Martínez 1 - Diogo Costa 9. Depois dos crimes menores, este foi o last job ou a obra-prima de Martínez (as notas dos jogadores de Portugal)

7 jul, 00:07
Portugal - Espanha (AP)
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Acabou a epopeia de Portugal no Mundial 2026. A Seleção nacional foi eliminada por um golo solitário de Espanha nos oitavos de final naquele que foi o último Mundial de Cristiano Ronaldo

Diogo Costa - 9

Magistral, exímio, brilhante e soberbo. Parece já não haver adjetivos suficientes para classificar as exibições de Diogo Costa ao serviço da Seleção nacional. Se Portugal pôde sonhar com os quartos de final até aos 90+1', deve agradecê-lo a Diogo Costa. No golo de Merino, o guardião do FC Porto tentou fazer o impossível, mas desta vez não conseguiu, depois de o avançado espanhol ter aparecido completamente isolado entre Rúben Dias e Renato Veiga. Até ao infortúnio, Diogo Costa foi imperial quando defendeu os remates em arco consecutivos, primeiro de Yamal na direita e depois Baena na esquerda, aos 17'; foi notável com a excelente intervenção com o pé esquerdo após um magistral passe de Pedri para as costas da defesa portuguesa; e foi gigante ao ter duas saídas assertivas da baliza, numa altura em que a Espanha já carregava um Portugal cada vez mais recuado. Em suma, mais uma vez e para mau agoiro nacional, Diogo Costa voltou a ser o melhor em campo.

João Cancelo - 7

Depois do jogo abaixo do esperado frente à Colômbia, o menino do Barreiro voltou logo a mostrar-se ao minuto 6, com um remate sem que nada o fizesse esperar. A bola não passou longe da baliza de Unai Simón e foi o princípio do que viria a ser uma exibição sólida. A assinalar ainda um corte fulcral já na pequena área após um cruzamento rasteiro venenoso de Dani Olmo, ainda na primeira parte, as dividas com Baena em que Cancelo saiu invariavelmente por cima e um corte a um cruzamento de Pedro Porro para o centro da área aos 66’. Deixou o relvado aos 70’, para a entrada de Diogo Dalot, mas até defensivamente cumpriu.

Rúben Dias - 6

Rúben Dias voltou a cimentar o seu lugar como sucessor de Cristiano Ronaldo à braçadeira de capitão. O defesa tende a ser o farol dos companheiros nos momentos de maior desorientação. Deste ponto de vista, Rúben Dias é a tábua de salvação de uma defesa que ainda treme em alguns momentos do jogo, sempre disponível para fazer a dobra aos companheiros. De destacar a bola ganha de cabeça no meio-campo a parar o possível contra-taque espanhol, aos 27', e um corte fantástico a um remate de Dani Olmo que já tinha passado por Nélson Semedo. No lance do golo, é nas costas de Rúben Dias que surge Merino, depois de o central ter tentado recuperar a bola a Ferran Torres.

Renato Veiga - 7

Renato Veiga foi o jogador da Seleção portuguesa que mais cresceu ao longo do Mundial 2026. Dito isto, e apesar da boa exibição, ao minuto 8, o central fica para trás a quebrar a linha defensiva nacional e a colocar Oyarzabal em jogo, num lance em que o avançado espanhol ficou isolado na cara de Diogo Costa, mas por sorte acabou por falhar a baliza. Como pontos positivos houve um corte em carrinho excelente a um passe que iria deixar Yamal completamente sozinho de caminho aberto para o golo, aos 28'; e, ao minuto 61, Veiga desviou um remate perigoso de Pedri à entrada da área que poderia ter tido um desfecho diferente. Renato Veiga viu ainda um cartão amarelo, aos 90+4', após uma falta útil para travar uma arrancada de Yamal.

Nuno Mendes - 9

Nuno Mendes foi o melhor jogador de campo até que o prenuncio que todos esperavam aconteceu: o lateral abandonou o campo com uma aparente lesão ou por exaustão. Nuno Mendes esteve irrepreensível ao anular Lamine Yamal, muito à semelhança do que já havia feito na final da Liga das Nações. Portugal perdeu, assim, ao minuto 55, o jogador que estava a atacar e a defender melhor. E tudo depois de um pico para travar Yamal. No ar fica a dúvida: Nuno Mendes não poderia ter sido poupado em parte dos jogos com a República Democrática do Congo, o Uzbequistão, a Colômbia ou a Croácia? Para a história fica que a melhor oportunidade de Portugal marcar à Espanha saiu de um remate muito forte de Nuno Mendes que foi desviado pela cabeça do seu ex-colega no Sporting, Pedro Porro, para a trave espanhola. Para além da assertividade defensiva e da capacidade ofensiva, Nuno Mendes demonstrou uma excelente execução de passes de campo inteiro para as arrancadas de Cancelo no flanco oposto por três ocasiões. Após a lesão, caiu no relvado e entrou Nélson Semedo. Chegou a aparecer já no banco com aquela cara de quem se lesionou num jogo importantíssimo e está a temer o pior, o estádio levantou-se em uníssono para aplaudir o melhor lateral-esquerdo do mundo.

Vitinha - 5

Foi provavelmente o jogo menos conseguido de Vitinha neste Mundial 2026. Os números, em comparação com o que é habitual, mostram-no: fez apenas 45 passes e falhou cinco, 89% de eficácia, destes apenas 10 foram passes acertados no último terço do terreno de jogo. Saiu aos 82' para a entrada de Bernardo Silva. No entanto, nunca o meio-campo português demonstrou o desnorte visível no golo de Espanha enquanto o médio do Paris Saint-Germain esteve em campo.

