Primeiro foi a enchente imprevista na praia, depois veio o tempo para baralhar as contas da Seleção, que acabou por nem sequer conseguir treinar
Gosta o povo de dizer que antes depois da tempestade, vem a bonança. A fazer fé no adágio, vem aí coisa boa para Portugal, que viu os planos completamente trocados num domingo caótico em Palm Beach que começou com confusão na praia e acabou com o céu bem negro, como se pode ver no vídeo que faz capa deste artigo.
História do dia
Cabo Verde estreia-se esta segunda-feira em campeonatos do mundo com um exigente teste contra a Espanha. Rui Miguel Tovar escreve-nos sobre isso, sobre um Mundial colorido de uma equipa bem-disposta que chega sem saber exatamente qual é o seu teto.
Uma história de Tubarões Azuis que tem Diego Armando Maradona pelo meio e ainda toca no odiado Marc Cucurella.
Tempestade antes da... vitória?
O local escolhido pela Seleção para montar toda a operação Mundial tem acesso a uma praia privada, mas não é possível limitar todos os acessos. Cientes disso, vários adeptos foram andado pela costa até chegarem à zona exclusiva.
Como conta o Maisfutebol, houve desconforto entre os responsáveis da Seleção pelo que estava a acontecer, ao ponto de os jogadores terem sido aconselhados a não ir ao areal.
Assim que se apercebeu da dimensão humana que circundava a praia privada, a equipa de segurança responsável por acompanhar Portugal fez marcha-atrás no plano, mas não convenceu jogadores como Rúben Dias, João Félix ou Francisco Trincão a ficarem no hotel. Um grupo de atletas acabou mesmo por ir até à praia - alguns até foram a banhos -, mas a confusão instalou-se de tal forma que não deu para mais do que uns 20 minutos.
Desinstalada a confusão, os jogadores deviam ficar recatados nas horas seguintes, e foi o que fizeram, antes de saírem para o calor da Florida para cumprir a sessão de treinos marcada para uma hora imprópria em Portugal, mas que bate certo com as temperaturas e luz solar que caem naquela cidade do sul dos Estados Unidos.
O problema é que o clima é tão tropical que uma das grandes ameaças a este Mundial se fez sentir ainda antes de a Seleção entrar em campo. Todos nos lembramos das mais de duas horas de paragem do Benfica-Auckland City do último Mundial de Clubes. Não foi em Miami, mas foi em Orlando, não muito longe dali, até porque é no mesmo estado.
As autoridades avalariam o perigo de tal forma que obrigaram a Seleção a cancelar a sessão de treino que estava prevista, mas até forçaram também o cancelamento da conferência de imprensa onde estava previsto aparecer Matheus Nunes.
Mais tarde, a Federação Portuguesa de Futebol revelou que a tempestade obrigou mesmo a cancelar a sessão de trabalho da formação orientada por Roberto Martínez, com os jogadores a realizarem ativação física num pavilhão.
A formação das quinas também foi obrigada a recolher para local seguro, tendo cumprido o trabalho de preparação que está programado para este tipo de situações de emergência.
Se voltarmos ao ditado, pode ser que seja um bom presságio.
Venha a festa
Um Mundial é, antes de tudo, uma festa de e para os adeptos. É por isso espetacular ver imagens como as que nos chegaram de Houston, onde a Alemanha aplicou uma goleada de 7-1 a Curaçau, o que não fez esmorecer a festa dos caribenhos vindos de uma pequena ilha com menos de 160 mil habitantes.
Com um jogo enérgico e voltado para a frente desde o início, Curaçau até conseguiu marcar e o jogo chegou a estar empatado. A Alemanha ligou depois o turbo e passeou para uma goleada natural, mas as imagens de festa dos jogadores e dos adeptos nas bancadas mostram porque é que um Mundial é algo especial.
Curaçau possivelmente nem vai conseguir pontuar, mas já marcou um inesperado golo contra uma seleção tetracampeã do mundo, o que já é algo para levar na bagagem. Como ninguém sabe quando isto pode acontecer outra vez, o melhor que a equipa caribenha tem a fazer é mesmo festejar e disfrutar. Nós disfrutamos também.
Os outros jogos do dia
Em termos de equilíbrio e qualidade o prato forte do dia era o Países Baixos-Japão. E se a primeira parte algo morna e tática deixou dúvidas a quem queria ver um bom jogo, o segundo tempo trouxe quatro golos e uma incerteza permanente no resultado.
Grande jogo de futebol entre duas equipas que chegam ao Mundial desfalcadas, mas com clara vontade de ter uma palavra a dizer. Os Países Baixos estiveram sempre a ganhar, primeiro 1-0 e depois 2-1, mas empate ajusta-se perfeitamente.
Costa do Marfim e Equador são duas seleções exóticas, mas podiam ter imprimido mais desse lado, sobretudo em relação à equipa africana, já que os sul-americanos têm sobretudo na defesa o seu grande trunfo, com três centrais como Willian Pacho, Piero Hincapié e Joel Ordóñez a liderarem.
