Não lhe queremos estragar o Natal. Até os nutricionistas dizem que pode manter as versões tradicionais dos doces que enchem esta época festiva. É só não exagerar na quantidade e fazer outras escolhas que compensem o ‘estrago’
Se o seu Natal for a sério, recheado de tradição, não precisa de conhecer de cor as receitas para saber os ingredientes que levam. Açúcar, farinha, óleo são três deles. E, depois de enfardarmos sonhos, podem tornar-se o nosso maior pesadelo.
Os nutricionistas dizem que há duas formas de tornar o Natal um momento mais equilibrado. A primeira é substituir ingredientes (ou tipos de confeção) para tornar as receitas mais saudáveis. A segunda é manter a receita original, mas primar pela contenção.
Nenhuma destas abordagens está livre de desvantagens. Ao mudar ingredientes, admite Rafael Matos Carlos, nutricionista da AIM Cancer Center, “corremos o risco de perdemos a identidade ou sabor característicos” dos doces de Natal. Mas, se honrarmos a tradição, vai ser preciso aprender a comer mais com os olhos do que com a barriga.
Contudo, antes de passarmos às dicas, temos de fazer um aviso com a ajuda de Rafael Matos Carlos: “quando sabemos que algo é mais saudável, caímos na tentação de comer em maior quantidade, o que será contraproducente”. Não caia na armadilha.
Dá para substituir o açúcar?
Há quem o veja como um veneno, mas a verdade é que o açúcar tem o seu lugar bem consolidado na mesa do Natal. Rui Bento, nutricionista da Clínica Espregueira, no Porto, reconhece que não é tarefa fácil substituir este ingrediente.
“Uma alternativa é utilizar edulcorantes para reduzir a quantidade de açúcar e preservar a doçura dos alimentos. No entanto, é importante lembrar que a textura das receitas pode ser afetada. Outra opção, pouco vantajosa, é substituir o açúcar refinado por outras versões, como o açúcar de coco ou o mascavado, que, embora mais caros, não deixam de ser açúcar. Portanto, aqui o melhor é mesmo reduzir um pouco a quantidade utilizada”, aconselha.
Farinha: uma boa lista de alternativas
Passamos do açúcar à farinha, uma presença obrigatória em todos os Natais – há anos em que até esgota (ou são racionadas) nos supermercados, tanta é a procura. Mas a farinha mais utilizada, a de trigo, nem sempre é a melhor para a nossa dieta.
“Farinhas integrais serão mais ricas em fibras e micronutrientes e com uma carga glicémica menor. Farinhas de coco, frutos secos ou sementes serão as melhores neste sentido. Usar menos farinha de trigo e açúcar e adicionar estas [alternativas] é uma boa estratégia”, diz Rafael Matos Carlos.
Vire-se para o forno
E aquela rabanada, bem douradinha? Sim, vem com óleo. E todos sabemos o que ele é capaz de fazer ao nosso corpo. Mas dá para torná-las bem mais saudáveis, dizem os especialistas.
“Uma forma simples e eficaz é substituir a fritura pelo forno. Por exemplo, em vez de fritar as rabanadas em óleo, podemos assá-las, o que diminui significativamente o teor de gordura. Os sonhos também podem ser feitos no forno, mantendo o sabor e reduzindo as calorias”, recomenda Rui Bento.
Sim, ainda dá para o Natal ser tradicional
Seja na versão tradicional ou mais “fit”, não deixe de prestar atenção às quantidades de doces natalícios que ingere. “Devemos comê-los como sobremesa, não como lanche”, diz Rafael Matos Carlos. Para compensar, há que reduzir a quantidade de hidratos de carbono no prato principal. E, depois da refeição, nada como uma caminhada para ajudar a queimar as ‘asneiras’.
“É mais prático aproveitar os doces tradicionais de Natal na sua versão original, mas de forma controlada”, reconhece Rui Bento. Até porque “não é necessário comer cinco ou seis rabanadas para sentir o prazer de saborear esse doce”.
Para não cair tantas vezes em pecado, o conselho é que consuma estes doces “mais perto das festividades”, em vez de começar a maratona no início de dezembro.
