Um treinador de equipamentos da Lourinhã transporta-nos para a estreia de Portugal no Mundial. Rui Miguel Tovar explica-nos tudo

17 jun, 07:00
RD Congo e Portugal
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É hoje que tudo começa para nós! Mas na verdade, tudo começou bem antes: entre Portugal e Congo há muitos rastos e astros

Um Congo, um Congo, o bom sabor da selva, em cada pacotinho, uma festa de oito frutos

Cuidado, Rui, não brinques com coisas sérias: Bongo, Congo, selva. Tssss tssss, que desfaçatez. O século XXI é uma seca de todo o tamanho. E os exemplos de proibições absurdas acumulam-se num piscar de olhos. Ele é a saída temporária do “E Tudo o Vento Levou” na HBO, ele é o estudo de alterar o nome da marca de arroz “Uncle Ben’s” para evitar estereótipos raciais, ele é a saída em definitivo do episódio de “Fawlty Towers” sobre os alemães na 2.ª Guerra.

A mesma coisa acontece numa cena do sexto episódio da quinta temporada da série “A Guerra dos Tronos” em que Sansa Stark é violada por Ramsay Bolton, na noite de núpcias do casamento do casal. Atenção, a cena não é explícita. Repito: não é. O que diz a senadora do estado do Missouri (EUA): “A cena é filmada com crueza.” Está lançada a polémica. E depois o boicote à série.

Acrescente-se, a série tem infanticídios, grávidas esfaqueadas, incestos e outros que tal. Por favooor. Se o mundo de antigamente fosse como o de hoje, Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso (ufff) não poderia sequer usar um pincel, sob risco de ser considerado uma arma de arremesso ou coisa que o valha. Por favooor.

Posto isto…

Um Congo, um Congo, o bom sabor da selva, em cada pacotinho, uma festa de oito frutos. Portugal estreia-se hoje, em Houston, com o Congo. O registo da selecção portuguesa à quarta-feira em Mundiais é tricky: três vitórias (Hungria 1966, México 2006, Marrocos 2018), zero empates e três derrotas (Marrocos 1986, EUA 2002 e França 2006). O jogo é transmitido pela SIC. E agora? Vantagem ligeira, com cinco vitórias, um empate e quatro derrotas. E se juntarmos quarta-feira e SIC? Duas vitórias e uma derrota. É a última pergunta, prometo: então e se for quarta-feira, SIC e selecção africana? Fácil, 1:0 de Ronaldo aos quatro minutos, vs. Marrocos em Moscovo. Nessa tarde, Portugal ganha sem saber ler nem escrever. Rui Patrício é o herói – quatro anos depois, Diogo Costa é o vilão e Marrocos elimina Portugal nos ¼ final do Mundial do Qatar.

Quarta-feira, 13 de julho de 1966, Mundial de Inglaterra: Portugal 3 - Hungria 1. Na foto, José Augusto (terceiro da esquerda) no ar, marca de cabeça o primeiro golo pela seleção nacional logo aos dois minutos, sob o olhar de Fernando Torres, também no ar. O guarda-redes húngaro Antal Szentmihayi tenta defender a bola, sob o olhar do seu colega de equipa Ferenc Sipos, n.º 6.  O jogo decorre em Old Trafford, Manchester. AP Photo/Bippa
Quarta-feira, 21 de junho de 2006, Mundial da Alemanha, Portugal 2 - México 1. O treinador da seleção portuguesa, Luís Felipe Scolari, no centro, celebra com a sua equipa técnica após a vitória  no jogo do Grupo D do Campeonato do Mundo de 2006, em Gelsenkirchen, na Alemanha. No canto inferior direito está o capitão da seleção portuguesa, Luís Figo. Angola e o Irão também integravam o Grupo D. Foto AP/Michael Sohn
Quarta-feira, 20 de junho de 2018, Mundial da Rússia: Portugal 1 - Marrocos 0. Cristiano Ronaldo, com a braçadeira azul de capitão, cabeceia a bola para marcar o primeiro golo do jogo no Estádio Luzhniki, em Moscovo, Rússia. AP Photo/Victor Caivano

A última presença do Congo no maior palco futebolístico é lá longe, em 1974, o primeiro Mundial em que a FIFA introduz o desempate por grandes penalidades na fase a eliminar. Das 16 selecções desse Mundial, cinco mudam de nome: RFA (anfitrião), RDA, Jugoslávia, Holanda e Zaire. Na altura, o Congo é o Zaire. E, para mim, o Zaire é Lupeta.

