"A mais séria escalada do conflito" não intimida a NATO: "Se a Ucrânia parar de lutar, deixará de existir"

30 set, 18:57
Jens Stoltenberg, secretário geral da NATO, reage à anexação dos territórios ucranianos à Rússia (AP Photo)

Vladimir Putin anunciou a anexação ilegal de quatro províncias ucranianas e sugeriu, mais uma vez, utilizar "todas as armas" ao dispor da Rússia. NATO garante que não cede "à chantagem nuclear" russa

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, reforçou esta sexta-feira o apoio da aliança à Ucrânia e garantiu que os aliados transmitiram à Rússia que esta enfrentará “sérias consequências” caso utilize armas nucleares para defender a conquista dos territórios ucranianos ilegalmente anexados pelo governo de Vladimir Putin.

“Se a Rússia parar de lutar, teremos paz. Se a Ucrânia parar de lutar, deixará de existir enquanto nação independente e soberana. A NATO reafirma o seu inabalável apoio à independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia”, garantiu Stoltenberg, numa conferência de imprensa marcada poucas horas depois da cerimónia de anexação russa, onde Putin fez várias ameaças ao ocidente.

A falar em nome de todos os 30 aliados do grupo, Stoltenberg diz que todos os membros da aliança vão continuar a apoiar a Ucrânia e a fornecer equipamentos militares necessários para continuar a defesa “contra a agressão russa, durante o tempo que for necessário”. Nesse sentido, o líder da NATO sublinhou a aprovação de um novo pacote de apoio americano e da vontade de continuar a apoiar a Ucrânia por parte dos restantes membros.

Para a aliança, a anexação ilegal de território ucraniano por parte da Rússia, que esta sexta-feira anexou formalmente as regiões de Lugansk, Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson, a par do anúnio da mobilização e da retórica nuclear representam “mais séria escalada do conflito”.

“A mobilização, combinada com a perigosa retórica nuclear e com a anexação ilegal dos territórios ucranianos, é a mais séria escalada do conflito, desde o seu início. O propósito do presidente Putin é travar o nosso apoio à Ucrânia. Ele não vai ter sucesso”, frisou.

Questionado sobre se a sequência de derrotas militares que o exército russo tem sofrido no terreno podem levar a uma Rússia mais imprevisível e a um Vladimir Putin mais perigoso, o secretário-geral da NATO alertou que ceder a “chantagem nuclear”, pode abrir um precedente muito perigoso, que o líder russo utilizará no futuro.

“Se a anexação e a ameaça do uso de armas nucleares nos travar de apoiar a Ucrânia, então aí é o aceitar da chantagem nuclear. A Rússia tem de entender que uma guerra nuclear nunca pode ser ganha e não deve ser travada. Tal terá consequências muito severas para a Rússia e isso foi transmitido de forma muito clara à Rússia”, explicou.

Nesse sentido, Stoltenberg reforçou que o exército ucraniano tem “todo o direito” de reconquistar todo o seu território que se encontra ocupado pelo exército russo e que “uma anexação ilegal” não altera esse direito. O secretário-geral acrescentou ainda os perigos para o mundo de um possível sucesso russo na Ucrânia, alertando que tal cenário poderá enviar uma mensagem “a todos os líderes autoritários” que é possível utilizar a força militar para atingir os seus objetivos “tornando o mundo num lugar mais perigoso”.

Questionado pela imprensa ucraniana sobre o pedido de adesão apresentado esta sexta-feira, Stoltenberg foi vago, limitando-se a explicar que “todas as democracias europeias” têm o direito a fazer o pedido, embora este tenha de ser aceite com unanimidade por todos os membros.

“Durante o encontro da NATO em Madrid, ficou claro que todos os membros concordam no direito da Ucrânia escolher o seu próprio caminho e escolher a arquitetura defensiva que considera melhor”, recorda.

Stoltenberg revelou ainda que trocou algumas palavras com o chanceler alemão, Olaf Scholz, acerca do ato de sabotagem contra os gasodutos do Nord Stream 1 e 2, no Mar Báltico, sublinhando que a aliança mantém um forte presenta marítima e aérea na região e que está pronta para defender todas as infraestruturas críticas dos membros da aliança na região.

“A NATO está presente, através da marinha e da força aérea. É claro que isto manda uma mensagem clara de que a aliança está pronta para defender estes mares, mas também as suas infraestruturas críticas”, esclareceu.

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