"Ao contrário de quaisquer planetas encontrados no nosso sistema solar", estes dois planetas são provavelmente compostos de água

CNN , Zoe Sottile
1 jan, 15:00
Nesta ilustração, o exoplaneta Kepler-138 d está em primeiro plano e Kepler-138 c está à esquerda. As baixas densidades de Kepler-138 c e Kepler-138 d indicam que devem ser compostos em grande parte por água.

A descoberta de que os planetas são provavelmente compostos em grande parte por água vem de um estudo publicado recentemente na revista “Nature Astronomy”

Dois planetas distantes são provavelmente compostos de água, segundo pesquisas realizadas com os telescópios Hubble e Spitzer da NASA. Os denominados "mundos aquáticos" estão a orbitar uma estrela anã vermelha, o tipo de estrela mais pequena, de acordo com um comunicado do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

Os planetas aquosos estão a 218 anos-luz de distância na constelação de Lyra, revela a NASA. E são "diferentes de quaisquer planetas encontrados no nosso sistema solar".

A descoberta de que os planetas são provavelmente compostos em grande parte por água vem de um estudo publicado recentemente na revista “Nature Astronomy”. Uma equipa de investigação liderada por Caroline Piaulet, estudante de doutoramento no Instituto de Investigação de Exoplanetas da Universidade de Montreal, usou os telescópios espaciais Hubble e Spitzer da NASA para observar o distante sistema planetário.

O sistema planetário que estudaram chama-se Kepler-138 porque está localizado no campo de visão da nave espacial Kepler da NASA. Os investigadores sabiam da existência de três exoplanetas – o termo para planetas fora do nosso sistema solar – dentro do sistema Kepler-138, mas só agora descobriram que dois deles são provavelmente feitos de água.

Também descobriram provas de um quarto planeta que não tinha sido descrito antes.

Mas a descoberta não é tão simples como parece. Os cientistas não detetaram diretamente água nos exoplanetas Kepler-138c e Kepler-138d. Em vez disso, compararam os tamanhos e massas dos planetas com modelos de comparação.

Quando compararam os planetas com os modelos, descobriram "que uma fração significativa do seu volume – até metade – deveria ser feita de materiais mais leves do que rocha, mas mais pesados que hidrogénio ou hélio".

Esta ilustração mostra secções transversais da Terra e do exoplaneta Kepler-138d. Medições da densidade de Kepler-138d sugerem que poderia ter uma camada de água que compõe mais de 50% do seu volume, a uma profundidade de cerca de 2.000 km (Benoit Gougeon/Universidade de Montreal)

"Antes pensávamos que planetas um pouco maiores do que a Terra eram grandes bolas de metal e rocha, como versões ampliadas da Terra, e foi por isso que os apelidámos como super-Terras", disse Björn Benneke, coautor do estudo e professor de astrofísica na Universidade de Montreal, no comunicado. "No entanto, mostrámos agora que estes dois planetas, Kepler-138c e d, são muito diferentes e que uma grande fração de todo o seu volume é provavelmente composto por água."

"É a melhor evidência até agora para “mundos aquáticos”, um tipo de planeta que os astrónomos afirmam existir há muito tempo", prosseguiu Benneke.
As altas temperaturas nestes planetas significam que podem estar envolvidos numa atmosfera de vapor, de acordo com a NASA.

"A temperatura na atmosfera de Kepler-138d está provavelmente acima do ponto de ebulição da água, e esperamos uma atmosfera espessa e densa feita de vapor neste planeta", afirmou Piaulet em comunicado. "Só que sob essa atmosfera de vapor pode potencialmente haver água líquida a alta pressão, ou mesmo água noutra fase que ocorre a altas pressões, chamada um fluido supercrítico."

Os "mundos aquáticos" estão fora da zona habitável da sua estrela – a área em que as temperaturas permitem água líquida na superfície de um planeta rochoso. Mas o novo planeta descrito pelos investigadores, Kepler 138-e, enquadra-se na zona certa, de acordo com o comunicado.

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