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Ainda há tempo. Este guia de sobrevivência pode evitar-lhe e remediar abusos na mesa de Natal

24 dez 2025, 18:00

Natal é altura de muitas asneiras alimentares. E há muitos truques para evitar que o período festivo seja sinónimo de mais uns quilinhos

Parece que não comemos há séculos. O Natal ativa qualquer coisa no nosso apetite. É como se tivéssemos de devorar tudo o que nos aparece à frente. Por isso, temos um presente para si: dicas preciosas para evitar (ou, pelo menos, para remediar) tanto estrago natalício.

Etapa 1: Sopa para encher

Comecemos pela sopa. Mesmo quando há muita coisa para comer, não salte esta etapa da refeição. Além de nos hidratarmos, “ficamos mais saciados, com menos apetite para os doces e outros desvarios mais típicos do Natal”, aponta Conceição Calhau, nutricionista da Nova Medical School.

Vai uma sopinha? (Pexels)

Etapa 2: Prato principal (ou pratos principais)

Calma, caro leitor, já vamos aos doces. Antes temos o bacalhau cozido, que calha sempre bem, mesmo fora do Natal. “Tem uma gordura particularmente interessante para a saúde, o ómega três. É um bom elemento para ter na mesa”, junta Conceição Calhau.

E o bacalhau, normalmente, anda com boas companhias em época festiva. “Se tiver os hortícolas, as couves, as leguminosas e a batata, se fizemos a conjugação destes elementos, ficamos saciados com alguma facilidade”.

Mas, em casa portuguesa que se preze, há sempre outros pratos principais para devorar. Em dia de festa, dizem as nutricionistas, está mais do que perdoado. “Ir picando um bocadinho de cada, dentro destes elementos e desta variedade, não é um problema”. Desde que depois não se torne hábito.

“O problema é entre a passagem de ano e o Natal, não é entre o Natal e a passagem de ano. Devemos desviar-nos um pouco destas obsessões, em que parece que as dietas são todas para o Natal”, conclui a também professora de Nutrição.

Tradicional ou mais contemporâneo, o bacalhau é sempre o "fiel amigo" (Pexels)

Etapa 3: Como se demorar na mesa sem fazer asneira

A família é a coisa mais saborosa do Natal. À mesa, conversa puxa conversa. E lá caímos na tentação de nos empanturramos.

“A oportunidade de conversa à mesa pode ser uma oportunidade não para comer mais, mas para ir tendo mais oportunidade de ficarmos saciados. Um dos truques é pousar os talheres, mastigar com calma, conversar. A refeição pode ser mais prolongada, mas não propriamente com mais excessos”, aconselha Conceição Calhau.

Quando acabar, mexa-se um bocadinho. Dá para fazer um jogo em família ou uma caminhada a pé até à missa do galo. Ajuda a melhorar a digestão e a queimar alguns excessos. Não todos, só alguns.

Etapa 4: como montar um prato saudável

Não precisa de ir à velocidade de Margarida Mira Silva, medalha de ouro nos Jogos Surdolímpicos de Tóquio, que também é nutricionista na Nova Medical School. Para uma dieta de campeã, para aplicar durante todo o ano, contamos com a ajuda dela.

“O grande truque é o prato em T. Dividimos metade do prato para hortícolas. A outra metade é divida em dois, para termos os hidratos de carbono e a proteína.

Nós, portugueses, tendemos a acompanhar sempre com uma salada de alface e tomate. Mas há tanta variedade, tanta cor para aplicar. E, como os hortícolas têm muita fibra, ajudam-nos a ficar saciados durante mais tempo. Podem ser salteados, cozidos ou assados no forno.

Na carne e no peixe é que não precisa de ser tão garganeiro. “Os filetes de peixe, normalmente, são um bocadinho granes. É preciso cortar ao meio para ter o equivalente a um quarto do prato”, descreve. O mesmo aplica-se ao bifinho. Dica: não deve ser maior do que a palma da mão.

No fim, o outro quarto para os hidratos de carbono, como as batatas. Se lhe parecer pouco para um adulto, talvez seja melhor pensar duas vezes. “Nós, em Portugal, temos taxas de consumo muito altas. Por isso, [a organização do prato assim] pode parecer um bocadinho descabido”, conclui Margarida Mira Silva.

Há mais salada no mundo do que alface e tomate (Pexels)

Etapa 5: o que é doce também amarga

Não, não estávamos esquecidos dos doces. É sonho, é rabanada, é filhós. Trazem muitas memórias boas, que podem funcionar como inimigo. Daí que Conceição Calhau recomenda que devamos “ter menos ligação afetiva a essas sobremesas”. Porque, caso contrário, tendemos a levar uma maior quantidade à boca.

Se lá em casa, nos dias de Natal, abunda a fartura, não tem de ficar na miséria ou de escolher só um. É uma questão de ir distribuindo pelos dias e de escolher quantidades mais pequenas. Está oficialmente autorizado o pijaminha.

“Podemos comer um bocadinho de cada. Mas, se cada um de nós tiver o apetite e a saciedade muito bem controlados durante o ano inteiro, de certeza que não vão cometer tantos excessos quanto isso na noite de Natal”, remata Conceição Calhau.

Agora sim, todos para a mesa! O jantar está servido.

Não será por uns dias de exagero que vai deitar tudo a perder. Preocupe-se é com o resto do ano (Pexels)
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