Mark Rutte diz que sabe que não vai "agradar" ao dizer isto mas: "estejam felizes" por Trump "nos ter feito assumir" mais gastos na Defesa

21 jan, 17:13
Rutte Trump

“Obrigou-nos, na Europa, a dar um passo em frente", argumenta o secretário-geral da NATO

Mark Rutte considera que os europeus “podem estar felizes” por Donald Trump estar perto, numa altura em que a Europa “tem de proteger o Ártico contra a influência russa e chinesa”.

O secretário-geral da NATO discursou esta quarta-feira num painel do Fórum Económico Mundial, em Davos, Suíça, no mesmo dia em que o presidente dos EUA marcou presença no evento e aproveitou para reforçar a sua ameaça de anexar a Gronelândia - mas sem usar a força, prometeu.

De acordo com o Politico, a declaração começou com uma ressalva do chefe da aliança militar, que já antecipava o teor controverso da frase. “Sei que não vos vou agradar agora porque estou a defender Donald Trump, mas acredito sinceramente que podem estar felizes por ele estar aqui”, afirmou Rutte.

“Obrigou-nos, na Europa, a dar um passo em frente, a enfrentar as consequências de termos de assumir mais responsabilidades pela nossa própria defesa”, justificou.

Durante o debate “Pode a Europa defender-se?”, o secretário-geral da aliança militar classificou a reeleição do presidente norte-americano como “uma coisa positiva”, uma vez que “os aliados da NATO não teriam aumentado as despesas com defesa sem ele”.

Segundo Mark Rutte, as grandes economias da Europa nunca teriam concordado em alocar 2% do seu PIB à Defesa se Trump não tivesse voltado à Casa Branca, referindo-se a Espanha, Itália e França.

“De forma nenhuma. Sem Donald Trump isto nunca teria acontecido. Estão todos nos 2% agora”, sublinhou Rutte. “Estou absolutamente convencido de que, sem Donald Trump, não teriam tomado essas decisões - e são cruciais, sobretudo para o lado europeu e canadiano da NATO, para crescerem realmente no mundo pós-Guerra Fria.”

Sobre as pretensões da China ou da Rússia na Gronelândia, Mark Rutte dá razão ao chefe de Estado norte-americano. “O presidente Trump e outros líderes têm razão”, salientou, argumentando que “temos de proteger o Ártico contra a influência russa e chinesa”.

“Estamos a trabalhar nesse sentido, assegurando que, coletivamente, iremos defender a região do Ártico”, acrescentou o líder da NATO.

Sobre o atual clima de tensão entre os aliados europeus e os EUA, Rutte assegurou que este é um trabalho a ser feito “nos bastidores” e não em público.

Ainda assim, o secretário-geral da NATO adiantou que as divisões dentro da Aliança Atlântica devem ser resolvidas com uma diplomacia ponderada. “Não vou comentar esse assunto, mas posso garantir que, no final, a única forma de abordar esta questão é através de uma diplomacia reflexiva”, rematou.

Ainda a propósito da Gronelândia, Rutte admitiu estar “muito preocupado” com a atenção diminuída que outros conflitos têm recebido. É exemplo disso a Ucrânia, afirmou o líder da aliança. “O foco na Ucrânia deve ser prioridade número um, porque é crucial para a segurança da Europa e dos Estados Unidos.”

O país de leste voltou a ser referido no debate por ter exigido um aumento das despesas com defesa por parte da Europa. Com a mudança de prioridades militares dos Estados Unidos, os países europeus preparam-se agora para uma possível redução de tropas no continente.

“Os americanos ainda têm mais de 80 mil soldados na Europa, incluindo na Polónia e na Alemanha, pelo que continuam fortemente empenhados na defesa europeia. E sim, têm de se virar mais para a Ásia. Por isso, é perfeitamente lógico que esperem que nós, na Europa, possamos um passo em frente ao longo do tempo”, salientou Rutte.

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