Ucrânia: Stoltenberg e Scholz excluem resposta militar a eventual intervenção da Rússia

Agência Lusa , DCT
18 jan, 16:21
O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg

“A tensão é elevada e por isso o diálogo é especialmente importante”, disse Jens Stoltenberg

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, excluíram esta terça-feira em Berlim uma resposta militar em caso de intervenção russa na Ucrânia, com o chefe da Aliança a sugerir novas discussões com o Kremlin.

Haverá um elevado custo político, um elevado custo económico, se ocorrer uma intervenção e for violado o princípio da integridade territorial”, afirmou Scholz no decurso de uma conferência de imprensa conjunta, ao responder a uma questão sobre se admitia uma resposta militar.

Stoltenberg também indicou que a Aliança enviou uma mensagem à Rússia onde indica que caso seja privilegiada a “violência” enfrentará um “elevado preço” político e financeiro e assinalou que os países da NATO apoiarão a Ucrânia para manter o seu direito à autodefesa.

Em primeiro lugar, devem agora registar-se progressos na frente política”, sublinhou o secretário-geral da NATO, que esta terça-feira anunciou ter enviado convites a representantes da Rússia e de países aliados para manter encontros destinados a “melhorar as linhas de comunicação”.

“A tensão é elevada e por isso o diálogo é especialmente importante. Por isso faremos o possível para alcançar uma solução política”, acrescentou Stoltenberg.

Alemanha descarta que intervenção militar russa dite o fim do Nord Stream 2

Numa referência à aprovação para início do funcionamento do gasoduto Nord Stream 2, controlado pelo gigante russo Gazprom, o chanceler alemão recusou admitir expressamente que uma eventual intervenção militar russa na Ucrânia significaria o fim do projeto.

Tudo deve ser discutido em caso de intervenção militar” por parte da Rússia e que deve contar com um “elevado preço”, argumentou.

Mas Scholz recordou que o seu Governo e o anterior Executivo alemão de Angela Merkel comunicaram “muito claramente” aos Estados Unidos – um firme opositor do projeto – a forma de proceder face ao Nord Stream 2.

Alemanha rejeita exportar armamento letal. Caminho consiste em dialogar

Numa referência à recusa alemã de fornecer armamento à Ucrânia, uma posição reafirmada na segunda-feira em Kiev por Annalena Baerbock, chefe da diplomacia de Berlim, Scholz sublinhou que a Alemanha aplica “desde há algum tempo” a estratégia de não exportar armamento letal, uma posição que se mantém apesar da mudança de Executivo.

Pelo contrário, sublinhou o chanceler, o essencial consiste em dialogar “a nível europeu” sobre a forma de garantir uma situação que “termine com a escalada” e que garanta não existirem riscos para a integridade territorial da Ucrânia.

Por sua vez, Stoltenberg disse existirem membros da NATO que estão dispostos a fornecer armas letais à Ucrânia, pelo facto de existirem diversas abordagens, mas evitou posicionar-se sobre esta questão.

A NATO apoia a Ucrânia, apoiamo-la politicamente na prática, apoiando as suas instituições de defesa, por exemplo com o treino e a melhoria das capacidades da sua marinha”, assegurou.

Blinken defende "via diplomática" durante telefonema com Moscovo

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, defendeu esta terça-feira uma "via diplomática" para encerrar a crise entre a Rússia e a Ucrânia, durante um telefonema com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, nesse telefonema, Antony Blinken – que está de partida para uma visita oficial a Kiev - "sublinhou a importância de procurar uma via diplomática para aliviar as tensões decorrentes da concentração profundamente perturbadora de tropas russas na Ucrânia".

Blinken – que vai reunir com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev – deverá “reforçar o compromisso dos Estados Unidos com a soberania e a integridade territorial da Ucrânia”, de acordo com o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Durante uma conferência de imprensa conjunta com a sua homóloga alemã Annalena Baerbock, Serguei Lavrov disse que Moscovo continua a aguardar por respostas dos países ocidentais às exigências feitas pela Rússia, que insiste em que a NATO não aceite a inclusão da Ucrânia na Aliança Atlântica e que não fortaleça a posição das suas forças militares junto às fronteiras russas.

Aguardamos as respostas que nos prometeram, para continuar as negociações”, explicou Lavrov.

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