Há um país que não vai mandar políticos ao Catar porque tem dificuldades orçamentais. Outros não vão devido aos direitos humanos. Eis o que cada um dos 32 vai fazer

23 nov, 09:00
Bancada do Khalifa International Stadium, em Doha, durante o Inglaterra - Irão (Imagem AP)

A ida de Marcelo ao Catar causou polémica, não só por o Presidente ter feito declarações polémicas sobre o evento que espoletaram acusações de que estaria a desvalorizar a violação dos direitos humanos naquele país mas também porque BE, Livre, Pan e IL votaram contra a ida do chefe do Estado. Fomos ver o que cada um dos 32 países representados decidiu fazer

Alemanha. A ministra do Interior, Nancy Faeser, vai viajar para o Catar para o primeiro jogo da seleção alemã, contra o Japão. A deslocação é justificada com a vontade de “apoiar a equipa alemã” e de continuar o diálogo com as autoridades do Catar “para melhor a situação dos direitos humanos”. Não é descartado que o chanceler Olaf Scholz se desloque ao país caso a Alemanha chegue à final.

Arábia Saudita. O príncipe Mohammed bin Salman Al Saud fez questão de estar no Catar para a cerimónia de abertura do Mundial, ocupando um lugar bem próximo do presidente da FIFA. Foi convidado pelo homólogo catari. Um dos seus objetivos é afirmar a Arábia Saudita como potência desportiva. Começou bem contra a Argentina.

Argentina. A ordem do presidente Alberto Fernández é clara: nenhum funcionário do seu gabinete deve viajar para o Catar para assistir ao Mundial. Uma posição que surge justificada pela necessidade de conter custos, numa altura em que o país enfrenta uma grave crise. Vários ministros têm confirmado que não o farão.

Austrália. A ministra do Desporto australiana, Anika Wells, viajou para Doha para marcar presença na cerimónia de abertura do Mundial, em representação do primeiro-ministro. A Austrália foi um dos primeiros países de onde partiram apelos para mudanças no campo dos direitos humanas no Catar.

Bélgica. Na primeira fase do campeonato, a Bélgica enviou a ministra dos Negócios Estrangeiros, Hadja Lahbib. A governante justifica a visita como parte de uma “ofensiva” para promover a discussão sobre a defesa dos direitos humanos no Catar. Mas a Bélgica está empenhada numa presença contida no Mundial: se a seleção chegar às semi-finais, devem seguir o primeiro-ministro Alexander De Croo e o rei Filipe - apenas para assistir aos jogos. Mas a decisão ainda não está fechada.

Brasil. Nem Jair Bolsonaro nem Lula da Silva marcaram presença na abertura. E não existem, na imprensa brasileira, relatos a confirmar que algum venha a estar presente na competição. Há um ano, Bolsonaro esteve no Catar. Já Lula da Silva, no sábado passado, disse que já não era hora de julgar a escolha do Catar como anfitrião.

Camarões. O presidente dos Camarões escreveu recentemente uma carta de incentivo à seleção nacional a participar no Mundial do Catar. Mas não está confirmada a sua presença no certame. Nem a do primeiro-ministro, Joseph Dion Ngute.

Canadá. Se no final de outubro o plano ainda não estava fechado, o Canadá acabou por decidir esta semana enviar o ministro do Desenvolvimento Internacional, Harjit Sajjan, ao Catar. Além do apoio à seleção, que volta a disputar um Mundial após 36 anos, está previsto um encontro com representantes dos Estados Unidos e do México dedicado ao desporto (estes três países têm a organização conjunta do Mundial de 2026); bem como reuniões com as autoridades do Catar. O Canadá insiste que as questões dos direitos humanos vão fazer parte da agenda.

Catar. O Catar, naturalmente, como anfitrião, estará representado pelas mais altas esferas. Na cerimónia de abertura, o emir Tamim Bin Hamad Al Thani focou-se na importância da diversidade, de forma a tentar contrariar as críticas de que o país tem sido alvo.

