Não se surpreenda se der por si num ciclo interminável de planeamento e esforço excessivos, se estiver a lutar pela ideia perfeita do que as festas devem ser. Em vez disso, considere formas de reduzir o stress festivo e aumentar a sua gratidão
Encontrar os melhores presentes para amigos e familiares, decorar, planear e receber convidados, e ainda manter as tradições, pode tornar a época festiva um pouco exaustiva.
Esses eventos podem trazer muita alegria, mas planear demais as festas pode causar mais stress do que o momento feliz que se pretende proporcionar.
“As festas têm muitas expectativas associadas a elas”, diz Suzanne Degges-White, conselheira certificada e professora e diretora do departamento de aconselhamento e ensino superior da Northern Illinois University, em DeKalb, Illinois. “Podemos receber visitas inesperadas, a campainha pode tocar, as pessoas querem que apareçamos em eventos, as crianças têm necessidades”, diz Degges-White. “Podemos acabar por fazer demasiado, sobrecarregar-nos, gastar em excesso, e começamos realmente a ressentir cada dia de 15 de novembro até 5 de janeiro”.
Não se surpreenda se der por si num ciclo interminável de planeamento e esforço excessivos, se estiver a lutar pela ideia perfeita do que as festas devem ser.
Em vez disso, considere estas cinco formas de reduzir o stress festivo e aumentar a sua gratidão.
Escolha quais as tradições importantes
As festas estão repletas de tradição, seja um presente feito à mão oferecido todos os anos ou a pressão para preparar a refeição festiva tal como a sua avó costumava fazer. As tradições servem como uma forma de se reconectar consigo próprio e com os seus entes queridos, mas podem trazer muita pressão.
“Quando chega a nossa vez de dar continuidade a uma tradição, sentimos que temos de o fazer de uma certa forma, e se não for assim, podemos sentir que estamos a desiludir outras pessoas, não apenas a nós próprios”, diz Degges-White.
“Considere quais tradições quer manter e quais podem ser deixadas para trás”, acrescenta. “Às vezes temos de tomar decisões muito difíceis devido ao tempo, energia e dinheiro limitados que temos à disposição”.
Deixe de lado a necessidade de perfeição
“As pessoas podem ter grandes expectativas em relação aos eventos festivos e procurar fazer com que tudo seja perfeito, quando, na maior parte das vezes, essas expectativas não são cumpridas”, diz a psicóloga clínica Lisa Firestone, diretora de investigação e educação na The Glendon Association, uma organização sem fins lucrativos focada na defesa da saúde mental em Santa Bárbara, Califórnia.
“Em parte, isso decorre do facto de as pessoas não se aceitarem ou não se sentirem suficientes”, acrescenta. “A realidade é que podemos ter muito mais prazer na vida se retirarmos um pouco dessa pressão e não nos focarmos tanto em que tudo esteja perfeito”.
A psicóloga clínica recomenda dedicar algum tempo a decidir o que importa mais durante este período festivo, seja conectar-se com família e entes queridos ou passar tempo sozinho a relaxar. Depois, concentre-se nesses objetivos em vez de procurar alcançar a perfeição. “Pensar em festas passadas pode ajudá-lo a perceber o que é mais importante para si”, diz Degges-White.
“Pense em cinco coisas que mais gosta, priorize-as, e não sinta que tem de fazer maior ou melhor do que no ano anterior”, afirma, “porque quanto mais tentamos recriar coisas extravagantes, menos significado esse momento tem”.
Peça a outros para participarem
Vale a pena perguntar a outros membros da família o que é importante para eles na época festiva. Ornamentos feitos à mão ou bolachas especiais podem parecer (e saber) incríveis, mas é bom importante perceber se o que é especial é a atividade de cozinhar, as bolachas em si, ou as músicas que ouviram enquanto cozinhavam. Ou talvez apenas gostem de fazer algo consigo.
“Saiba que não tem de fazer todo o trabalho sozinho. É importante deixar que os outros ajudem quando se sentir sobrecarregado”, diz Lisa Firestone.
“As pessoas colocam muita pressão sobre si próprias (e sentem que) têm de fazer tudo”, acrescenta. “Mas a realidade é que se sentem mais incluídas se as deixar fazer coisas também, e contribuir”.
“Embora possa sentir que as coisas precisam de ser feitas de determinada forma, deixar que os outros contribuam com o seu melhor pode reduzir o stress festivo, e a participação em grupo pode ser positiva para o espírito natalício”, salienta Degges-White.
Reserve algum tempo livre
“É preciso reservar algum tempo sem obrigações ou responsabilidades”, diz Emiliana Simon-Thomas, diretora científica do Greater Good Science Center, um instituto de investigação que estuda a psicologia, sociologia e neurociência do bem-estar, na Universidade da Califórnia, Berkeley.
Simon-Thomas sugere resistir à tentação de planear em excesso, que pode derivar do “FOMO”, ou medo de ficar de fora.
“Basta largar e apreciar o facto de que outras pessoas podem ter experiências realmente maravilhosas, e saborear aquilo a que gosto de chamar ‘JOMO’, a alegria de ficar de fora”, diz, “honrando e abraçando o tempo livre”.
Substitua a crítica pela gratidão
Se se encontrar num estado de ruminação ou de mentalidade autocrítica durante a época festiva, Simon-Thomas recomenda praticar a gratidão. Isso pode significar fazer uma lista e escrever algumas coisas pelas quais é grato, ou simplesmente refletir sobre as coisas boas à sua volta.
“Quanto mais se pratica a gratidão, mais ela pode mudar a sua mentalidade e fazer com que preste mais atenção às coisas boas da vida, em vez de questionar se é bom o suficiente”, diz Simon-Thomas.
“Em vez de estar preocupado ou ansioso em momentos mundanos e comuns, há como que uma sensação de realização ou contentamento – existe, assim, otimismo e positividade, que se desenvolvem com a prática repetida de gratidão”, acrescenta.
“Se estiver a escrever, a pensar, a refletir, a concentrar-se continuamente na bondade, é isso que vai surgir para si”.
“Estes hábitos de pensamento tornam-nos mais capazes de experienciar estados positivos, de nos relacionarmos com outras pessoas de forma amigável e solidária, e simplesmente de gerir e ultrapassar as dificuldades, desafios e contratempos da vida”.
*Nota do editor: Este artigo foi publicado originalmente em dezembro de 2024 e foi atualizado.