Naufrágio polar recém-descoberto pode conter artefactos intrigantes

CNN , Ashley Strickland
7 jul, 17:00
Navio Quest usado pelo explorador polar Ernest Shackleton (Print Collector/Hulton Archive/Getty Images)

As descobertas mais recentes no mundo da ciência, da astronomia, da arqueologia e da botânica

No início dos anos 1900, a Antártida tornou-se um ponto quente para exploradores que se aventuravam em expedições intrépidas mas perigosas.

O explorador polar Sir Ernest Shackleton e a sua tripulação de 27 homens partiram a bordo do HMS Endurance em 1914. Mas o Endurance ficou preso no gelo, um incidente documentado pelas imagens dramáticas captadas pelo fotógrafo oficial da tripulação.

A tripulação estabeleceu uma “estação terrestre” e viu o gelo esmagar e afundar lentamente o barco. Os homens flutuaram num bloco de gelo e usaram botes salva-vidas para conseguirem chegar à ilha desabitada de Elephant.

Shackleton e alguns poucos membros da tripulação embarcaram então numa arriscada viagem de centenas de quilómetros de mares violentos até à ilha da Geórgia do Sul em busca de equipas de resgate. Após receberem ajuda numa estação de observação de baleias,  Shackleton voltou para ir buscar os seus homens. Recusou-se a desistir.

Toda a tripulação sobreviveu apesar da aventura perigosa que terminou em 1916. E apesar de a expedição não ter tido sucesso, o regresso da tripulação em segurança tornou-se uma história maior.

Uma expedição de busca encontrou o naufrágio do HMS Endurance em 2022 e agora outra parte do legado de Shackleton foi recuperada.

Segredos do oceano

Shackleton na partida de Londres a bordo do Quest, a 17 de setembro de 1921. (Central Press/Hulton Archive/Getty Images)

Uma equipa internacional de especialistas apetrechados de um sonar localizaram o navio de exploração Quest, em tempos comandando por Shackleton, ao largo da costa do Canadá.

O explorador seguia a bordo do navio, na sua quarta tentativa de expedição até à Antártida, quando morreu vítima de um ataque cardíaco em janeiro de 1922, aos 47 anos.

Após a sua morte, a embarcação seguiu para mais aventuras antes de se afundar em 1962, e os investigadores acreditam que pode haver artefactos a bordo com um história para contar sobre as viagens do navio.

Uma expedição vai recorrer a um veículo operado remotamente para explorar o interior do Quest no final do ano.

Curiosidades

O falecido físico Freeman Dyson teorizou em 1960 que, se civilizações avançadas de vida alienígena tiverem existido, poderiam ter encontrado uma forma de aproveitar a potência das estrelas como uma solução energética.

A sua ideia sobre estas megaestruturas estelares, inspiradas pela ficção científica, resultou num conceito chamado esferas de Dyson, que ele julgava que seriam detectáveis sob luz infravermelha.

Ainda que identificar as fontes de radiação infravermelha não seja uma prova direta de inteligência extraterrestre, o famoso cientista disse que também esperava que o seu trabalho levasse à descoberta de novos tipos de objetos celestes.

Agora, uma nova investigação conseguiu identificar sete possíveis estrelas na Via Láctea que podem albergar esferas de Dyson, e a descoberta está a abalar a comunidade de astronomia em mais do que uma maneira.

Reino selvagem

Um elefante lidera as suas crias para um sítio seguro no norte do Quénia (George Wittemyer)

À semelhança dos humanos, os elefantes selvagens africanos podem usar chamamentos individuais distintos para se dirigirem uns aos outro e se identificarem mutuamente, indica um novo estudo.

Os cientistas analisaram gravações de diferentes tipos de roncos, ou sons que as fêmeas de elefantes e as suas crias usam. E após as ouvirem, os elefantes responderam mais fortemente aos chamamentos que originalmente se destinavam a eles.

“Isto sugere alguma capacidade de pensamento abstrato – eles têm de ser capazes de aprender este som arbitrária e associá-lo a outros indivíduos e essencialmente chamarem-se uns aos outros pelo nome”, diz o especialista em comportamento animal Mickey Pardo, bolseiro pós-doutoral na Universidade de Cornell.

Há muito, muito tempo

Durante anos, persistiu o mito de que eram sobretudo raparigas jovens as sacrificadas em rituais na cidade antiga maia de Chichén Itzá – mas novas provas sugerem que outra parte da população desempenhou um papel neste rituais de morte.

Uma análise a dúzias de esqueletos depositados num poço sagrado na península de Yucatán no México mostra que as vítimas eram rapazes com entre 3 e 6 anos de idade. Muitos deles eram familiares, incluindo alguns gémeos.

A razão para terem sido sacrificados permanece um mistério, mas a revelação acrescenta uma nova camada de complexidade ao calendário de rituais dos Maias, dizem os investigadores.

Outros mundos

Uma imagem orbital do Monte Olimpo mostra uma formação de gelo no topo daquele vulcão marciano (ESA/DLR/FU Berlin)

Um veículo a orbitar em torno de Marte observou, pela primeira vez, a formação de gelo no topo dos vulcões do planeta vermelho.

A região equatorial de Marte alberga alguns dos vulcões mais altos do sistema solar, com alguns picos bem acima da altura do Monte Evereste.

"É importante porque nos mostra que Marte é um planeta dinâmico, mas também que a água pode ser encontrada em quase toda a superfície marciana", diz Adomas Valantinas, investigador de pós-doutoramento na Universidade de Brown.

Além disso, uma grande tempestade solar atingiu Marte em maio e as missões da NASA captaram auroras deslumbrantes que envolvem o planeta e outras imagens surpreendentes do evento.

Descobertas

Mergulhe a fundo nestas novas descobertas:

- Um parente vegetariano da piranha com dentes semelhantes aos dos humanos parece improvável, mas é uma espécie amazónica recém-descoberta que os investigadores baptizaram com o nome de um vilão da série "O Senhor dos Anéis".

- Escavações recentes revelaram artefactos como cerâmica e moedas que mostram como os romanos se integraram nas comunidades locais no sul de Inglaterra há milhares de anos.

- Um agricultor e paleontólogo amador desenterrou o fóssil de uma espécie de pterossauro até agora desconhecida que sobrevoava o mar que cobria parte da Austrália há 100 milhões de anos.

- Um botânico descobriu uma pequena espécie de planta que é uma novidade para a ciência a crescer num local improvável nas encostas dos Andes.

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