição foram enterrados provisoriamente, seguindo os protocolos estabelecidos, incluindo os recomendados pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

O apelo do Papa

O Papa Leão XIV exortou, este domingo, a prestar ajuda ao Nepal e ao Tibete para aliviar a situação na sequência da grave inundação da passada quarta-feira, que causou centenas de mortos e milhares de desaparecidos.

"Asseguro as minhas orações às pessoas afetadas pela terrível inundação no Nepal e no Tibete", declarou o pontífice após a oração do Ângelus, "para que a atenção de todos possa aliviar o sofrimento e proporcionar a ajuda necessária à população".

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