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“A única dúvida que existe é saber se o Governo foi enganado ou quis ser enganado”

Agência Lusa , PP
9 nov 2024, 23:22
Manifestantes protestam enquanto aguardam a entrada no porto de Lisboa do navio porta-contentores NYSTED MAERSK (LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO)
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Dezenas em protesto contra navio “que tem estado na rota do genocídio” em Gaza. Espanha não autorizou paragem do navio nos seus portos

Dezenas de pessoas permaneciam pelas 22:00 em protesto contra a atracagem, em Lisboa, de um navio “que tem estado na rota do genocídio” em Gaza e tem sido “central no armamento de Israel”.

O protesto em frente ao Porto de Lisboa começou às 20:00, a hora prevista da chegada do navio Nysted MAERSK, que “tem estado na rota do genocídio e que tem sido central no armamento americano de Israel”, acusou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Fabian Figueiredo.

A denúncia partiu da campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) a Israel, que indica que o navio fez, nos últimos meses, centenas de transportes ilegais de armas para Israel, através do porto espanhol de Algeciras.

“Foram 400 vezes que este navio atravessou o mediterrâneo para levar armamento que promove e participa no genocídio do povo da Palestina em Gaza”, acusou o deputado, que hoje participou no protesto, que juntou desde jovens estudantes universitários a reformados.

O Governo justificou a autorização de deixar aportar o navio defendendo que o barco não transportava armamento: "Foi-nos reconfirmado que não é transportada qualquer carga militar, armamento ou explosivos", adiantou o executivo.

Para o Bloco de Esquerda, as declarações do Governo servem apenas para “desconversar”, já que a acusação não se refere à carga que transporta hoje, mas sim ao facto de o navio participar numa rede de cargueiros que transporta armas dissimuladamente para Israel.

“A única dúvida que existe é saber se o Governo foi enganado ou quis ser enganado”, defendeu Fabian Figueiredo, defendendo que “os portos portugueses não devem servir de plataforma para o genocídio em Gaza”.

Ao permitir que o navio atraque em Lisboa "Portugal está a ser cúmplice", acusou por seu turno Sandra Machado, da PUSP - Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina, uma das organizações envolvidas no protesto que queria que o governo revogasse a autorização da atracagem.

Mas às 20:30 já corria a informação de que o navio tinha efetivamente chegado ao porto de Lisboa, um facto que não desmobilizou os manifestantes que explicaram que o protesto quer também fazer pressão para que o Governo passe a proibir o trânsito em mar português de barcos que transportem armas para Israel.

“Este navio atraca em Lisboa porque não foi autorizado a atracar em Espanha”, acrescentou o líder bloquista, lamentando que Portugal não tivesse tomado uma posição semelhante a Espanha, que “desde maio tem proibido a atracagem de qualquer barco com destino a Israel que tenha armamento”.

Às 22:00, os manifestantes permaneciam em protesto gritando palavras de ordem e empunhando bandeiras da Palestina.

“Este navio faz parte de um esquema para iludir as regras de vários estados europeus que têm proibido que os seus portos e os seus territórios sejam plataformas de armamento para Israel”, defendeu o líder, lamentando que Portugal tenha optado por “entrar no perímetro dos países cúmplices” com o conflito na Palestina.

O protesto de hoje contou também com a participação do Palestina em Português e do Comité de Solidariedade com a Palestina, além de vários estudantes que no último ano têm participado em ações em defesa do povo palestiniano.

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