Washington, DC, e Londres — O presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou este sábado as tropas britânicas após a indignação persistente causada por comentários que ele fez esta semana, minimizando os sacrifícios das forças da NATO no Afeganistão.
“Os GRANDES e muito BRAVOS soldados do Reino Unido estarão sempre com os Estados Unidos da América!”, escreveu Trump na sua Truth Social.
“No Afeganistão, 457 morreram, muitos ficaram gravemente feridos e estavam entre os maiores guerreiros de todos os tempos”, continuou. “É um laço forte demais para ser rompido. As Forças Armadas do Reino Unido, com enorme coração e alma, não ficam atrás de ninguém (exceto dos EUA!). Amamo-vos a todos e amaremos sempre!”
A mensagem veio após uma reação furiosa aos comentários do presidente, que minimizaram o papel das forças da NATO no Afeganistão. As declarações do presidente irritaram os aliados dos EUA na NATO, ocorrendo no final de uma semana em que já tinha causado severas tensões na aliança com as suas ameaças de tomar o controlo da Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca, outro membro da NATO.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o príncipe Harry, que serviu no conflito, estiveram entre os que criticaram os comentários, com Starmer chamando-os de “insultuosos e francamente deploráveis”.
Starmer levantou a questão posteriormente numa chamada com Trump no sábado, na qual discutiram “os bravos e heróicos soldados britânicos e americanos que lutaram lado a lado no Afeganistão, muitos dos quais nunca voltaram para casa”, adiantou um porta-voz de Downing Street.
Após os ataques terroristas de 11 de setembro, os EUA tornaram-se o primeiro e, até hoje, o único membro da NATO a invocar o Artigo 5.º, que afirma que um ataque contra um membro é um ataque contra todos. Durante 20 anos, aliados da NATO e outros países parceiros lutaram ao lado das tropas americanas no Afeganistão.
“Nunca precisamos deles”, disse Trump sobre a NATO numa entrevista na quinta-feira à Fox Business. “Nunca lhes pedimos realmente nada. Sabe, eles dizem que enviaram algumas tropas para o Afeganistão ou isto ou aquilo. E enviaram mesmo. Ficaram um pouco para trás, um pouco afastadas da linha de frente.”
“Se eu tivesse me tivesse expressado mal desta forma ou proferido essas palavras, certamente pediria desculpas", reagiu Starmer na sexta-feira.
Inicialmente, a Casa Branca ignorou as críticas de Starmer e insistiu que Trump estava correto nos seus sentimentos.
"O presidente Trump está absolutamente certo — os Estados Unidos da América fizeram mais pela NATO do que qualquer outro dos países da aliança juntos", disse Taylor Rogers, porta-voz da Casa Branca, quando questionada sobre os comentários de Starmer.
Starmer e Trump, na sua chamada no sábado, "discutiram a necessidade de reforçar a segurança no Ártico", informou Downing Street, após uma semana tensa de diplomacia em relação à Gronelândia e o anúncio de Trump de um "acordo-quadro" em relação ao território autónomo.
"Os líderes discutiram a importância da relação entre o Reino Unido e os EUA, que continua a resistir ao teste do tempo", concluiu o comunicado de Downing Street. "Eles concordaram em conversar em breve."
A publicação de Trump nas redes sociais no sábado ocorreu perante uma intensa reação negativa aos seus comentários sobre a NATO.
O príncipe Harry, veterano em duas missões na linha de frente no Afeganistão, disse por via do seu porta-voz que os sacrifícios das tropas da NATO "merecem ser mencionados com sinceridade e respeito".
Até mesmo a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, uma aliada ferrenha de Trump, repudiou as suas declarações.
Numa publicação na X no sábado, Meloni escreveu que o governo italiano ficou surpreso com os comentários de Trump.
"Declarações que minimizam a contribuição dos países da NATO no Afeganistão são inaceitáveis, especialmente se vierem de uma nação aliada", disse.
Meloni afirmou que a Itália e os EUA permanecem "unidos por uma sólida amizade".
"Mas a amizade exige respeito, uma condição fundamental para continuar garantindo a solidariedade que está no coração da Aliança Atlântica", acrescentou.
Tropas da Dinamarca que lutaram ao lado das forças americanas expressaram um sentimento de traição pelas declarações de Trump sobre a NATO, agravado pelas repetidas ameaças do presidente de "adquirir" a Gronelândia, antes de recuar esta semana.
Embora Trump tenha elogiado as tropas britânicas na sua mensagem de sábado, ele não mencionou outros países da NATO que perderam tropas ao longo do conflito de duas décadas.