João Neves - 6

Esta segunda-feira, ao contrário do primeiro jogo de Portugal nos EUA, a cabeçada de João Neves saiu por cima da barra. Foi o último lance do jogo, depois de um livre na direita e já com Diogo Costa na área adversária. O médio não esteve em particular destaque pela positiva nem pela negativa e há a mencionar um pormenor delicioso, aos 40+1’, em que João Neves executa na perfeição um chapéu a um adversário e consegue manter a posse de bola.

Bruno Fernandes - 5

Bruno Fernandes voltou a ser o mártir da Seleção de Martínez. Perante a insistência na titularidade absoluta de Cristiano Ronaldo e a necessidade de pressionar alto, coube ao camisola 8 exercer a primeira linha de pressão sobre os defesas espanhóis. Por volta do minuto 60 já apenas existia um Bruno Fernandes exausto em campo, uma mera sombra do melhor jogador da Premier League. De destacar duas boas aberturas para subidas de Nuno Mendes, aos 15' e 31'; um passe para as costas da defesa de Espanha mal executado, aos 45'; e um remate que acabou por ir ao lado após ressalto de uma bola de Vitinha aos 75’.

João Félix - 6

Martínez lançou Félix no lugar de Rafael Leão, mas Portugal não ficou mais perigoso no ataque nem muito mais seguro defensivamente - ainda assim fica uma recuperação sobre Lamine Yamal na primeira parte. O extremo do Al-Nassr tem um cabeceamento, aos 39', depois de acreditar num cruzamento que vinha algo largo; após defesa de Unai, a bola sobrou para Ronaldo, que tentou uma meia bicicleta para nova defesa do guarda-redes espanhol. Saiu aos 70’ para a entrada de Rafael Leão.

Pedro Neto - 4

Pedro Neto voltou a não ter qualquer impacto no jogo ofensivo de Portugal, ficando a dúvida por que não foi dada qualquer oportunidade de titularidade a Francisco Conceição ou a Francisco Trincão. Aos 61 fez um passe disparatado para ninguém que acabou com um contra-ataque espanhol muito perigoso. Valeu Renato Veiga a desviar o remate de Pedri. Saiu aos 82’ para a entrada de Francisco Conceição.

Cristiano Ronaldo - 4

Cristiano Ronaldo jogou mais 90 minutos, foram 441 minutos, só não jogou durante nove minutos mais descontos frente à Croácia. Em todo o Mundial 2026, o ataque foi o setor mais ineficaz da Seleção nacional. Para a prosperidade ficará a incapacidade de Roberto Martínez em gerir a personalidade de Cristiano Ronaldo ou em criar um plano jogo que se compatibilizasse com a ambição nacional. De destacar um remate para as mãos de Unai Simón, aos 11, após recuperação de Bruno Fernandes; o remate, aos 39', depois do cabeceamento de Félix e pouco mais. Este foi o último Mundial de Cristiano Ronaldo - o próprio o confirmou - e é inegável que vão ficar saudades de um tempo em que um dos dois melhores jogadores de sempre era português.

Nélson Semedo - 5

Nélson Semedo teve a difícil tarefa de ser corresponder à exibição monstruosa que Nuno Mendes estava a fazer e foi então que o pequeno Yamal começou a aparecer em campo. 

Diogo Dalot - 6

Diogo Dalot entrou para o lugar de João Cancelo e a equipa manteve a consistência. Não teve nenhum erro capital nem nenhuma ação de relevância maior, o que frente a um equipa como Espanha acaba por ser positivo.

Rafael Leão - 5

Entrou para o lugar de João Félix, mas voltou a não ser propriamente feliz. Agitou pontualmente o jogo, mas voltou a deixar saudades do Rafael Leão que o mundo viu em tempos.

Bernardo Silva - 4

Este não foi o Mundial de Bernardo Silva. Esta segunda-feira, minutos depois de entrar tem uma entrada algo disparatada sobre Merino, vê o cartão amarelo e do lance nasce o golo espanhol, ainda com a equipa portuguesa meio a dormir.

Francisco Conceição - 5

Francisco Conceição voltou a não ser capaz de mexer com o jogo depois de sair do banco.

Roberto Martínez - 1

'A responsabilidade é sempre do treinador' é uma frase tantas e tantas vezes ouvida no mundo do futebol e parece que nunca fez tanto sentido como agora. Martínez ficou muito aquém do que Portugal precisava para ter uma real hipótese de sucesso nesta competição. Ao longo do Mundial 2026 ficou claro que os problemas começaram logo antes do jogo inicial. Aparentemente o estágio em Cancún não foi lá muito útil, uma vez que o selecionador deu a entender que a fase de grupos tinha sido uma espécie de preparação e que o "Mundial começava agora", referindo-se à fase a eliminar; depois, na convocatória, a incógnita João Palhinha, que claramente teria sido uma pivot defensivo útil para estancar equipas com maior pendor ofensivo; e, em seguida, há a questão dos jogadores que foram para os EUA e claramente não contavam, como é o caso de Matheus Nunes - defesa direito titular do Man. City - e Francisco Trincão - que merecia ter feito pelo menos cinco minutos no flanco direito para lá da entrada contra a República Democrática do Congo.

A acrescentar a este rol de críticas menos positivas a Martínez há ainda a má gestão de esforço feita nos casos de Nuno Mendes e Bruno Fernandes. Dito isto, como se explica que o jogador que colocou Portugal nos oitavos de final não seja utilizado sequer um minuto nesses mesmos oitavos de final? Gonçalo Ramos é o segundo mártir da estratégia de a posição de ponta de lança ser o lugar sagrado de Cristiano Ronaldo. O novo ponta de lança do AC Milan merecia mais e Portugal merecia mais de um treinador que, apesar de ter conquistado uma Liga das Nações, acabou por nunca conseguir convencer a grande maioria dos adeptos.

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