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Diogo Costa 9 - Martínez 1. Separar João Neves de Vitinha deveria ser crime (as notas dos jogadores de Portugal)

28 jun, 03:59
Colômbia - Portugal (AP) Diogo Costa
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Portugal fecha a fase de grupos com um empate frente à Colômbia. Com dois empates e uma vitória, a Seleção termina no 2.º lugar do Grupo K e agora vai ter de enfrentar Espanha, França ou Alemanha para sonhar com a final do Mundial 2026, isto se conseguir passar primeiro a Croácia

Diogo Costa - 9

Se Portugal não perdeu com a Colômbia, deve-o a Diogo Costa. O guarda-redes foi enorme a manter as redes lusas invioladas. A exibição de luxo começou logo aos 18', com uma defesa monstruosa após remate de Córdoba. Aos 45+3' foi a vez de James Rodríguez com remate potente testar Diogo Costa, que manteve a compostura. Aos 54' foi a vez de Lerma do meio da rua. Aos 56' Arias tentou o mesmo truque, em vão - o Jhon Arias e não o Santiago Arias, ex-Sporting que também estava em campo. Houve grande defesa de Diogo Costa aos 64' e, nos minutos finais, outras tantas. Já se percebeu para onde é que isto vai: Diogo Costa foi de longe o melhor jogador de Portugal e do jogo. Só não parou o cabeceamento de Davinson Sánchez, mas o lance acabou por ser anulado por uma unha, literalmente uma unha, já que o pé de Sánchez deveria estar, no máximo, 5 centímetros à frente de Rafael Leão.

Diogo Costa (AP)

João Cancelo - 6

Teve a difícil missão de controlar e anular o nome maior da seleção da Colômbia e cumpriu. As tradicionais arrancadas de Cancelo à área adversária foram mais esporádicas, mas foi responsável por um eclipse de Luiz Díaz em Miami. Acabou, para surpresa de muitos, por ser substituído ao intervalo para a entrada de Diogo Dalot.

Rúben Dias - 7

Rúben Dias parece ser sinónimo de segurança. E, de jogo para jogo, vai-se afirmando como o patrão da defesa nacional no pós-Pépe. É o último homem antes de Diogo Costa e, frente à Colômbia, pouco ou nada lhe há a apontar. 

Renato Veiga - 8

Se frente à República Democrática do Congo e ao Uzbequistão ficaram dúvidas quanto à exibição de Renato Veiga, este domingo a história foi bem diferente. Depois de Diogo Costa, o central foi o melhor jogador de Portugal. Renato Veiga destacou-se, sobretudo, nas antecipações e no jogo aéreo. Aliado ao facto de ter sempre Rúben Dias nas costas, Portugal começa a fortalecer o seu eixo central da defesa de jogo para jogo.

Renato Veiga (AP)

Nuno Mendes - 6

Há algo que ficou claro: Nuno Mendes devia ter sido poupado no jogo frente ao Uzbequistão quando Portugal já vencia por 5-0. O lateral parece apresentar sinais de eventual problema físico ou cansaço acumulado depois de já ter feito mais de 50 jogos esta época. Consequência desta teoria parece ter sido a entrada de Matheus Nunes aos 90+4' para saída de Nuno Mendes. Dito isto, o defesa do PSG tem culpas no lance aos 21' que poderia ter dado o 1-0 para a Colômbia, de resto, enquanto o corpo lhe permitiu, voltou a demonstrar a sua polivalência a defender e atacar.

Rúben Neves - 4

Na memória da estreia de Rúben Neves no Mundial 2026 fica o remate disparatado ao minuto 4, um passe falhado quatro minutos depois, um remate desviado pelo adversário - que era canto e acabou por ser pontapé de baliza porque o VAR apenas pode anular cantos mal assinalados e não inverter pontapés de baliza erroneamente ajuizados - e um excelente corte bem perto da linha de golo aos 21’. Se a ideia de Martínez com esta estreia era travar James Rodríguez e que Vitinha passasse a ocupar zonas mais avançadas do terreno de jogo, falhou. Para além disso, talvez fosse benéfico para todos a criação de um projeto-lei nacional que criminalizasse a separação da dupla João Neves/Vitinha. Rúben Neves acabou por abandonar o campo ao intervalo, após substituição por João Neves.

Rúben Neves (AP)

Vitinha - 6

Vitinha é um paradoxo. Num desafio à física dos átomos, Vitinha parece que nunca está em lado nenhum, mas está sempre em todo o lado ao mesmo tempo. Talvez o Bosão de Higgs venha a desmistificar este efeito Vitinha, mas para já há outro dado: em 71 minutos, fez 54 passes; em 71 minutos, acertou 54 passes. Vitinha é 100% eficaz numa Seleção que tende para a ineficácia. Dito isto, sem um Doué, Dembélé ou Barcola fica mais difícil ver-se o verdadeiro Vitinha. Saiu para dar lugar ao Samú Costa.