Coreia do Sul. Não há, para já, indicação de que o presidente ou o primeiro-ministro da Coreia do Sul venham a estar sentados nas bancadas do Mundial no Catar. Contudo, as relações entre os dois Estados são sólidas. Em agosto, o presidente coreano, Yoon Suk Yeol, após um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Catar, definia o anfitrião do Mundial como um “importante parceiro para a segurança económica” da Coreia do Sul e mostrava-se “entusiasmado” com o campeonato de futebol.

Costa Rica. O país faz-se representar pela vice-presidente e ministra do Desporto, Mary Munive. Foi a escolha do presidente Rodrigo Chaves, que foi convidado pelas autoridades catari. O apoio aos atletas, bem como a cooperação internacional, são apontados como motivos para a deslocação. Munive é acompanhada do marido, que cobrirá as próprias despesas.

Croácia. Não há indicação de que o primeiro-ministro, Andrej Plenkovic, se desloque ao Catar para assistir ao Mundial. Neste mês esteve reunido com o embaixador do Catar no país mas, nas comunicações oficiais, não surge qualquer referência ao campeonato. Ainda assim, o espírito futebolístico vai ser alimentado: a Croácia vai deixar os alunos assistirem nas escolas aos jogos da sua seleção.

Dinamarca. Nem ministros, nem diplomatas, nem a família real. A equipa da Dinamarca vai jogar no Catar sem qualquer representante nas bancadas. Isto porque o país se diz focado em formar um novo governo após as eleições. Frederico, príncipe herdeiro da Dinamarca, já veio dizer que o apoio será dado a partir de casa. A seleção dinamarquesa foi proibida pela FIFA de usar camisolas com uma mensagem a promover os direitos humanos.

Equador. O presidente do Equador, Guillermo Lasso, optou por não estar presente no jogo de abertura do Mundial, que opunha o Catar ao Equador. O chefe do Estado justificou a ausência com a necessidade de dar “prioridade” à situação interna do país, devido a uma agitação crescente. Fez-se representar pelo vice-presidente, Alfredo Borrero.

Espanha. O rei de Espanha, Filipe VI, já decidiu que vai ao Catar, o que lhe está a valer fortes críticas internas por parte dos partidos da esquerda. A defesa do monarca chegou pela voz da ministra Isabel Rodríguez, que considerou a deslocação como algo “muito correto”, já que esse é o “sentimento da imensa maioria dos espanhóis”. Já o primeiro-ministro, Pedro Sanchéz, só deve fazer o mesmo percurso se a seleção espanhola chegar à final.

Estados Unidos da América. Antes do jogo de estreia, o presidente Joe Biden ligou à equipa com uma mensagem de incentivo. Mas não deve marcar presença fisicamente no Catar. Os EUA fazem-se representar pelo secretário de Estado Anthony Blinken, com vários encontros diplomáticos na agenda.

França. Antes do arranque do Mundial, o Presidente, Emmanuel Macron, veio defender que o tempo para as críticas já tinha passado e que o “desporto não devia ser politizado”. Na cerimónia de abertura, a representar França, esteve o ministro do Interior, Gérald Darmanin. Macron só se desloca ao país, segundo a imprensa francesa, se a seleção chegar às semi-finais ou mesmo à final.

Gana. Têm-se multiplicado os apelos para os apoios à seleção do Gana no mundial e o presidente do país até chegou a admitir levar apoiantes até ao Catar. Contudo, já em novembro, o ministro da Juventude e Desportos confirmava que o governo não vai financiar essas viagens, dado o frágil contexto económico. Pelos registos na imprensa, não se percebe se representantes políticos vão até ao Catar.

Inglaterra. A escolha recaiu sobre o secretário dos Negócios Estrangeiros, James Cleverly, para a representação britânica no Catar, com o argumento de garantir que os adeptos britânicos estariam seguros durante o campeonato. Mas o governante tem sido alvo de críticas após ter ditos aos adeptos gay que não protestem e cumpram as leis do Catar.

