Tudo aconteceu em apenas "quatro minutos": assaltantes invadem o Louvre com motosserras, furtam nove jóias de Napoleão e fogem em scooters

19 out, 13:32

A ministra francesa da Cultura, uma das primeiras a chegar ao local, acredita que a operação foi levada a cabo por "profissionais". Uma das jóias foi encontrada no exterior do museu

A imprensa francesa descreve o assalto ao Museu do Louvre, em Paris, como “um roubo espetacular, com repercussões mundiais”. Na manhã deste domingo, pouco depois da abertura do museu ao público, vários indivíduos - o número ainda não é certo, mas a investigação preliminar aponta para entre três a quatro pessoas - furtaram nove peças da coleção de Napoleão e da Imperatriz.

De acordo com o jornal Le Parisien, quatro indivíduos estiveram envolvidos no furto, que durou poucos minutos. Dois estavam vestidos de funcionários do museu, enquanto outros dois conduziam, cada um, uma scooter TMax. Pelas 09:30 (hora local), os suspeitos, todos encapuzados, entraram no museu pelo lado do cais do rio Sena, onde estão a decorrer obras, e utilizaram um elevador de carga para aceder à Galeria Apollo, uma sala emblemática do Louvre que tem em exposição algumas das coleções históricas mais valiosas, onde decorreu o furto.

Depois de partirem as janelas com uma motossera, dois indivíduos entraram na sala e furtaram nove peças da coleção de jóias de Napoleão e da Imperatriz Eugénia, a última imperatriz francesa, incluindo um colar, um broche e uma tiara, segundo o jornal Le Parisien. O prejuízo ainda está a ser avaliado.

Tudo aconteceu em "quatro minutos", segundo a ministra francesa da Cultura, Rachida Dati, uma das primeiras a chegar ao local. A governante descreve os autores do crime como "profissionais".

Uma das jóias foi encontrada no exterior do museu, confirmou a ministra. Segundo o Le Parisien, trata-se da coroa da imperatriz, que ficou danificada.

Suspeitos entraram no museu pelo lado do cais do rio Sena, onde estão a decorrer obras, e utilizaram um elevador de carga para aceder à Galeria Apollo, onde decorreu o furto. Tudo numa questão de minutos (AP Photo/Alexander Turnbull)

Quando chegou ao local, Rachida Dati, informou, através da rede social X, que não há feridos a registar. Testemunhas relatam à imprensa que o museu, inicialmente, “não comunicou nada durante algum tempo”. “Um segurança disse-nos que havia um incidente técnico” e “pouco a pouco começou a espalhar-se a informação de que o museu provavelmente iria fechar durante o dia”, conta ao Le Parisien Grégoire, 35 anos, que estava no Louvre no momento em que tudo acontecia.

A evacuação do museu “ocorreu de forma muito calma, sem pânico, e de maneira muito, muito organizada”, acrescenta Grégoire.

Outra testemunha descreve um cenário muito diferente. “A polícia tentou entrar no Louvre pelas portas laterais de vidro, mas elas estavam trancadas e impossíveis de abrir. Lá dentro, todos corriam e batiam nas portas de vidro para sair, mas em vão”, conta Kacie, que estava do lado de fora do museu.

O museu mais visitado do mundo, que recebe mais de nove milhões de visitas por ano, teve de ser encerrado e assim vai ficar o resto do dia. O Ministério Público de Paris abriu uma investigação e encaminhou o caso para a Brigada de Repressão ao Banditismo (BRB) do Departamento de Investigação Criminal, com o apoio do Escritório Central de Combate ao Tráfico de Bens Culturais (OCBC), informou o ministro do Interior à AFP.

Antes do furto desta manhã, o último roubo registado no Louvre ocorreu em 1998, quando uma obra do pintor francês Camille Corot foi furtada em plena luz do dia e nunca mais foi encontrada, segundo o jornal Le Parisien. Mas, de acordo com o Le Monde, vários outros museus franceses têm vindo a ser alvo de furtos e assaltos, com as autoridades a levantarem possíveis falhas nos sistemas de proteção e vigilância.

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