O que o príncipe Harry quis dizer na primeira sessão em tribunal

TVI
7 jun, 10:19
Príncipe Harry depõe em tribunal (Getty Images)

Há 130 anos que nenhum elemento de uma família real prestava depoimento em tribunal

É uma longa batalha aquela que o filho mais novo de Carlos III de Inglaterra trava contra os tabloides. Esta terça-feira, em tribunal, o príncipe acusou-os de piratear as suas mensagens de voz quando era adolescente. Fê-lo sentir que “não podia confiar em ninguém”.

O caso que tem Harry a depor é aquele que leva ao banco dos réus o Mirror Group Newspapers (MGN). O príncipe disse em tribunal que tem “experienciado hostilidade por parte da imprensa” desde que nasceu. E, admitiu, o sentimento é mútuo.

Do outro lado, o advogado do MGN garantiu que as queixas, embora compreensíveis, eram incertas. Andrew Green KC, o causídico, foi crescendo em acutilância à medida que a sessão decorria. O duque de Sussex, primeiro nervoso, foi ganhando confiança, relata a BBC

O advogado, conhecido por ser implacável, quis saber detalhes das histórias relatadas pelo príncipe. A sua defesa assentava em dois aspetos: o facto de serem história de interesse público ou, por outro lado, histórias que outros jornais tinham escrito.

Harry, pelo seu lado, garantiu suspeitar que estas estavam ligadas a pagamentos a detetives privados. As respostas saíram-lhe breves, quase sempre. O depoimento fala de toda a imprensa tablóide, mas este processo diz respeito ao Daily Mirror, Sunday Mirror e à revista The People - ao todo, 33 artigos. 

Não está sozinho. O processo contra o grupo de media inclui Michael Turner (conhecido como Michael Le Vell), Nikki Sanderson e Fiona Wightman. Consideram que foram usados meios ilegais para obter informação e consideram que os executivos da empresa tinham de saber do que se passava e não puseram cobro à situação. A MGN nega.

O príncipe acusa a imprensa tablóide de criar narrativas para cada membro da família real, criando “uma versão alternativa e distorcida de mim”. “Depois empurram-te para esse papel ou papéis, aquele que mais jornais vender, especialmente se formos o substituto do herdeiro”, afirmou em comunicado. 

Harry acredita que foi assim que se cunharam expressões como “príncipe playboy”, “falhanço”, “desistente”, “impostor”, “bêbado menor de idade” ou “drogado irresponsável”.

Um outro detalhe revelando em tribunal tem que ver com a relação com o irmão, William. Harry considera que escrever-se que um antigo mordomo, a quem terá chamado de "merdoso de duas caras", "só planta desconfiança entre irmãos".

Queixou-se da intromissão na correspondência da mãe, que morreu em 1997, e de como isso o fez sentir-se doente, de a imprensa tentou estragar as suas relações, um “objetivo retorcido” que persiste até hoje, declarou. Lamentou que a imprensa se proteja, responsabilizou-os por alguns comentários (trolls) na Internet. Acusou os jornalistas de tentarem obter informação sobre a ex-namorada Chelsy Davis de forma ilegal.

O resultado, relatou, foi sentir-se "fisicamente doente". “Sentia que não podia confiar em ninguém, o que é algo terrível para se sentir tão jovem”, declarou. E diz que se surpreendia quando os tabloides tinham conhecimento dos seus encontros com duas namoradas. 

De fato preto, o duque de Sussex chegou ao tribunal mostrando-se confiante, diz a imprensa. Concedeu apenas uns segundos para que pudessem ser captadas imagens - as primeiras de um membro da família real em 130 anos (a última vez tinha sido Eduardo VII, em 1891) que se prepara para depor em tribunal.

Antes do julgamento, diz o The Guardian, foi debatido como o filho do rei seria tratado. Acordaram que numa primeira ocasião seria “alteza”, depois “príncipe Harry” - a fórmula da sua preferência. 

É a segunda vez num curto espaço de tempo que Harry regressa a Londres, depois da coroação do pai, a 6 de maio, oriundo dos EUA, onde agora vive com Meghan e os dois filhos, Archie e Lilibeth. 

Esta quarta-feira volta ao tribunal.

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