"Difíceis", mas "substantivas": o que se sabe das negociações entre Ucrânia, Rússia e EUA que terminaram de "forma abrupta"

18 fev, 12:53
As delegações da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos durante as conversações de paz em Genebra, a 17 de fevereiro. AP

Uma mensagem de Volodymyr Zelensky na rede social X pode estar na origem do fim repentino das conversações tripartidas

Durou apenas duas horas o tão aguardado encontro entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos, em Genebra. O segundo dia de negociações de paz, mediadas por Washington, terminou abruptamente esta quarta-feira, pouco depois de ter começado, e ao que tudo indica por causa de uma mensagem de Zelensky nas redes sociais.

"As reuniões de ontem [terça-feira] foram realmente difíceis, e podemos dizer que a Rússia está a tentar prolongar negociações que já poderiam ter chegado à fase final", escreveu o presidente ucraniano no X na manhã desta quarta-feira. 

Numa outra publicação, o chefe de Estado sublinhou que Kiev mantém o foco em resultados concretos. “Estamos a trabalhar em conjunto com a equipa para aproximar a paz real. A prioridade são garantias de segurança para a Ucrânia. Os representantes ucranianos têm diretivas claras sobre todos os aspetos das negociações. Espero um relatório detalhado após todas as reuniões.”

Segundo a Reuters, a mensagem, escrita minutos antes do início das conversações, não terá caído bem junto dos representantes russos presentes na Suiça, que, de forma repentina, colocaram um ponto final nas negociações com Kiev.

Ainda assim, o balanço dos dois encontros em solo europeu é positivo. Do lado russo, o negociador Vladimir Medinsky classificou a sessão como “dura, mas profissional”, indicando que uma nova ronda de conversações deverá realizar-se em breve. Também uma fonte russa, citada pela RBC-Russia sob anonimato, descreveu a primeira reunião, realizada na terça-feira, como “muito tensa”, com discussões em formatos bilateral e trilateral.

Já do lado ucraniano, Rustem Umerov, o secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia, descreveu o encontro como "substantivo". “As discussões foram intensas e substantivas”, afirmou, citado pela Reuters, acrescentando que “várias questões foram esclarecidas” e reiterando que “o objetivo da Ucrânia continua a ser uma paz justa e sustentável”.

Enquanto isso, uma outra fonte declarou ao The Washington Post que “a Rússia pode querer paz, mas apenas nos seus próprios termos”.

As delegações da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos durante as conversações de paz em Genebra, a 17 de fevereiro. Imagens da rede social X de Rustem Umerov

As conversações decorreram sob mediação dos Estados Unidos, num contexto em que o presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu que cabe à Ucrânia e a Volodymyr Zelensky tomar iniciativas que assegurem o êxito do processo. Ao mesmo tempo, o enviado especial norte-americano, Steve Witkoff, garantiu que as discussões trilaterais resultaram em “progressos significativos”, deixando ainda um agradecimento à Suíça por ter acolhido os encontros.

O principal ponto de fricção entre os dois Estados em guerra desde 2022 mantém-se no tema dos territórios. Moscovo controla atualmente cerca de um quinto do território ucraniano, incluindo a Crimeia, e exige o controlo total de Donetsk como parte de qualquer entendimento, mesmo sobre áreas que não conseguiu conquistar nos últimos anos de guerra. Já Kiev rejeita essa exigência e pretende garantias de segurança sólidas por parte dos parceiros ocidentais.

As negociações decorrem num momento em que o conflito se prepara para entrar no quarto ano, com combates ativos em várias frentes e sucessivas rondas diplomáticas incapazes, até agora, de produzir um acordo. Esta quarta-feira, a Ucrânia acusou a Rússia de ter lançado 126 aeronaves não tripuladas, dos quais 100 foram intercetados, enquanto outros 14 atingiram diferentes zonas da Ucrânia, cuja localização não foi divulgada.

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