Hein?! Lupeta Monga, nascido a 30 Janeiro 1962, ainda hoje é uma instituição na Lourinhã, terra do meu pai (desculpem lá, mas isto vai quase sempre ao mesmo). Agora como treinador de equipamentos, antes como jogador. Aliás, avançado. Melhor ainda, goleador.

Lupeta cresce no AS Vita, a maior equipa do Zaire, e chega Portugal para o Peniche. Às tantas, a meio da época 1989-90, muda-se para o Lourinhanense, também no Oeste. E faz história como autor do título de campeão da 1.ª divisão da AF Lisboa em 1990.

A final é vs. Musgueira, no Campo das Seixas, na Malveira, à porta fechada. Então? A final original na Lourinhã é interrompida aos 20 minutos por falta de segurança na sequência dos desacatos entre elementos das duas equipas e a AF Lisboa decide-se por campo neutro.

Joga-se a um domingo, 24 Junho 1990. O Lourinhanense apresenta-se com Ramalho; Banha, Dias, Octávio e Tozé; Manaca, Brito, Viola e Mayer; Lupeta e Faria. O treinador é Vieira da Silva. O Musgueira joga com Cuca; Baião, Henrique Alves, Hernâni e Júlio; Toninho, Álvaro (Kalita 60’), Toni e Nelo; Paulo Pedro e Armindo (Musgas 46’). O treinador é, imagine-se, o guarda-redes suplente Cortesão.

O apito é de Francisco Borralho, auxiliado por José Baião e Eduardo Hilário. O golo solitário é de Lupeta, aos 82 minutos. É bom lembrar que Lupeta, mais tarde conhecido como Magnusson do distrital, é o único internacional AA em campo por obra e graça de um jogo pelo Zaire vs. Moçambique em 1980 (acaba 5:2 em Kinshasa, qualificação para o Mundial-82).

Kinshasa, pois é. Na capital do Zaire, nasce Jean-Baptiste Makukula Kuyangana, avançado de Leixões, Vitória FC e Lourosa nos fervorosos anos 80. O seu filho é Ariza Makukula e também nasce em Kinshasa. E, coincidência, também marca golos como o pai. E, coincidência das coincidências, também marca na estreia pelo Vitória FC (2013), e vs. Braga, no Minho, como o pai (1989). Mais coincidências? Makukula pai acumula quatro internacionalizações e um golo (pelo Zaire). Makukula filho imita-o tintim por tintim, quatro-um (por Portugal). Sim senhor, Ariza Makukula é o único internacional português nascido em Kinshasa. Estreia-o Scolari, em 2007, no Cazaquistão, para o Euro-2008. O rapaz com o número 38 substitui Hugo Almeida aos 63 minutos e abre o marcador aos 84’, a passe de Quaresma.

Ariza Makukula marca contra o Cazaquistão durante o jogo de qualificação para o Euro 2008, do Grupo A, disputado em Almaty, no Cazaquistão, na quarta-feira, 17 de outubro de 2007. Foto AP/Sergey Ponomarev

Verdade seja dita, o futebol zairense tem um perfume diferente dos demais. A sua influência em Portugal é por demais evidente. À conta de golos (muitos) e casos (alguns). Mapuata e N’Dinga são os cromos mais célebres. E os nomes mais repetidos ao longo da história. Lá está, por culpa de golos (muitos) e casos (alguns). A fama persegue-os. Se um é sinónimo de alargamento na 1ª divisão, o outro provoca um carrossel de emoções muito depois de arrumadas as chuteiras, devido a um carimbo. O mais procurado da história. E, claro, o mais falado. Os dois, Mapuata e N’Dinga, são casos.

