Turquia deixa cair o veto - mas a que preço para Suécia e Finlândia? A lista de concessões para entrarem na NATO

28 jun, 21:57
Assinatura do acordo entre Turquia, Finlândia e Suécia para a entrada dos dois países nórdicos na NATO (AP)

Ao fim de mais de um mês de conversas e impasses, o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, venceu as negociações e obrigou os países nórdicos a cederem a troco da entrada na NATO

"Turquia, Finlândia e Suécia assinaram um memorando que aborda as preocupações da Turquia, inclusive em torno das exportações de armas e a luta contra o terrorismo", anunciou o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, à saída da cimeira da NATO, que decorre em Madrid. O acordo desbloqueia a entrada dos dois países nórdicos na aliança, mas que cedências fizeram a Erdogan para que este levantasse o veto?

Erdogan exigia que Estocolmo e Helsínquia deixassem de apoiar as organizações políticas curdas, mais concretamente o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), consideradas terroristas por Ancara e o levantamento do embargo na venda de armas à Turquia.

“Turquia, Finlândia e Suécia confirmam que agora não existem qualquer embargo à venda de armas entre eles. A Suécia está a alterar o quadro regulatório para permitir a exportação de armas em relação aos aliados da NATO”, pode ler-se no documento.

O documento trilateral foi tornado público e confirma que Ancara levou a melhor, com os governos finlandeses e suecos a comprometerem-se a “estender o seu completo apoio à Turquia contra todas as ameaças à sua segurança nacional”, particularmente em relação às chamadas Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG/PYD), bem como a “rejeição e condenação de terrorismo em todas as forças e manifestações”.

Essa condenação estende-se ao PKK, tendo os dois países nórdicos mostrado disponibilidade para trabalhar na prevenção das atividades do grupo e de indivíduos relacionados com o mesmo e em aumentar a troca de informações na área da defesa. No que toca a esta organização, tanto a Finlândia e a Suécia mostraram-se disponíveis para “investigar e interditar” o financiamento e atividades de recrutamento do PKK.

Ancara conseguiu ainda fazer com que Helsínquia e Estocolmo respondam às exigências turcas em relação aos processos de extradição pendentes de “suspeitos de terrorismo” de organizações pró-curdas.

Além disso, o documento aponta a criação de vários “passos concretos” no trabalho entre os três países, como a criação de um mecanismo de cooperação para o contraterrorismo. Suécia e Finlândia comprometem-se a alterar os seus quadros legais para aumentar a luta contra o terrorismo “com determinação e firmeza”.

Os dois países apresentaram, em meados de maio, um pedido de adesão à NATO que terá de ser aprovado por todos os membros da Aliança.

Depois do encontro de hoje, à margem da cimeira da NATO, Erdogan seguirá diretamente para o jantar oferecido pelos reis de Espanha aos mandatários estrangeiros, que será servido no Palácio Real de Madrid, segundo a cadeia televisiva NTV.

Em seguida, reunirá com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

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