Caíram que nem uns patinhos
Um guião para um final de filme de sonho, transformou-se num verdadeiro pesadelo em Dublin. Portugal foi para o jogo como se fosse para uma festa, para cumprir apenas uma formalidade e caiu com estrondo na armadilha montada pelos irlandeses. Portugal precisava apenas de um empate, para marcar viagem para o Estados Unidos, mas chegou ao intervalo a perder por 2-0 e, já na segunda parte, Cristiano Ronaldo foi expulso e vai falhar o último jogo com a Arménia.
Roberto Martinez mudou meia equipa em relação ao empate com a Hungria, com duas mudanças forçadas, face à lesão de Nuno Mendes e ao castigo de Bruno Fernandes, lançando Diogo Dalot para a defesa do flanco esquerdo e juntando João Félix a Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo no ataque. Ao primeiro apito do árbitro, com um ambiente espetacular nas bancadas, Portugal assumiu o comando do jogo, desde logo, com uma elevada posse de bola, com a Irlanda a recuar de imediato, para defender com um bloco baixo.
Estava em construção uma armadilha que Portugal acabou por cair que nem um patinho, ou melhor, que nem um papagaio [Parrott], o nome do irlandês, goleador do AZ Alkmaar [13 golos em 14 jogos], que adiou as ambições de Portugal.
Mas vamos por partes. Portugal aproveitou o espaço cedido e subiu em bloco para o meio-campo irlandês, montando um cerco à área de Kelleher, mas sem mais espaços para acelerar o jogo ou provocar desequilíbrios. Com toda a equipa em redor da área irlandesa, Portugal limitava-se a rodar a bola de um flanco ao outro, sem conseguir penetrar. A Irlanda, por seu lado, depois de encontrar o equilíbrio defensivo, começou a procurar sair, com pontapés longos de Kelleher, a explorar a velocidade de Azaz, Parrott e Ogbene.
Uma tentativa, uma segunda anulada por Vitinha e, à terceira, aos 18 minutos, a Irlanda chegou ao golo. Um lance que começa num erro tremendo de Diogo Costa que hesita, atrapalha-se face à pressão de Parrott e acaba por ceder canto. Na sequência do canto, Scales amortece de cabeça e Parrott abriu o marcador. Começava a ganhar forma o pesadelo de Portugal.
Troy Parrot dá vantagem aos irlandeses 😬#sporttvportugal #QUALIFIERSnaSPORTTV #QualificaçãoMundial #Irlanda #Portugal pic.twitter.com/U7vJBtsnWW
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Portugal perdeu o norte a seguir ao golo e demorou a voltar a assumir o controlo, para depois voltar a sentir as mesmas dificuldades. Não havia espaços, nem capacidade para provocar desequilíbrios. Um remate de longe de João Neves dava bem conta disso e, na sequência de mais uma bola longa, Ogbene fugiu a Rúben Dias e rematou ao poste.
Portugal procurou voltar a força, já perto do intervalo, mas acabou por consentir novo golo, num lance que parecia inofensivo, com Taylor, sobre a linha do meio-campo, a picar a bola para a área onde surgiu novamente Parrott e manobrar a bola e a rematar seco para o primeiro poste. A Irlanda dobrava a vantagem e dobrava também a missão de Portugal.
Parrot bisa em cima do intervalo 🫨#sporttvportugal #QUALIFIERSnaSPORTTV #QualificaçãoMundial #Irlanda #Portugal pic.twitter.com/bbZ2X7JbXs
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O que faltava acontecer? Ronaldo expulso
Roberto Martinez, convencido que se tratava apenas de um problema defensivo, remodelou a defesa para a segunda parte, abdicando de Inácio e Cancelo, para lançar Renato Veiga e Nélson Semedo. Pouco ou nada mudou, pelo contrário, tudo ficou ainda mais complicado.
Portugal entrou na segunda parte, com um jogo mais direito, com mais cruzamentos para o interior da área, que os irlandeses, com mais ou menos dificuldades, iam resolvendo, até que, em mais uma dessas bolas, Cristiano Ronaldo atingiu O’Shea com uma cotovelada. Uma agressão clara, inicialmente punida com um amarelo, que passou a vermelho depois do árbitro rever as imagens do lance. Cristiano Ronaldo, antes de sair, procurou ainda tirar satisfações, junto do selecionador irlandês, considerando que foi pelas suas palavras que o árbitro foi rever o lance.
CR7 é expulso em Dublin 😥#sporttvportugal #QUALIFIERSnaSPORTTV #QualificaçãoMundial #Irlanda #Portugal pic.twitter.com/P6SFllO5ia
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Portugal continuava a perder por 2-0 e, agora, estava reduzido a dez. Um pesadelo que continuava a crescer a olhos vistos em Dublin, uma vez que Portugal continuava a sem qualquer capacidade para visar a baliza de Kelleher.
Só depois da expulsão de Ronaldo é que Martinez decidiu mexer no ataque, lançando, numa primeira fase, Rafael Leão e Francisco Trincão, para mais tarde, juntar também Gonçalo Ramos. Mudavam as peças, mas mantinha-se o guião, com a Irlanda a defender bem, com um bloco muito coeso, e sempre a ameaçar um terceiro golo. Parrott já tinha saído, mas Ogbene esteve muito perto de marcar e Azaz também teve uma boa oportunidade.
Do lado de Portugal, muita bola, mas poucas oportunidades. Francisco Trincão e Gonçalo ramos ainda abanaram com o jogo, mas nada feito, hoje não era mesmo dia de Portugal.
A festa fica adiada, até domingo, mas não fica comprometida. Portugal continua a precisar apenas de pontuar, no Estádio do Dragão, frente à Arménia, para garantir a presença na nona fase final de um Campeonato do Mundo.