Duas famílias reclamam o mesmo corpo após cheias no Nepal. Testes de ADN vão determinar identidade

Agencia EFE , TFR
1 set, 09:35
Nepal (AP)
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Houve ainda uma terceira família envolvida no processo, mas que acabou por retirar a reivindicação depois de examinar os dentes do falecido

Duas famílias nepalesas reivindicaram o mesmo corpo como sendo de um dos seus familiares após as devastadoras inundações que atingiram o Nepal na semana passada, num caso que levou à realização de testes de ADN devido às dificuldades em identificar cadáveres que, em muitos casos, foram arrastados quilómetros pela corrente.

O caso ocorreu na cidade de Pokhara, onde o corpo permanece, e foi confirmado à EFE por um perito forense da equipa que trabalha na identificação das vítimas em Catmandu, que pediu anonimato por não estar autorizado a falar publicamente sobre a operação.

O corpo, registado com o número 1003, foi encontrado a jusante após a inundação do rio Bhote Koshi, em 26 de agosto, e posteriormente transferido para o Hospital Gandaki, em Pokhara, onde três famílias diferentes afirmaram reconhecer nele um dos seus familiares desaparecidos.

A terceira família que também identificou o corpo acabou por retirar a reivindicação depois de examinar os dentes do falecido.

O corpo tinha todos os dentes, enquanto a pessoa que procuravam tinha perdido vários, uma diferença que levou a família a excluir a possibilidade de se tratar do seu familiar e a regressar a casa, segundo o meio de comunicação local Nepal News.

As outras duas famílias, no entanto, continuam a afirmar que o corpo poderá pertencer-lhes e entregaram amostras para que um teste genético possa determinar definitivamente a sua identidade.

"Todo o corpo nos parece familiar"

Entre elas está a família de Gopal Dahit, um trabalhador que se tinha mudado para Rasuwa apenas alguns meses antes para trabalhar num projeto hidroelétrico e que desapareceu durante a inundação.

A irmã, Manji Tharu, viajou com outros cinco familiares para Pokhara depois de receber informações de que um corpo que poderia ser de Gopal tinha sido levado para aquela cidade.

“Examinei tudo, as orelhas, os lábios, os dentes, todo o corpo nos parece familiar”, disse Manji ao Nepal News, explicando a angústia da família por ainda não ter conseguido levar os restos mortais.

A outra família veio de Rupandehi depois de ver uma fotografia do corpo 1003 e acreditar ter reconhecido o irmão mais novo.

“Ele é o meu irmão. Viemos procurá-lo. A fotografia do corpo 1003 chegou-me através das redes sociais e, quando a comparei com a dele, a semelhança era enorme”, afirmou Radheshyam Basyal ao mesmo meio de comunicação.

As duas famílias terão agora de recorrer a testes de ADN para determinar se o corpo pertence a algum dos seus familiares desaparecidos nas inundações ou a nenhum deles.

A polícia divulgou fotografias e características físicas dos corpos ainda não identificados para permitir que as famílias os procurem com base no rosto, dentes, orelhas, lábios, constituição física ou outras marcas distintivas.

No entanto, a deterioração de alguns cadáveres e a existência de várias reivindicações sobre a mesma vítima estão a obrigar à utilização de testes genéticos para confirmar as identidades.

O perito forense consultado pela EFE explicou que as equipas recolheram amostras de ADN dos corpos recuperados para as comparar com as de familiares quando a identificação visual não é conclusiva ou existem relatos contraditórios.

Segundo a polícia de Kaski, citada pelo Nepal News, o processamento e a comparação das amostras podem demorar entre um mês e um mês e meio.

O problema estende-se até a corpos que já foram entregues a outras famílias, depois de alguns familiares terem solicitado testes genéticos a restos mortais anteriormente identificados, por suspeitarem que possam, afinal, pertencer aos seus próprios familiares desaparecidos.

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