Casos mesmo. Daqueles que metem o país de pantanas e evidenciam a podridão do sistema e seus representantes. Os zairenses, pobres coitados, andam metidos neste meio sem saber como nem porquê. Mapuata é o primeiro a dar o nome a um caso. Entre 1986 e 1988, marca 21 golos em 51 jogos. Isto é só o campeonato nacional. Na Europa, a média é melhor ainda, com um golo em 180 minutos. E não é um golo qualquer, é um golo ao Barcelona. Ao Zubizarreta. A duas instituições. Mapuata é génio e figura. E ainda caso. O caso Mapuata, inesquecível. Culpa de uma inscrição irregular. A história é sobejamente conhecida e resulta no aumento de equipas na 1.ª divisão, no Verão de 1987. De 16 para 20 equipas. Mas como? O Marítimo perde 1:0 com o Belenenses e protesta o jogo, sob a alegação da tal irregularidade de Mapuata. O Conselho de Disciplina da FPF não dá provimento à queixa e os maritimista recorrem para o Conselho de Justiça. Espantosamente (ou não), o Marítimo tem a razão do seu lado. Aplica-se então um 3:0 a favor do Marítimo e contra o Belenenses.

Equipa do Belenenses. Richard Mapuata está de pé, à direita. 

Quer isso dizer, o Marítimo salva-se da 2.ª divisão, por troca com o Salgueiros. Ora isso não é nada bem visto pelos salgueiristas. Nem com a Associação de Futebol do Porto. Mete-se a Associação Nacional de Clubes ao barulho e decide-se por um alargamento. Sobem Rio Ave, Espinho e Vitória Setúbal enquanto o Penafiel é repescado. Eis o caso Mapuata em twitter. Ou quase.

De todas as 22 associações espalhadas pelo país, a de Lisboa é aquela mais esperneia com o alargamento. “Por via de um dano causado a um terceiro e único clube, os restantes 159 não podem ser financeiramente penalizados”, lê-se num comunicado assinado por dez clubes da 3ª divisão. “E nem se diga, como já ouvimos por aí defendido por alguém, que o alargamento trará aos clubes mais dinheiro do Totobola. Por que via se os contemplados passam a ser mais quatro em cada divisão e não há garantias que o bolo seja aumentado?“.

Os jornais também torcem o nariz à mudança. “O triunfo da asneira”, antecipa o Diário de Lisboa. No dia 31 de Julho de 1988, o alargamento é votado no Hotel Tivoli com larga maioria (240 votos a favor, 115 contra e 15 abstenções). Malaquias Lemos, presidente da AF Lisboa, está desvastado. “Sinto uma grande angústia por não poder travar este processo democrático em que quem tem mais votos, faz triunfar as suas posições mesmo quando a razão não está do seu lado. Se era para reparar a injustiça do Salgueiros, porque é que as propostas de alargamento apontaram para 20 clubes? O futebol vai ficar doente e mais emprobrecido.”

Tem razão, sim senhor. No verão seguinte, o de 1988, outra confusão. Outro caso. Agora chama-se N’Dinga. Ainda hoje é o jogador do Vitória SC mais participativo na 1ª divisão, com 280 jogos, distribuídas por dez épocas desde 1986 até 1996, entre as quais levanta uma Supertaça portuguesa (vs. FC Porto, 2:0 em casa e 0:0 nas Antas). Nessa vitoriosa epopeia, um dos golos é de N’Dinga, um homem nascido e criado em Kinshasa, antigo Zaire, actual RD Congo.

N'Dinga. Foto via Mais Futebol

A sua primeira curiosidade tem a ver com o nome. É registado na certidão de nascimento como Philippe N’Dinga. Quando Mobutu assume a presidência do Zaire, ordena a anulação dos nomes franceses a todos os cidadãos do país. Philippe passa então a N’Dinga Mbote. Outro pormenor da ditadura de Mobutu: é proibido usar gravata. O que faz N’Dinga nos dias em que o Vitória veste o fato e a gravata para a fotografia oficial ou as viagens para o estrangeiro nos jogos da UEFA? Só veste o fato, a gravata é deixada de lado. Por respeito ao presidente.