Do outro lado, Yan Diomandé confirmou a quase infinita gama de recursos que tem para criar perigo. Joga com os dois pés, joga à esquerda, joga à direita, vai para dentro. Pecou algo na finalização, situação que já se sabia que tem de melhorar, mas o astro que deve deixar o RB Leipzig este ano é mesmo jogador para outras andanças.
O jogo acabou decidido com uma excelente finalização de Amad Diallo, jogador do Manchester United que entrou no decorrer do jogo para dar três pontos importantíssimos à Costa do Marfim. Partindo do princípio que pelo menos não perde com Curaçau, esta seleção estará certamente na próxima fase, já que quatro pontos devem chegar para ser um dos melhores terceiros.
Já madrugada adentro em Portugal foi tempo de a Suécia se superiorizar sobre a Tunísia, dando um passo importante no tal grupo que também tem Países Baixos e Japão. Com Viktor Gyökeres a titular e a marcar, os escandinavos não deram grande hipótese ao adversário para sonhar, acabando por vencer por 4-1, tendo estado grande parte da partida com uma vantagem superior a um golo.
Golo do dia
É o primeiro golo desta compilação de três. Apesar do remate feito quase com uma espécie de raquete no pé por parte de Felix Nmecha, a forma como Florian Wirtz trata a bola é qualquer coisa.
Curaçao ainda assustou, mas a Alemanha vai a vencer para o intervalo 🫡
— sport tv (@sporttvportugal) June 14, 2026
Nmecha, Schlotterbeck e Havertz fizeram os golos 🇩🇪#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Alemanha #Curaçao #betano pic.twitter.com/xa6iCxgTUG
Frase do dia
"Sofrer um resultado destes não é vergonha nenhuma", afirmou Dick Advocaat, selecionador de Curaçau, depois da derrota contra a Alemanha
Jogador do dia
É mais um jogador do Lille que chega em altas a este Mundial. Depois de optar por Bélgica em vez de Espanha, Matias Fernandez-Pardo é, certamente, um jogador para acompanhar com atenção.
Não é claro se o jovem de 21 anos vai ser titular - lá na frente ainda há um tal de Romelu Lukaku, por exemplo, mas também Charles De Ketelaere -, mas a grande época na Ligue 1, onde marcou oito golos e fez sete assistências, deverá contar para alguma coisa.
Matias Fernandez-Pardo vali apenas 400 mil euros há três anos, de acordo com o Transfermarkt. Hoje, este avançado vale 35 milhões de euros.
A rapidez e a polivalência que o tornam capaz de também jogar mais na faixa podem ser um fator decisivo para este jovem ter minutos na equipa de Rudi Garcia. Terá de melhorar a capacidade de decisão, mas é nome a ter debaixo de olho.
Camisola do dia
Músicas do dia
Rosalía - Berghain | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
É provavelmente a melhor artista de Espanha da atualidade, uma das melhores da Europa e do mundo. Rosalía chega aqui com uma canção em vários idiomas.
Dish Dash - Wadi Wadi | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Os irmãos Hassan e Abbas Ghazzawi, mais conhecidos como Dish Dash, são tão importantes na Arábia Saudita que lhes foi concedida a honra de serem dos primeiros DJ's a atuarem em público no país.
Fidju Kitxora - Lobu na sukuru | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
O "filho que chora" apresenta-nos aqui o seu "lobo no escuro", traduzindo do crioulo. Entre Portugal e Cabo Verde atuam com o funaná e o kuduro sempre na cabeça, fazendo-os descer até ao corpo, até porque é impossível não bater o pé com isto.
La Vela Puerca - La Nube | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
É uma das bandas de rock mais influentes da América Latina, o que justifica o sucesso para lá das fronteiras do Uruguai. Fundada em 1995, esta banda flutua entre o rock, o ska e até o reggae.
Soulwax - Heaven Scent | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Foi há pouco tempo que os irmãos Stephen e David Dewaele estiveram no Lux Frágil, em Lisboa, para meter toda a gente a dançar. Dessa vez vinham como 2 Many DJ's, mas este projeto de rock nascido na Bélgica também é feito para dançar mais do que tudo.
Cairokee - Basrah w Atooh | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Esta banda existe desde o início do século, mas ganhou relevância no contexto da Primavera Árabe no Egito, com algumas das suas músicas a tornarem-se hinos da nova geração que queria uma mudança política. Apesar da tentativa das autoridades em reprimir a música deste conjunto, as redes sociais ajudaram a manter a ligação.
Fat Freddy's Drop - Shiverman | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
São já inúmeras as vezes que esta banda veio a Portugal, mas nunca é demais recordar a capacidade musical do grupo, que parte sempre do reggae para chegar a outros sítios que invariavelmente nos deixam a dançar.
Kiosk - Royaye Shirin | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Surgiram no início do século e tiveram de sair do Irão para se exprimirem como queriam. A cavalgar uma onda rock que vai ao blues e jazz, Kiosk também mistura sons típicos do seu país.
