Números contrariam Trump: investimento na NATO dispara em quase todos os países

26 mar, 12:08
Mark Rutte discursa em Bruxelas depois de reunião com ministros da Defesa (AP)

 

 

Apenas Estados Unidos, Hungria e Chéquia diminuíram o seu investimento anual

Os aliados europeus da NATO e o Canadá aumentaram em 20% os gastos com Defesa em 2025, face ao ano anterior, de acordo com o relatório anual divulgado pela Aliança Atlântica. Segundo a Reuters, o documento aponta para um reforço significativo do investimento militar, num contexto de crescente instabilidade global.

O secretário-geral Mark Rutte tem agora a expectativa de que os países mantenham esta trajetória e avancem para a meta de 5% do PIB em despesas relacionadas com Defesa até 2035. O objetivo passa por garantir uma capacidade reforçada, tanto ao nível militar como em áreas complementares, como a cibersegurança e infraestruturas.

"Espero que os Aliados, na próxima Cimeira da NATO em Ancara, demonstrem que estão num caminho claro e credível rumo ao objetivo dos 5%", escreveu Rutte, acrescentando que "um forte laço transatlântico continua a ser essencial numa era de incerteza global".

O secretário-geral da NATO lembra ainda que no último ano os países da NATO enfrentaram um período marcado por desafios crescentes à segurança transatlântica, tendo respondido a múltiplas ameaças. Rutte destaca a Rússia como o principal risco direto devido à guerra na Ucrânia, apoiada por China, Coreia do Norte, Irão e Bielorrússia.

"Para proteger as infraestruturas críticas da Aliança no mar, lançámos a operação Baltic Sentry. Para aumentar a nossa vigilância e reforçar a nossa dissuasão e defesa ao longo do flanco oriental, lançámos também a operação Eastern Sentry. Ter mais forças prontas em terra, no mar e no ar transmite um forte sinal de solidariedade, força e determinação da Aliança. A histórica Cimeira da NATO realizada em Haia, em junho de 2025, foi um momento decisivo para a nossa Aliança. Os líderes aliados acordaram medidas para reforçar significativamente a nossa dissuasão e defesa", escreve, referindo-se ao compromisso de "investir anualmente 5 % do PIB na defesa até 2035".

O relatório indica ainda que todos os membros da NATO atingiram ou superaram o objetivo mínimo de 2% do PIB em Defesa, definido em 2014, com vários países a registarem aumentos expressivos. Em 2025, a despesa total da Aliança fixou-se em 2,77% do PIB.

No documento, Rutte diz ainda que no ano passado "todos os Aliados comunicaram valores de despesas com a Defesa que cumpriram ou ultrapassaram a meta de 2% estabelecida pela primeira vez em 2014, tendo muitos registado aumentos significativos nas despesas".

Portugal cumpre os mínimos

Portugal, tal como Albânia, Bélgica, Canadá e Espanha, gastou mais de seis mil milhões de euros em Defesa no ano de 2025, cumprindo à risca o objetivo mínimo definido pela NATO há vários anos, mas que muitos dos Estados-membros não cumpriam.

Alguns países, como Polónia, Lituânia e Letónia, já ultrapassaram a meta intermédia de 3,5% destinada a despesas militares diretas. 

Os Estados Unidos continuam a representar a maior fatia do esforço financeiro da NATO, sendo responsáveis por cerca de 60% da despesa total da organização em 2025, ainda que tenham investido menos que no ano anterior, algo que só Hungria e Chéquia fizeram. Trump tem exigido que os Aliados europeus da NATO aumentem significativamente os gastos em defesa, defendendo que estes países devem assumir a responsabilidade principal pela defesa convencional do continente.

Numa mensagem publicada na rede Truth Social, Trump criticou os membros da Aliança Atlântica por não terem feito nada em relação ao Irão, afirmando que os EUA “não precisam de nada da NATO”.

Donald Trump acusou mesmo os aliados de não terem feito “ABSOLUTAMENTE NADA” para ajudar os Estados Unidos no Irão. 

A publicação vem mesmo acompanhada de um aviso, já que os Estados Unidos “NUNCA VÃO ESQUECER” o que aconteceu.

“As nações da NATO não fizeram absolutamente nada para ajudar com a nação lunática, agora militarmente dizimada, do Irão. Os Estados Unidos não precisam de nada da NATO, mas ‘nunca esqueçam’ este ponto muito importante”, pode ler-se.

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