NASA e o astronauta dão algumas explicações sobre o que aconteceu
Astronauta cujo problema médico levou ao primeiro regresso antecipado de missão da NASA fala pela primeira vez
por Jackie Wattles, CNN
O veterano astronauta da NASA Mike Fincke confirmou que foi o membro da tripulação que sofreu um preocupante “episódio médico” que levou a um regresso antecipado da Estação Espacial Internacional (ISS) no mês passado.
Fincke e os seus colegas de missão — a astronauta da NASA Zena Cardman, Kimiya Yui, da Japan Aerospace Exploration Agency, e o cosmonauta Oleg Platonov, da agência espacial russa Roscosmos — regressaram à Terra em meados de janeiro, deixando para trás uma tripulação reduzida de apenas três astronautas para operar o laboratório orbital, com uma dimensão próxima de um campo de futebol.
A saída repentina do grupo marcou a primeira vez na história em que a NASA teve de encurtar uma missão de permanência na ISS por motivos de saúde. Na altura, a agência espacial não revelou qual dos astronautas tinha o problema médico nem a natureza da situação.
Além de se identificar publicamente, Fincke não forneceu detalhes sobre a sua condição médica.
“Experimentei um episódio médico que exigiu atenção imediata dos meus incríveis colegas de tripulação”, afirmou Fincke num comunicado divulgado esta quarta-feira. “Graças à resposta rápida deles e à orientação dos nossos cirurgiões de voo da NASA, a minha situação estabilizou rapidamente.”
Fincke disse que a NASA determinou que a tripulação deveria regressar à Terra para beneficiar de “exames médicos avançados que não estão disponíveis na estação espacial”.
A ISS dispõe de equipamento médico, embora não tenha todas as ferramentas que um serviço de urgência típico teria.
Durante a viagem de regresso da tripulação, a NASA afirmou que o astronauta afetado encontrava-se em condição estável. No entanto, ainda não é claro se o episódio médico constituiu uma emergência com risco de vida ou de que forma os colegas de Fincke conseguiram resolver a situação.
A NASA tem uma política antiga de não divulgar informações médicas pessoais dos seus astronautas por razões de privacidade. Informações sobre o impacto dos voos espaciais no corpo humano ou outros problemas médicos que ocorram durante missões são geralmente tornadas públicas no âmbito de estudos científicos e investigação mais alargados.
Estudos académicos anteriores analisaram condições como a síndrome de adaptação ao espaço — um problema caracterizado por vómitos e vertigens, sentido por muitos astronautas nas primeiras horas em microgravidade — e revelaram alguns problemas médicos em órbita, incluindo inchaço do nervo óptico e coágulos sanguíneos, normalmente sem identificar as pessoas afetadas.
Protocolo de privacidade da NASA
Depois de Fincke e os seus três colegas, conhecidos como Crew-11, terem regressado à Terra, apareceram juntos numa conferência de imprensa no Johnson Space Center da NASA, em Houston. Na altura, os astronautas recusaram identificar quem tinha sofrido o problema médico. No entanto, disseram que não consideraram o regresso como uma emergência e sentiram que o incidente demonstrou como o treino e a preparação da NASA lhes permitiram fazer uma viagem segura de regresso a casa.
“A forma como lidámos com tudo, desde as operações normais até esta operação imprevista, é muito promissora para a exploração futura”, afirmou Fincke durante a conferência de imprensa de 21 de janeiro.
O problema médico inesperado desencadeou uma rápida sucessão de acontecimentos, com a NASA a cancelar uma caminhada espacial planeada, a agendar rapidamente a viagem de regresso do grupo e, depois, a acelerar o lançamento da missão seguinte de rotação de tripulação para o posto orbital.
Um grupo de quatro astronautas, conhecido como Crew-12, chegou à estação espacial a 14 de fevereiro, elevando novamente o número de tripulantes para sete pessoas — o número que a NASA normalmente pretende para manter as experiências científicas e outras tarefas em funcionamento.
“Estou muito bem e a continuar o processo normal de recondicionamento pós-voo no Johnson Space Center da NASA, em Houston. Voar no espaço é um privilégio incrível e, por vezes, lembra-nos o quão humanos somos”, afirmou Fincke num comunicado escrito divulgado na quarta-feira. “Obrigado a todos pelo vosso apoio.”
O programa Artemis da NASA está a levar humanos ao espaço profundo pela primeira vez em mais de cinco décadas. Subscreva a newsletter Countdown e receba atualizações da CNN Science sobre expedições fora deste mundo à medida que acontecem.