Bruno Fernandes - 5

Foi de Bruno Fernandes a melhor oportunidade de golo de Portugal. Ao minuto 40 rematou forte já no meio da área colombiana, mas Vargas demonstrou que tem reflexos rápidos. Para além deste lance, espera-se mais do melhor jogador da Premier League.

Bruno Fernandes (AP)

Pedro Neto - 5

Pedro Neto voltou a não conseguir ter impacto na partida. O estilo de jogo vertical, de correr pela linha e tentar cruzar, parece não estar a surtir os efeitos desejados.

João Félix - 6

Foi o mais irreverente do ataque português. Em comparação com Cristiano Ronaldo e Pedro Neto, foi o melhor, resta saber se por mérito próprio ou demérito dos colegas. De destacar, um cruzamento de belo efeito, ainda na primeira parte, para Pedro Neto, que acabou por não chegar à bola por muito pouco; depois, aos 42’, Félix tentou um remate algo acrobático que passou por cima da barra de Vargas. Martínez optou por tirar Félix de campo aos 71’ para a entrada de Rafael Leão, numa altura em que o avançado do Al-Nassr estava a ser dos melhores da equipa das quinas.

Cristiano Ronaldo - 4

Cristiano Ronaldo voltou a fazer 90 minutos. São já 270 minutos. Todos os minutos de Portugal neste Mundial 2026. Martínez insiste, mas o ketchup teima em não sair. Espera-se mais de Cristiano Ronaldo: mais oportunidades criadas, mais golos e menos tempo em posição de fora de jogo. Para além dos dois foras de jogo, resta destacar um livre marcado por CR7 a meio do meio-campo colombiano que não podia ter ido mais ao meio da baliza de Vargas.

Cristiano Ronaldo (AP)

Diogo Dalot - 5

Diogo Dalot entrou ao intervalo para o lugar de Cancelo sem que pouco ou nada o fizesse prever. De realçar um bom cruzamento ao minuto 50’ e, ao cair do pano, um lance em que Dalot preteriu rematar a tentar servir Cristiano Ronaldo.

João Neves - 5

À semelhança de Vitinha, João Neves acrescenta ao jogo da Seleção nacional. Contudo, estes dois jogadores funcionam exponencialmente melhor quando jogam juntos e Martínez optou por tentar separá-los.

Samú Costa - 4

Samú Costa entrou ao minuto 71 para o lugar de Vitinha. Portugal perdeu capacidade de construção e a Colômbia cresceu. Apesar disso, a estreia de Samú Costa fica marcada por correr atrás do prejuízo tático de Martínez num jogo em que o médio do Maiorca não errou nem fez algo de extraordinário.

Rafael Leão - 5

Rafael Leão voltou a entrar na fase final de um encontro. Nos poucos mais de 20 minutos em campo, destaca-se o rasgo aos 90+4' em que o extremo do AC Milan aventura-se sozinho pela linha e remata perto. Talvez devesse ter colocado a bola no centro da área, onde se encontravam Cristiano Ronaldo e Pedro Neto. 

Matheus Nunes - sem nota

Foi ao relvado verificar como soa um apito em Miami. Entrou aos 90+4' para o lugar de Nuno Mendes e mal tocou na bola. E fica a dúvida: porque não é Matheus Nunes uma opção válida para o meio-campo ou para alternativa a João Cancelo na direita para Martínez?

Roberto Martínez - 1

Portugal podia ter saído de Miami sem ter de apanhar França, Espanha e Alemanha para chegar à final do Mundial 2026. Não aconteceu e Roberto Martínez é talvez o principal responsável. Dúvidas que ficam no ar:

  • Porquê separar a dupla Vitinha e João Neves?
  • Qual era o objetivo de lançar Rúben Neves? Defender mais contra este colosso que é a Colômbia?
  • Porque Palhinha não foi convocado?
  • Porquê tirar Cancelo ao intervalo e não dar algum descanso a Nuno Mendes?
  • Porque Matheus Nunes, defesa direito titular do Man. City em grande parte da última temporada, não é opção para a lateral direita? Ou até para o meio-campo?
  • Porque é que parece impossível substituir Cristiano Ronaldo?

Estas são apenas algumas das questões que permanecem sem resposta, mas sobre as quais talvez fosse benéfico o técnico espanhol refletir. 

Roberto Martínez (AP)
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