Ciclone Mocha deixa pelo menos 41 mortos no Myanmar

Agência Lusa , AG
16 mai, 08:15
Ciclone Mocha, Myanmar (Al-emrun Garjon/AP)

Autoridades temem mais mortos, havendo mais de cem pessoas desaparecidas

Pelo menos 41 pessoas morreram no estado de Rakhine, no oeste de Myanmar (antiga Birmânia), após a passagem do ciclone Mocha, o mais forte da última década, que deixou ainda milhares de pessoas retidas pela subida das águas.

"Podemos confirmar que há 17 mortos", disse o administrador da aldeia de Bu Ma, Karlo, a um jornalista da agência France-Presse (AFP), dois dias após a passagem do Mocha.

"Haverá mais mortos porque mais de cem pessoas estão desaparecidas", acrescentou.

A este número juntam-se 24 mortos comunicados à mesma agência por um responsável da aldeia vizinha de Khaung Doke Kar, que pediu para não ser identificado por recear represálias da junta militar que governa o país.

A última contagem da junta, realizada na segunda-feira, foi de cinco mortos e um número não especificado de feridos, notou ainda a AFP.

Mais de 700 feridos

Os fortes ventos feriram mais de 700 das mais de 20 mil pessoas que tinham procurado abrigo em edifícios como mosteiros e escolas localizados nos pontos mais altos de Sittwe, capital do estado de Rakhine, disse, por sua vez, à agência de notícias Associated Press um líder de uma associação de beneficência.

As autoridades tinham ainda retirado mais de quatro mil residentes de Sittwe para outras cidades do estado de Rakhine.

Equipas de salvamento tiveram de resgatar na segunda-feira cerca de mil pessoas retidas pela subida da água do mar, que em alguns pontos ao longo da costa oeste de Myanmar chegou a 3,6 metros de altura.

A extensão dos dados num dos países menos desenvolvidos da Ásia não é ainda conhecida, uma vez que os ventos fortes derrubaram torres de rede móvel, deixando grande parte da área sem acesso a telecomunicações.

Vários feridos foram relatados no vizinho Bangladesh, que foi poupado ao impacto direto do Mocha.

A região de Cox's Bazar, no Bangladesh, onde se situa o maior campo de refugiados do mundo, estava no trajeto previsto para a tempestade, o que levou à retirada de centenas de milhares de pessoas.

Um funcionário do governo do Bangladesh, Enamur Rahman, disse que os danos ainda estão a ser avaliados, mas que cerca de duas mil casas foram destruídas e outras 10 mil foram danificadas na ilha de Saint Martin, na Baía de Bengala, e em Teknaf.

O Conselho de Administração da junta militar que controla Myanmar emitiu declarações de desastre para 17 municípios no estado de Rakhine.

O gabinete de informações militares de Myanmar disse que o Mocha danificou casas, transformadores elétricos, torres de rede móvel, barcos e postes de iluminação nos distritos de Sittwe, Kyaukpyu e Gwa e nas ilhas Coco, cerca de 425 quilómetros a sudoeste da maior cidade do país, Rangum.

O representante do Programa de Desenvolvimento da ONU em Myanmar disse que a chegada do Mocha coloca “dois milhões de pessoas em risco. Prevê-se que os danos e perdas sejam extensos”.

“Estamos prontos para responder e precisaremos de acesso desimpedido a todas as comunidades afetadas”, sublinhou Titon Mitra, na rede social Twitter.

A televisão estatal de Myanmar informou que a junta militar está a preparar-se para enviar alimentos, medicamentos e pessoal médico para a área atingida pela tempestade.

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