Antes de chegar ao nosso país, N’Dinga é um apaixonado por electrónica e só começa a jogar futebol profissional aos 16 anos de idade, no Ruwensor. Isso mesmo, directo do futebol de rua para a 1ª divisão do Zaire. Um ano depois, assina pelo Motema Pembe, um dos grandes, e dá o salto para a selecção AA. Na estreia, 2-0 ao Gabão com um golo de N’Dinga, entrado ao intervalo com 0-0 no marcador. O céu é o limite. Ou então, não. O dia em que N’Dinga aceita transferir-se para o todo-poderoso Vita é o fim da picada. Os adeptos do Motema começam a persegui-lo nas ruas e a ameaçá-lo de morte. A ele e a Basaúla. “Deixámos de poder andar na rua de dia, só podíamos sair com guarda-costas”, garante N’Dinga. O ambiente vai de mal a pior e isso impossibilita-os de se estrearem pelo Vita.

Sensível a esse problema, o presidente do Vita encaminha-o para o Nice, em França. Tudo assinado, tudo tratado e, de repente, aparece Valter Ferreira, conhecido empresário português. De um momento para o outro, N’Dinga desembarca em Portugal. “Fugimos de barco, durante a noite, para o Congo (Congo-Brazzaville), e daí para Portugal, de avião. Íamos só fazer escala em Portugal, mas acabámos por ficar.” E logo na cidade-berço, onde o presidente Pimenta Machado os recebe de braços abertos. Aos dois e ainda um tal N’Kama, à experiência no Benfica.

Em Guimarães, o nome de N’Dinga aparece no onze-tipo de Marinho Peres. É um médio artístico, com vontade de correr o tempo todo. Também joga lá atrás, a lateral ou até a libero. É mesmo um artista. Na época seguinte (87-88), nasce o caso N’Dinga. No final do campeonato, a Académica desce à 2ª divisão e o Vitória mantém-se ali à risca. Quem é o treinador dos dois clubes? António Oliveira. Esse mesmo, o seleccionador de Portugal no Euro-96 e no Mundial-2002. Entra em Guimarães durante o mês de Outubro e é substituído por José Alberto Torres em Março para abraçar a causa coimbrã. O insucesso é selado com o 16.º lugar, com 33 pontos, os mesmos do Vitória. Vale o factor de desempate dos jogos entre eles e aí o Vitória é rei, sobretudo com o 3:0 no D. Afonso Henriques. Um dos utilizados do Vitória é N’Dinga, de quem a Académica se queixa à federação como irregularmente inscrito. A história dura o Verão, com os protestos da Académica sobre um carimbo falso a caírem em saco roto. Durante uns tempos, silêncio.

Até 23 Outubro 1996, dia em que o jornal Record publica uma manchete bombástica através de uma conversa gravada (não autorizada) com António Oliveira, então treinador do FC Porto, no átrio exterior do Departamento de Futebol do Estádio das Antas, a 9 de Outubro. “Se soubesse que morria amanhã, metia-me no carro, de metralhadora, e fodia uma dúzia de gajos.” Mais abaixo, a confissão chocante do caso N’Dinga. “Estive na maior fraude do futebol português; o carimbo do N’Dinga custou-me uns milhares de dólares, está no meu cofre, vendido pelo sr. Valter Ferreira. Tenho-os todos na mão.” Lá dentro, cinco páginas de declarações e mais declarações.

