O fim "cruel" de Cristiano Ronaldo e o agradecimento "infinito" a Bernardo Silva: como se viu a eliminação de Portugal lá fora

6 jul, 23:37
Portugal eliminado (AP Photos)
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Esta segunda-feira as manchetes internacionais encheram-se de imagens de um Cristiano Ronaldo em lágrimas, de um Mikel Merino transformado em herói improvável de Espanha e de um Portugal eliminado pela margem mínima, depois de um jogo em que esteve sempre à altura do desafio, mas acabou castigado pela eficácia espanhola quando o prolongamento parecia já inevitável

As lágrimas de Cristiano Ronaldo deram a volta ao mundo, mas não foram a única imagem que marcou a reação da imprensa internacional à eliminação de Portugal frente à Espanha, nos oitavos de final do Mundial de 2026. De Londres a Paris, passando por Madrid e Barcelona, os jornais destacam uma seleção portuguesa que discutiu o jogo até ao fim, elogiam a exibição de Nuno Mendes e concluem que a diferença esteve num único momento de desconcentração, aproveitado por Mikel Merino já no tempo de compensação. 

Nos Estados Unidos, o The Athletic escolhe como imagem da noite a despedida de Cristiano Ronaldo dos Campeonatos do Mundo. "A carreira de Cristiano Ronaldo nos Mundiais termina em lágrimas", escreve o jornal, que considera que, aos 41 anos, o capitão português viveu "um adeus discreto" ao maior palco do futebol.

Os americanos lembram que Ronaldo entrou neste Mundial como o primeiro jogador da história a marcar em seis edições diferentes da competição, mas considera que, frente à Espanha, teve "pouca influência" no jogo e viu o sonho de conquistar o único grande troféu que lhe falta terminar de forma "cruel".

Ainda assim, o The Athletic faz questão de sublinhar que Portugal nunca foi dominado pela Espanha. Pelo contrário, considera que "as duas seleções praticamente se anularam" durante mais de 90 minutos e que a eliminatória só foi decidida por um momento de inspiração entre dois suplentes lançados por Luis de la Fuente: Ferran Torres e Mikel Merino.

Em França, o L'Équipe escolhe para manchete a frase "La Roja sur le fil" (A Roja por um fio). Para o jornal francês, a Espanha "tremeu, duvidou, mas passou", sendo obrigada por Portugal a disputar uma das eliminatórias mais difíceis da competição.

Os franceses consideram que a Seleção portuguesa criou várias ocasiões perigosas, sobretudo na primeira parte, através de João Félix, Cristiano Ronaldo e, principalmente, Nuno Mendes, que esteve perto de marcar com um remate à trave.

E é precisamente o lateral esquerdo que merece um dos maiores elogios. O L'Équipe considera que, enquanto esteve em campo, Nuno Mendes voltou a vencer o duelo individual com Lamine Yamal, dando "problemas" a um dos jogadores mais influentes do torneio. Só depois da sua saída por lesão, escrevem, a Espanha conseguiu ganhar superioridade pelo corredor direito - uma opinião partilhada praticamente por toda a imprensa internacional.

O abraço entre Cristiano Ronaldo e Lamine Yamal no final do jogo. (AP Photos)

O Marca descreve Nuno Mendes como "o prodígio" e admite que a sua lesão "foi um alivio para toda a Espanha". O jornal considera que o lateral português foi novamente a "kryptonita" de Lamine Yamal, expressão utilizada para explicar a forma como conseguiu retirar influência ao jovem extremo espanhol durante praticamente toda a partida. O catalão Sport diz que, até abandonar o relvado, o lateral português estava a realizar uma exibição "intransponível", anulando praticamente todas as iniciativas de Lamine Yamal e sendo uma ameaça constante quando subia no terreno.

O jornal, que escolhe para manchete "Espanha manda Cristiano Ronaldo para a rua", sublinha a qualidade do "prodigioso" meio-campo português, formado por Bruno Fernandes, Vitinha e João Neves, considerando que a equipa liderada por Roberto Martínez nunca deixou de discutir o controlo do jogo frente a uma das seleções mais fortes da competição.

Já os madrilenos elogiam a forma como Portugal obrigou a Espanha a jogar um encontro de enorme desgaste físico e emocional.

"Jogar contra Portugal é um incómodo de detalhes, medos e de saber jogar com o coração gelado", escreve o Marca, que considera que a equipa de Roberto Martínez construiu um verdadeiro "labirinto" para o ataque espanhol.

Do lado espanhol é Merino quem merece elogios generalizados na imprensa. O AS compara o médio do Arsenal a Andrés Iniesta, recordando que voltou a aparecer no momento mais decisivo, tal como já tinha acontecido no Europeu de 2024, frente à Alemanha. "Merino vestiu-se de Iniesta", escolhem para manchete, provavelmente recordando o golo do então médio do Barcelona na final do Mundial de 2010.

Mas o jornal madrileno vai mais longe e encontra também um culpado do lado português pelo desfecho da eliminatória. Com ironia, escreve "Gracias infinitas, Bernardo Silva!", considerando que "o novo jogador do Real Madrid ficou tonto", ao demorar a reagir à marcação rápida da falta que originou o golo espanhol, permitindo que Ferran Torres recebesse a bola sem oposição antes de assistir Merino.

Na leitura do AS, foi esse pequeno instante de desconcentração que acabou por decidir um jogo que caminhava inevitavelmente para prolongamento.

Bernardo Silva desolado após falhar a última oportunidade de Portugal (AP Photos)
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