Irreverente Manzambi quebrou a neutralidade
Suíça versus Canadá. Um duelo de seleções que representam países tidos como pacíficos, neutrais, diversos. Houve um verdadeiro espírito de festa nas bancadas do BC Place, em Vancouver, com um estádio pintado de vermelho de uma ponta à outra.
As duas seleções com mais argumentos do Grupo B do Mundial travaram um duelo intenso em que cada metro era disputado. Apesar de distantes no mapa, apresentaram ideias de jogo muito próximas, inspiradas no tradicional gegenpressing da Europa Central.
A seleção de Jesse Marsch, antigo treinador do Salzburgo, voltou a surpreender apesar da percecionada menor valia dos seus jogadores. Frente a uma Suíça que participa no sexto Mundial seguido, o resultado esteve em discussão até ao final. Mas a irreverência de Johan Manzambi, do alto dos seus 20 anos, quebrou a neutralidade deste duelo.
Estrela em ascensão correspondeu à titularidade
Johan Manzambi, jovem estrela do Friburgo, convenceu Murat Yakin após um brilharete na segunda jornada e saltou para o onze inicial, atrás do ponta-de-lança Breel Embolo. Uma aposta que se revelou certeira.
Numa primeira parte muito amarrada e feita de duelos, a melhor chance pertenceu aos suíços, com Embolo a finalizar forte na cara de Crepeau, mas a permitir a defesa do guardião canadiano. Na ressaca, Manzambi acertou num adversário. O Canadá sofria para criar chances, com o avançado Cyle Larin a demonstrar que os seus melhores anos já passaram.
A aposta de Yakin demorou, mas efetivou-se na segunda parte. Aos 48m, Manzambi atacou as costas da defensiva e cruzou para Ruben Vargas que, ao segundo poste, recebeu e estoirou para dentro da baliza, com a bola ainda a beijar o poste. 1-0.
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Mas o jovem de 20 anos não estava satisfeito. Aos 57 minutos, foi o próprio Manzambi que celebrou golo. Embolo recebeu na frente, esperou pelo apoio e libertou para Manzambi, que estoirou. Crépeau não lidou bem com o remate e a bola entrou caprichosamente para dentro, soltando o festejo do jovem com dupla nacionalidade suíça e congolesa.
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Seguiram-se uma série de alterações promovidas pelas duas equipas (Stephen Eustáquio, ex-jogador do FC Porto, entrou aos 60m) e o jogo ficou algo partido. Mas a melhor alteração foi mesmo Promise David – respeitando o nome próprio, cumpriu a aposta de Marsch logo no primeiro minuto em campo. O Canadá surpreendeu com uma jogada rápida e David esticou-se todo para desviar um cruzamento de Saliba para dentro da baliza. Jogo relançado.
A Suíça passou calafrios nos descontos, com Gregor Kobel a segurar a vitória com as duas mãos em várias ocasiões. Os lançamentos longos dos canadianos lançavam o pânico.
Os helvéticos confirmaram o primeiro lugar no Grupo B, com sete pontos, seguidos do Canadá com quatro pontos, os mesmos da Bósnia-Herzegovina, que perde no confronto direto. Qatar não foi além de um.
A Figura: Johan Manzambi
Tem aspeto de craque. Joga de forma entusiasmante e tem impacto real no jogo – o que o pode levar a cimentar um lugar no onze da Suíça. Aos 20 anos, marcou e assistiu diante do Canadá, mostrando-se solto e dinâmico no ataque, na função de segundo avançado. Não esteve para diplomacias e leva já três golos neste torneio.
O Momento: golo de Vargas, 46m
Após uma primeira parte amarrada, em que as duas equipas pareciam espelhar-se, o golo de Ruben Vargas a abrir a segunda metade veio acicatar o duelo. Manzambi descobriu o espaço nas costas da defesa, cruzou, e o extremo do Sevilha atirou com força lá para dentro. Grande golo.