Quase dez anos depois, N’Dinga volta a estar na ponta da língua de toda a gente. Culpa de uma série de inconfidências de Oliveira aos oito jornalistas Trindade Guedes (Rádio Renascença), Teófilo Fernando (TSF), Carlos Júlio Lopes (RDP), João Ricardo (TVI), Jorge Monteiro e Manuela Brandão (O Jogo), José Carlos Sousa (A Bola) e Vítor Pinto (Record). Sete destes profissionais consideram as declarações exaltadas do treinador protegidas pelo acordo de confidencialidade estabelecido entre a fonte e os jornalistas (um deles, Teófilo Fernando, acrescenta: “Todos os jornalistas perceberam perfeitamente que as declarações não eram para ser usadas. Era vontade dele [Oliveira] que isto não fosse público”); o oitavo diz haver interesse público na divulgação das palavras de Oliveira. Vai daí, o jornal publica o material, com transcrição ipsis verbis do diálogo.

A irritação de Oliveira não é daquele dia, o tal 9 Outubro. Na véspera, o treinador do FC Porto fala de uma campanha constante do Record e da SIC contra a sua pessoa e maltrata verbalmente um jornalista. No dia seguinte, depois do treino, Oliveira repete o guião, sem a presença do tal jornalista, e admite a participação na “maior fraude do futebol português”. Caso isso fosse verdade, o Vitória desceria em vez da Académica em 1988. Porquê isto agora? Em Fevereiro, o presidente vimaranense Pimenta Machado apelara à moral e à dignidade num programa de televisão. Acto contínuo, Oliveira destrói o homem que nele confia em duas situações, uma na década 80, outra na de 90, e revela o carimbo falso de Valter Ferreira. Insistimos, só o jornal “Record” dá conta do assunto.

Na madrugada do dia 22, a Rádio Comercial contacta Oliveira e este nega ter conversado com quem quer que fosse e até desconhece se estaria em Portugal no dia 9. Lá pelo meio, adianta: “se se publicasse uma conversa em off num jornal, obrigaria os intervenientes a provar que tinha proferido qualquer palavra.” Na tarde desse mesmo dia, à hora de almoço, já com o jornal espalhado por todo o país, Oliveira vai à RTP e muda o discurso: não autorizara a divulgação das suas palavras e tivera o cuidado de pedir que todos desligassem os gravadores. Ou seja, é a táctica do off-the-record, acordo implícito entre a fonte e um ou mais jornalistas, ao abrigo do qual a fonte fornece informação sob condição de a sua identidade e o seu discurso directo não serem divulgados.

Menos de 24 horas, no dia 25 Outubro, está marcada uma conferência de imprensa do FC Porto com Oliveira no uso da palavra. Que começa com uma nota de humor. “Tinha pensado em pedir uma revista pormenorizada a todos os membros da imprensa, mas lembrei-me que esta conversa seria ‘em on’.” Ainda nesse dia, Pinto da Costa ameaça fechar as portas aos jornalistas “filhos da Pide”, curiosamente (ou não) manchete do jornal “O Jogo”. Enquanto isso, a Académica queixa-se à Procuradoria-Geral da República e à federação por danos desportivos e patrimoniais; o Vitória ameaça processar Oliveira se este não mostrar o carimbo, tal como o empresário Valter Ferreira, que dá o prazo limite de quatro dias ao treinador para se desculpar.

Chegámos a sexta-feira, dia 25, dia de “Os Donos da Bola”, o programa de investigação da SIC. É aí que se ouve pela primeira vez excertos da gravação. No estúdio, Valter Ferreira está colérico e desafia Oliveira a provar o que alegara, sob risco de lhe pedir uma indemnização por danos morais. Nada disto vai avante, claro está. É só ameaças de escárnio e mal-dizer. Se todos fossem como Valentim Loureiro (“ri-me muito com a história dos carimbos, está-se mesmo a ver que o Oliveira estava a brincar”) e tudo estaria bem mais descansado.

A verdade é que há muitos indignados. Como Óscar Mascarenhas. “Um dos casos mais vergonhosos do jornalismo português” critica o presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, em directo do Fórum TSF. O mesmo Mascarenhas encarrega-se de ir ao Porto para se reunir com Pinto da Costa e Oliveira a fim de lhes transmitir sensibilidade e bom senso na ameaça do decreto de um black-out a todos os órgãos de comunicação. O FC Porto baixa a guarda e só não fala com o Record, situação que se mantém durante anos e anos. É uma selva. Ups.

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