Nacional-Casa Pia, 0-0 (crónica)

8 fev, 17:33
Nacional-Casa Pia (HOMEM DE GOUVEIA/LUSA)

Na ressaca, ninguém sorriu

Havia no jogo de hoje, entre Nacional e Casa Pia, vários pontos de contacto. O mais óbvio: são duas equipas que lutam pelo mesmo. A manutenção.

Outro, este explanado na classificação: os dois clubes estão separados apenas por dois pontos na tabela e tentavam aproveitar os deslizes de Santa Clara e Tondela para fugir aos lugares perigosos.

Mas não só; diria até que o grande elo entre as duas formações residia no que ambas tinham feito na última jornada.

O Nacional perdeu em Alvalade, é certo, mas só sofreu o golo da derrota no último suspiro (e fez uma excelente exibição frente ao bicampeão).

O feito do Casa Pia, por sua vez, dispensa grandes apresentações: sem ninguém contar com isso à partida, os gansos ganharam ao líder FC Porto, impuseram a primeira derrota no campeonato à equipa de Farioli e relançaram a luta pelo título.

Por isso, este Nacional – Casa Pia que, à primeira vista, poderia não entusiasmar, tinha vários motivos de interesse. Vamos a eles.

Toda a primeira parte foi pautada pelo equilíbrio, ainda que com um ligeiro ascendente do Nacional.

A equipa da casa dispôs da grande chance de toda a etapa inicial, já ao minuto 44. Após um canto, José Gomes aproveitou uma bola que andava perdida para rematar à meia-volta e acertar na barra.

O Casa Pia, estando mais remetido à defesa, não deixou, todavia, de explorar o contra-ataque e de levar algum perigo à baliza do Nacional.

E deveu-o, acima de tudo, ao trio Tiago Morais – Larrazabal – Cassiano. Este último foi mesmo o autor da oportunidade maior dos gansos, num remate em arco que obrigou Kaique a uma defesa muito apertada (38m).

A segunda parte acabaria por ser uma cópia da primeira: o Nacional foi melhor, teve mais bola, maior ímpeto atacante, mas o Casa Pia nunca se desorganizou defensivamente.

Veron apareceu em boa posição para marcar, por duas vezes, mas não soube concretizar; Cassiano, do lado do Casa Pia, podia ter feito muito melhor aos 75m quando, isolado, permitiu a defesa de Kaique.

Mesmo com substituições de parte a parte, o nó não desatou. E lembra-se das expetativas de que lhe falei no início da crónica? Não é que tenha sido um espetáculo terrível, mas nem Nacional, nem Casa Pia deram a melhor sequência às boas exibições da última jornada.

Na ressaca, ninguém sorriu.

 

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A FIGURA: Khaly

Nunca é fácil eleger a figura de um jogo que termina empatado a zeros, mas, se o marcador não mexeu hoje na Choupana, isso deve-se também a Khaly. O central angolano do Casa Pia fez uma exibição irrepreensível, facto que é ainda mais louvável se pensarmos que, pela frente, tinha Chuchu Ramirez, goleador do Nacional e quarto melhor marcador do campeonato.

 

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O MOMENTO: Aquele poste, José (44m)

Foi a grande oportunidade do jogo. José Gomes, em cima do intervalo, rematou com estrondo à barra da baliza do Casa Pia. Se tivesse entrado, a história de uma partida em que o Nacional foi melhor poderia perfeitamente ser outra.

 

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POSITIVO: Pacheco, a boina e três jogos a pontuar

Álvaro Pacheco chegou ao Casa Pia há menos de um mês e somou hoje o quarto jogo ao comando dos gansos. Com uma (previsível) derrota em Alvalade, a verdade é que o treinador somou hoje o terceiro jogo consecutivo a pontuar: empate frente ao AVS, vitória perante o FC Porto e empate agora  com o Nacional, na Madeira. Numa equipa que luta pela manutenção, não é, de todo, um mau começo.

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