Irão. O ministro do Desporto e Juventude do Irão, Hamid Sajjadi, marcou presença na cerimónia de abertura do Mundial do Catar, acompanhando a seleção treinada pelo português Carlos Queiroz. Nos estádios têm-se multiplicado os protestos pela repressão no Irão.

Japão. O Japão escolheu a princesa Hisako como representante do país no campeonato do Qatar, sendo ela a patrona da Associação Japonesa de Futebol. Não há indicação de que venha a ser acompanhada de outros políticos, como ministros.

Marrocos. Marrocos e Catar colaboraram na segurança deste Mundial mas, por agora, não há indicação de que altos representantes marroquinos se dirijam até Doha. Já o embaixador marroquino em Doha elogiou a arquitectura dos estádios por promoverem o mundo árabe.

México. No arranque do Mundial, o México fez-se representar pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Marcelo Ebrard, que inaugurou o Centro México no Catar. O presidente do país, Andrés Obrador, também foi convidado. Mas não se sabe ainda se vai viajar até ao Catar.

País de Gales. O primeiro-ministro, Mark Drakeford, viajou até Doha a propósito do Mundial e tem, de viva voz, defendido a sua opção. O galês argumenta que os seus concidadãos querem o líder do país a marcar presença no Catar, apesar das polémicas que têm marcado esta organização. O político disse mesmo que seria errado deixar vazios lugares destinados a representantes do País de Gales.

Países Baixos. O país preparou uma delegação para ir até ao Mundial do Catar. O primeiro-ministro, Mark Rutte, tem defendido a importância de deslocação, argumentando com a segurança energética ou o apoio dado pelo Catar na retirada de cidadãos holandeses do Afeganistão. Não é certo ainda que Mark Rutte faça essa deslocação, mas terá ministros em sua representação. Já o rei Willem-Alexander também não levantou o véu sobre uma possível viagem até Doha.

Polónia. O primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, já veio desejar que o Mundial decorra num clima de paz. Mas não há indicação de que ele ou outro ministro seu se desloque até ao Catar, numa altura em que a queda de um míssil na Polónia fez subir o nível de alerta no país.

Portugal. O Parlamento já deu luz verde para a deslocação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, até ao Catar. Por Portugal está também prevista a presença do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, e do primeiro-ministro, António Costa. Apesar das críticas internas, insiste-se que está em causa somente o apoio à seleção.

Senegal. O presidente do Senegal, Macky Sall, decidiu representar o país na cerimónia de abertura do Mundial, fazendo-se acompanhar de uma comitiva.

Sérvia. Não há notícia de que o presidente ou a primeira-ministra da Sérvia vão estar presentes no Catar para este campeonato. O apoio passa pelos altos diplomatas presentes no país, nomeadamente Slobodan Radeka.

Suíça. O ministro das Finanças, Ueli Maurer, vai viajar para o Catar para assistir ao jogo entre o Brasil e a Suíça. Na agenda estão também previstos encontros com altos representantes catari. Por sua vez, a ministra do Desporto, Viola Amherd, já descartou uma viagem ao Catar.

Tunísia. No final de outubro, a FIFA enviou uma carta à Federação Tunisina de Futebol avisando que o país podia ser excluído do Mundial caso se verificasse uma interferência do Governo no futebol do país. Até ao momento, não há registo de qualquer presença política tunisina no Catar.

Uruguai. Não há ainda indicação de que o presidente do Uruguai se dirija a Doha para assistir a um jogo da seleção. Os contactos institucionais com o regime catari têm passado pelo embaixador uruguaio no país.

 

Outras posições de destaque

As pressões para boicotes ao Mundial do Catar atravessam fronteiras. Mas há quem marque presença à mesma: é o caso de António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, que chegou ao Catar na véspera do arranque da competição.

Já a presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho da União Europeia, Charles Michel, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, já confirmaram que não vão marcar presença no Catar.

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