Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA admite relâmpagos em Charlotte a partir das 14h00 de sábado (Benfica-Chelsea é às 16h00). Raios são a causa de cerca de 30 mortes por ano no país, mas há registo de centenas de pessoas atingidas. Flórida é o estado mais afetado
Cinco dos 48 jogos da fase de grupos do Mundial de Clubes tiveram início adiado ou foram interrompidos por causa da queda relâmpagos nas imediações dos recintos.
Isso, a juntar à onda de calor que tem afetado algumas regiões dos Estados Unidos, com algumas partidas a serem jogadas debaixo de temperaturas próximas ou até acima dos 40º, marcou a primeira semana e meia da prova, cuja fase de grupos terminou nesta quinta-feira.
O Ulsan-Mamelodi Sundowns, na 1.ª jornada, foi o primeiro jogo, que teve o início adiado em cerca de uma hora. A esse jogo seguiu-se o Pachuca-Salzburgo, interrompido nos minutos iniciais da segunda parte e com paragem de uma hora e meia. Depois, o Palmeiras-Al Ahly, com paragem de 40 minutos iniciada por antes da hora de jogo e o Benfica-Auckland City (120 minutos). Tudo isto em dias consecutivos, de 17 a 20 de junho.
Por fim, o duelo entre Boca Juniors e Auckland (24), iniciado à mesma hora do Benfica-Bayern e reatado quando o outro jogo do grupo já tinha terminado e a equipa argentina já sabia que, fizesse o que fizesse, estava eliminada do Mundial.
Os avisos de calor extremo para as horas de vários jogos não alteraram a programação de jogos – é imposta uma pausa para hidratação em cada uma das partes - mas as chamadas tempestades elétricas forçaram mesmo a adiamentos ou paragens.
O protocolo a seguir
A FIFA aplicou no torneio o protocolo recomendado pelo Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, que recomenda que todas as atividades ao ar livre sejam interrompidas caso haja relâmpagos a uma distância inferior a 10 milhas (16,09 quilómetros). A fórmula básica para calcular a distância para o local da queda de um raio é contar os segundos entre o relâmpago e a trovoada: 3 segundos é um quilómetro, 5 segundos equivale a uma milha.
No caso do Mundial de Clubes, todos os jogos são interrompidos se for registada a queda de um relâmpago num raio de 8 milhas do estádio (12,87 km). A partir desse momento, são cronometrados 30 minutos. Se durante esses 30 minutos não houver registo de qualquer relâmpago na distância referida, o jogo pode ser retomado. Se houver, contam-se mais 30 minutos a partir do momento da nova ocorrência. Foi o que aconteceu no Benfica-Auckland City e não só.
Durante o período de risco, equipas, adeptos e restantes membros da organização de jogo têm de deixar as zonas ao ar livre e procurar abrigo nas áreas interiores dos estádios: balneários, corredores, zonas de acesso às bancadas, etc.
Flórida é o Estado mais afetado
Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, são registadas por ano cerca de 30 mortes devido à queda de relâmpagos e centenas de pessoas são atingidas, podendo nalguns casos, ficar com graves lesões neurológicas irreversíveis. Duas em cada três mortes reportam-se a pessoas que estavam a praticar atividades recreativas ao ar livre e 75 por cento ocorre precisamente nesta altura do ano: entre junho e agosto.
A Flórida é o estado que regista mais fatalidades: 50 óbitos nos últimos dez anos, mais do dobro do segundo estado (o Texas com 20). Dois dos cinco jogos afetados realizaram-se precisamente na Flórida: o Benfica-Auckland City e o Ulsan-Mamelodi Sudnowns, ambos em Orlando e no Inter & Co Stadium. A Carolina do Norte, onde as águias defrontaram o Bayern Munique e voltam a jogar no sábado com o Chelsea, ocupa o 4.º lugar do ranking, com 11.
Para este sábado em Charlotte, o Serviço Nacional de Meteorologia prevê aguaceiros e queda de relâmpagos a partir das 14h00 locais (19h00 em Portugal continental). O Benfica-Chelsea tem apito inicial previsto para as 16h00.
