Os comentários do presidente norte-americano provocaram uma onda de indignação entre veteranos e políticos britânicos, e por parte de outros países da Aliança
O príncipe Harry diz que se deve falar dos sacrifícios feitos pelas tropas da NATO no Afeganistão “de forma verdadeira e com respeito” depois de Donald Trump ter dito que os países aliados se mantiveram afastados da linha da frente do conflito e que não tem a certeza se “estariam lá” se precisassem.
Em comunicado, Harry, que vive nos Estados Unidos, falou ainda sobre a sua experiência no Afeganistão, onde serviu com as forças armadas britânicas, e dos “amigos que fez e que perdeu” no conflito. Na sua biografia “Spare”, o príncipe já tinha revelado que, enquanto esteve no Afeganistão, matou 25 combatentes talibãs. “Não era uma estatística que me enchia de orgulho, mas também não me envergonhava.”
Os comentários do presidente norte-americano provocaram uma onda de indignação entre veteranos e políticos britânicos, e por parte de outros países da NATO.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, considera os comentários de Trump “ofensivos e francamente chocantes” e que o presidente dos Estados Unidos deve pedir desculpa: “Se eu me tivesse expressado dessa forma, ou dito essas palavras, com certeza pediria desculpa.”
As palavras foram invulgarmente fortes para Starmer, que tem estado empenhado em preservar a aliança entre o Reino Unido e os Estados Unidos perante a crise na Gronelândia.
O Reino Unido foi um dos vários países aliados da NATO que mandaram tropas para o Afeganistão em 2001 depois dos Estados Unidos invocarem a cláusula de segurança coletiva - são o único membro da Aliança a invocar o Artigo 5.º - a seguir aos ataques terroristas de 11 de Setembro em Nova Iorque.
Centenas de militares britânicos morreram no conflito.