Um apartamento gelado, uma cela de tortura e anos de abusos: como Marilyn Manson terá colocado as namoradas em perigo

Redação , BCE
15 nov, 20:49
Ex-namorada acusa Marilyn Manson de abusos sexuais
Ex-namorada acusa Marilyn Manson de abusos sexuais

Antigas namoradas e assistentes do cantor revelaram detalhes das suas relações abusivas com Marilyn Manson

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Duas investigações desenvolvidas pelas revistas Rolling Stone e Los Angeles Times, publicadas este domingo, reuniram vários testemunhos de ex-namoradas e antigos colegas de trabalho do cantor Marilyn Manson que revelam episódios de violência psicológica e física e abuso sexual protagonizadas pela estrela de rock.

Durante nove meses, as duas publicações reuniram documentos judiciais e entrevistaram mais de 55 pessoas que conheceram Marilyn Manson em várias fases da sua vida, e juntaram testemunhos de antigas namoradas do cantor que dizem ser vítimas de abuso psicológico e sexual durante o período dos relacionamentos.

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Nos seus testemunhos, as mulheres - entre elas, Ashley Walters, uma antiga assistente do cantor, Ashley Morgan Smithline, a atriz Evan Rachel Wood e a modelo Sarah McNeilly, ex-namoradas do cantor - falam de uma cela solitária, à prova de som, onde ficavam enclausuradas durante horas como castigo pelas mais pequenas transgressões que cometiam perante Manson.

De acordo com as alegadas vítimas, a cela, que era toda envidraçada e que estava localizada no canto de uma sala no apartamento de Manson, em West Hollywood, era denominada pelo próprio cantor como "o quarto das meninas más".

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Ashley Walters, a antiga assistente de Manson, que recentemente abriu um processo contra a estrela de rock por agressão sexual e outras acusações, diz que o cantor gostava de contar às pessoas sobre a cela:

Ele falava dela sempre com um tom de brincadeira, gabando-se”, recorda Walters.

Aliás, a Rolling Stone recorda mesmo uma entrevista em que Marilyn Manson falou abertamente sobre a respetiva cela: “Se alguém se portar mal, posso prendê-la ali [na cela], que é à prova de som”, afirmou, numa entrevista para uma revista, em 2012.

Ashley Morgan Smithline, que está a processar o cantor por agressão sexual, entre outras acusações, conta à Rolling Stone que, durante o período em que namoraram, Marilyn Manson a forçou repetidamente a permanecer no interior da cela – que era do tamanho de um provador de uma loja de roupa – durante horas.

No início, ele fez com que parecesse algo fixe”, admitiu Smithline, acrescentando, de seguida: “Depois, ele tornou a cela como algo muito punitivo. Mesmo se eu estivesse a gritar, ninguém conseguia ouvir-me”.

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“A primeira reação é sempre lutar - e ele gostava dessa luta. Aprendi a não lutar [contra o castigo], porque era isso que ele queria. Eu simplesmente tentava ir para outro lugar na minha cabeça”, contou à revista.

De acordo com as descrições das mulheres, o interior do apartamento de Manson estava decorado com sangue, suásticas e fotos recortadas de revistas pornográficas. Os tapetes, os móveis e as decorações eram pretos, assim como as cortinas que ele usava para não deixar passar a luz do dia durante quase 24 horas por dia.

A temperatura do apartamento era sempre fria. Se alguém aumentasse a temperatura, Warner reagia com ataques de raiva e destruição de móveis, contaram as alegadas vítimas. Uma ex-namorada referiu-se ao apartamento como um “frigorífico preto". 

Foi naquele apartamento que, de acordo com os testemunhos das antigas namoradas de Manson, o cantor infligia atos repetidos de abuso mental, físico e sexual que as deixaram com crises de ansiedade, depressão e ataques de pânico e de transtorno pós-traumático.

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A atriz Esmé Bianco, conhecida pelo seu papel na série Game of Thrones, alega que Marilyn Manson costumava abusar dela verbalmente, privava-a de sono e comida, mordia-a e cortava-a, e chegou a electrocutá-la e chicoteá-la sem o seu consentimento, além de abusar sexualmente dela durante os dois anos em que estiveram juntos.

Em entrevista à Rolling Stone, a atriz lembra um episódio em que Manson a perseguiu pelo apartamento com um machado na mão, ao mesmo tempo que destruía paredes.

“Aquele foi um momento decisivo para mim”, admitiu a atriz, que abriu um processo contra Manson por agressão e tráfico sexual. Bianco diz mesmo que se sentiu “em perigo iminente de vida”, e diz não ter dúvidas de que terminar a relação foi a sua "melhor tentativa de sobrevivência”.

No último ano, mais de uma dezena de mulheres acusou Manson de abuso psicológico, físico ou sexual. Em março deste ano, a atriz Evan Rachel Wood acusou publicamente Marilyn Manson de abusos sexuais.

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