Governo nepalês anunciou que o primeiro-ministro, Balen Shah, e os membros do gabinete vão doar um mês de salário ao Fundo de Apoio a Desastres Naturais para ajudar as vítimas das inundações
O Nepal congratulou-se esta sexta-feira com a ajuda financeira internacional oferecida desde a enxurrada devastadora de quarta-feira, na fronteira com a China, mas garantiu não necessitar de assistência para operações de socorro.
“A nossa prioridade imediata está concentrada nas operações de busca e salvamento", declarou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lok Bahadur Chhetri, à agência de notícias France-Presse (AFP).
O porta-voz disse que, na fase atual, o importante é salvar vidas e que o Nepal dispõe dos meios necessários para as operações de socorro.
“Não se trata de recusar ajuda. Mas os nossos serviços de segurança são capazes de trabalhar com eficácia, o que estão a fazer atualmente. Se precisarmos de ajuda especializada, informaremos e solicitaremos”, afirmou.
Vários países e organizações internacionais já prometeram ajuda financeira de emergência ao Nepal.
"Recebemos muita simpatia em relação ao Nepal", congratulou-se Chhetri, embora até agora as ofertas tenham chegado a conta-gotas e permaneçam com montantes relativamente modestos.
Causada pelo colapso de parte de um glaciar, a imensa vaga de lama ocorrida na quarta-feira no Nepal e no território chinês do Tibete, no coração dos Himalaias, causou quase 500 mortos e perto de 1.500 desaparecidos, num balanço provisório.
O Governo nepalês anunciou que o primeiro-ministro, Balen Shah, e os membros do gabinete vão doar um mês de salário e remuneração ao Fundo de Apoio a Desastres Naturais para ajudar as vítimas das inundações.
A decisão foi tomada durante uma reunião do conselho de ministros, um dia após a inspeção efetuada por Shah às zonas afetadas em Nuwakot.
O porta-voz do Governo, Sasmit Pokharel, disse que o Ministério das Finanças foi instruído a preparar um pacote de apoio e reabilitação para os afetados, noticiou a agência de notícias Associated Press (AP).
Pokharel acrescentou que o Governo está em contacto com a China, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, relativamente aos riscos potenciais na região.
O chefe da delegação da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICR) no Nepal, David Fisher, disse que pelo menos 93 mil pessoas “foram afetadas e necessitam de grande ajuda”.
“Devido ao facto de estradas e pontes terem sido arrastadas e à interrupção da cobertura de rede móvel e de eletricidade, ainda não conseguimos aceder a algumas das zonas mais afetadas", afirmou Fisher por videoconferência a partir de Katmandu.
Fisher reconheceu que a informação sobre os impactos do desastre “continua a ser aproximada”.
“Muitas pessoas que precisam ainda não receberam a ajuda de que necessitam”, afirmou, citado pela agência de notícias EFE.
A UNICEF (Fundo da ONU para a Infância) anunciou que pelo menos 17 mil crianças necessitam urgentemente de assistência humanitária e que 18 escolas foram completamente destruídas e 20 danificadas.
Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que seis instalações de saúde foram danificadas e oito profissionais de saúde continuavam desaparecidos.
