Sondagem: portugueses revelam apoio esmagador à NATO mas mostram-se cautelosos sobre a guerra da Ucrânia

30 dez 2025, 12:00
Mark Rutte e Luís Montenegro (MIGUEL A. LOPES/LUSA)

SONDAGEM TVI/CNN PORTUGAL || Mesmo perante a hipótese de a NATO se envolver diretamente num conflito armado, a maioria dos portugueses mantém-se fiel à Aliança

Os portugueses mostram-se firmes no apoio à NATO e cautelosos nas opções de política internacional, segundo uma sondagem da Pitagórica para a TVI e CNN Portugal que traça um retrato das posições do país face aos principais dossiês internacionais.

Quanto à Aliança Atlântica e a permanência de Portugal na organização, os portugueses reúnem-se num consenso esmagador. Nove em cada dez pessoas, o que se traduz em 90%, defendem que o país deve continuar na NATO, enquanto apenas 3% consideram que Portugal deveria sair.

Mesmo perante a hipótese de a NATO se envolver diretamente num conflito armado, a maioria mantém-se fiel à Aliança Atlântica, já que 61% entende que Portugal deve permanecer na NATO e cumprir integralmente os compromissos assumidos. Outros 25% defendem a permanência, mas com limitações na participação, enquanto apenas 9% admitem uma postura de neutralidade e afastamento.

Este apoio à NATO é acompanhado por uma aceitação alargada do reforço da capacidade militar nacional, embora com prudência. A grande maioria dos inquiridos, 79%, considera necessário o investimento de 5,8 mil milhões de euros em equipamento militar, mas defende que esse esforço seja feito de forma gradual. Ainda assim, 19% dos portugueses consideram este apoio pouco oportuno ou mesmo desnecessário.

No que diz respeito à guerra na Ucrânia, o retrato é mais cauteloso e marcado pelo ceticismo. Os portugueses mostram-se reticentes quanto a acordos de paz que impliquem concessões imediatas. Apenas 15% defendem um entendimento que envolva cedências, enquanto 43% dizem que a posição dependerá do conteúdo concreto do acordo e das garantias que forem asseguradas. Quando confrontados diretamente com uma proposta de paz dos Estados Unidos que inclua concessões por parte de Kiev, 36% afirmam que a Ucrânia não deve aceitar.

Ainda assim, a maioria dos portugueses apoia o envolvimento financeiro de Portugal no esforço europeu de apoio à Ucrânia. Mais de metade, 51%, dos inquiridos, considera que o país deve apoiar o financiamento em larga escala atualmente em discussão na União Europeia. Outros 35% defendem um apoio mais limitado, enquanto 11% entendem que Portugal não deve apoiar esse financiamento.

Eurovisão divide opiniões

Ainda segundo a sondagem da Pitagórica para a TVI e CNN Portugal, 46% dos inquiridos defendem que Portugal e a RTP devem participar normalmente na Eurovisão, independentemente da presença de Israel. Esta posição é especialmente expressiva entre os homens, nas faixas etárias dos 35 aos 44 anos, nas classes sociais mais baixas (C2/D), na região Norte e entre o eleitorado do Chega.

Em sentido oposto, 28% consideram que Portugal deveria boicotar o concurso e não participar. Trata-se de uma posição minoritária, mas ainda assim relevante, refletindo a divisão existente sobre a forma como o país deve posicionar-se perante a guerra em Gaza.

Há também soluções intermédias. Um em cada dez portugueses, o que se traduz em 10%, entende que Portugal deve manter o Festival da Canção, mas abdicar da participação na Eurovisão. Outros 9% preferem deixar a decisão em aberto, considerando que tudo dependerá das circunstâncias ou da evolução dos acontecimentos até à data do concurso.

Ficha técnica

Sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI e CNN Portugal com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a atualidade nacional e internacional e com as eleições presidenciais de 2026.

O trabalho de campo decorreu entre os dias 11 e 19 de dezembro de 2025. A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores recenseados em Portugal e foi devidamente estratificada por género, idade e região. Foram realizadas 2012 tentativas de contacto, para alcançarmos 1000 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,7%.

As 1000 entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/- 3,16% para um nível de confiança de 95,5%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

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