Mundial de Clubes: Benfica-Chelsea, 1-4 (crónica)

David Marques , Enviado-especial aos Estados Unidos
29 jun 2025, 02:02

A verdadeira tempestade chegou depois dos relâmpagos

Depois de ter contrariado a história diante do Bayern Munique, o Benfica tinha dolorosas contas a ajustar com o Chelsea. Por aqueles quartos de final da Champions há 13 anos e, sobretudo, pela final da Liga Europa dramaticamente perdida há 12.

Bruno Lage havia projetado um jogo de 50/50 e Enzo Maresca, técnico dos londrinos, também. Perspetivava-se, por isso, um Benfica-Chelsea marcado pelo equilíbrio, onde as duas equipas lutassem por cada metro de território e atacassem a baliza contrária com o mesmo vigor.

Mas, na prática, viu-se muito mais uma equipa do que outra na tarde deste sábado em Charlotte. O Chelsea foi aquilo que se esperava dele, sobretudo pela dimensão financeira; o Benfica foi muito menos do que a dimensão do clube, tantas vezes lembrada pelo seu treinador, o obriga a ser.

Na primeira parte, os encarnados não tiveram mais do que uma ação perigosa de Pavlidis depois de uma recuperação do grego. O resto foi ameaça permanente à baliza de Trubin, com o guarda-redes ucraniano e António Silva acima de todos os outros.

Ao Benfica faltava muito. Capacidade para sair da pressão alta montada pelo adversário, para manter a bola por mais do que meros segundos, organização no momento defensivo e a agressividade reclamada pelo técnico e que fez com que quase todas as segundas bolas fossem ganhas por homens de azul. Faltava ainda apoio a Aursnes, tantas vezes sozinho perante Cole Palmer e Cucurella, mas faltava também que jogadores como Kökcü, o homem mais criterioso com bola do meio-campo encarnado, aparecesse no jogo.

A primeira parte, de sentido único, terminou com uma boa notícia para o conjunto de Bruno Lage: um empate sem golos que poderia permitir corrigir e melhorar muitos aspetos.

Lage, que fez duas alterações na equipa – Florentino e Kökcü regressaram ao meio-campo para os lugares de Renato Sanches (poupado e de fora da ficha de jogo) e de Prestianni – e deixou Carreras no banco, mudou. Lançou Aktürkglu no início da segunda parte para o lugar de Schjelderup.

E a segunda parte, ainda que com o Chelsea menos ameaçador e as referências de marcação aparentemente mais acertadas, continuou a ser de sentido único, pelo meio apenas com um momento aparentemente acidental em que Aursnes quase marcou num cruzamento direto.

Curiosamente, foi de forma semelhante que o Chelsea chegou à vantagem. Num livre lateral, Reece James bateu direto e enganou Trubin, posicionado para abordar um cruzamento.

O cronómetro marcava 64 minutos. Havia tempo suficiente para mudar a história do jogo, mas, para isso, o Benfica teria de ser mais do que a meia-equipa que fora até aí. E conseguiu sê-lo, mesmo antes das entradas de Prestianni (que oportunidade flagrante aos 78 minutos!) e de Belotti, com Otamendi solto de marcação numa bola parada e Pavlidis a definir mal em mais uma ação individual na área do Chelsea.

A interrupção do jogo aos 86 minutos pela queda de relâmpagos nas imediações do estádio parecia adiar por mais duas horas um desfecho aparentemente anunciado, a julgar pela profunda desinspiração coletiva só interrompida por raios e lampejos de futebol.

Mas o Benfica regressou mais convicto, focado e disposto a agarrar aquela espécie de segunda oportunidade. E como do céu caíram relâmpagos, do céu caiu também um penálti, por mão de Malo Gusto. E Di María, tão habituado a momentos como este, agarrou a oportunidade na última dança com cores encarnadas.

Não seria, no entanto, a tarde do Benfica. Prestianni, com dois amarelos vistos de forma quase sucessiva, foi expulso no início do prolongamento e dificultou ainda mais a missão das águias, que resistiram até àquela perda de bola de Leandro Barreiro a meio-campo que terminou com Nkunku a finalizar para a baliza de Trubin, que podia ter feito melhor nessa jogada.

Foi aí, com a noite já a cair sobre Charlotte, o fim da história do Benfica neste Mundial, embora o jogo ainda tivesse mais dois golos, na conclusão da tempestade que foi a segunda parte do prolongamento dos encarndos: um de Neto e outro de Dewsbury-Hall para um 4-1 final que, no fundo, espelha a superioridade do Chelsea, mas castiga também um adversário que lutou até ao limite das suas forças.

Aí já só lhe restava coração.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Benfica

Mais Benfica