Portugal-Nigéria, 4-0 (crónica)

Nuno Travassos , Estádio José Alvalade, Lisboa
17 nov, 20:56

Gás nigeriano para a mobilidade portuguesa: rumo ao Qatar

A Nigéria deu gás a Portugal para a viagem rumo ao Qatar. Não se tratou de nenhuma negociação ao abrigo do acordo energético com o país africano, foi o reflexo da exibição da Seleção, que conseguiu uma goleada no ensaio-geral para o Mundial.

Um teste a pensar sobretudo no jogo inaugural, com o Gana, no qual a equipa das quinas deixou indicadores positivos, tendo em conta o contexto muito próprio. Valeu sobretudo a mobilidade que as peças lusas mostraram, sobretudo na primeira parte. A versatilidade que multiplica as opções do selecionador e que permite que Portugal possa complicar a vida a qualquer adversário, sempre que quiser fugir ao jogo do encaixe.

O ‘onze’ de Fernando Santos seria sempre de interpretação relativa, até pela ausência do capitão Cristiano Ronaldo, mas houve duas notas a destacar entre as escolhas iniciais do selecionador. Desde logo a inclusão de António Silva: era expectável que fizesse a estreia, até para tirar essa carga antes do Mundial, e acabou por iniciar logo o jogo, ao lado de Ruben Dias.

A outra nota de entrada, mais surpreendente até, foi a colocação de William Carvalho a ‘6’. Não por desconhecer a posição, naturalmente, mas porque não a tem feito. Nem no Betis, nem na Seleção. Verdade seja dita, nunca ficou muito ‘amarrado’ a essa posição, com Otávio e Bernardo Silva por perto. O jogador do FC Porto aparecia mais como segundo médio, o criativo do Man City um pouco mais ‘10’.

Mobilidade e versatilidade, no fundo. Dois conceitos que esta Seleção oferece, indiscutivelmente, e que podem fazer a diferença no Qatar. O luxo de ter jogadores que, facilmente, assumem mais do que um papel dentro do mesmo jogo.

Mesmo encostado à direita, Bruno Fernandes não deixou de estar no centro do jogo. Ocasionalmente até trocou com Bernardo Silva, mas a ala não lhe tirou protagonismo, e por isso marcou dois golos. No primeiro assistido por Dalot, que beneficiou de uma excelente abertura de João Félix (9m). E depois na ‘dança’ de um penálti que deixou o guarda-redes nigeriano todo trocado (35m).

Ao intervalo foram quatro as alterações de Fernando Santos. Aproveitou o selecionador para dar minutos a Pepe, regressado de lesão, que foi colocar-se ao lado de António Silva, 20 anos mais novo.

Raphael Guerreiro rendeu Nuno Mendes, dentro da gestão habitual, enquanto que o descanso de Bernardo Silva e Bruno Fernandes promoveu a entrada de Vitinha e João Mário.

Por efeito das trocas, ou porventura da margem no marcador, Portugal não entrou bem na segunda parte. Manteve a posse mas perdeu velocidade. E mobilidade, lá está. Valeu Rui Patrício, em duas ocasiões, a impedir que a Nigéria reentrasse no jogo. Negou o golo a Chukwueze, que apareceu isolado depois de ter provocado o único deslize do jogo a António Silva (71m), e depois ainda defendeu o penálti de Dennis (81m).

Depois de largos minutos a viver do inconformismo de João Félix, a trabalhar para merecer um golo, Portugal acordou com o penálti. E aí bastaram dois momentos de criatividade coletiva para transformar o susto em goleada.

A viver uma relação sólida com os golos, o estreante Gonçalo Ramos, que tinha sido lançado ao minuto 66, assinou o 3-0 ao minuto 82, servido de bandeja por Raphael Guerreiro. João Mário fechou as contas logo no minuto seguinte, após excelente combinação entre Guerreiro, João Félix e Gonçalo Ramos.

Portugal parte para o Qatar de barriga cheia. Agora é recuperar a mobilidade para entrar bem no Mundial.

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