SUPERCRÓNICA PORTUGAL 5-0 UZBEQUISTÃO || Grande exibição da Seleção, mesmo que contra um adversário claramente frágil. Grande exibição também de Cristiano Ronaldo, o capitão que passou Eusébio no número de golos em Mundiais
Voltámos a Houston, voltámos a entrar bem e a grande diferença é que assim continuámos. Grande exibição de Portugal frente a um modesto Uzbequistão, que mostrou demasiadas fragilidades para poder competir contra uma Seleção que entrou forte.
Portugal goleou por 5-0 e até podiam ter sido mais, numa tarde de festa para os adeptos, mas também para os jogadores, que claramente se divertiram em campo a trocar a bola uns com os outros.
Numa partida que teve como sinal mais a exibição de Cristiano Ronaldo, o capitão conseguiu marcar dois golos e participar ativamente no ataque de uma equipa que entrou para cilindrar, e cilindrou.
Tal como com a República Democrática do Congo, um cruzamento bem tirado encontrou um jogador na área. Era Cristiano Ronaldo, mas um Cristiano Ronaldo dos velhos tempos, dos grandes tempos. Que finalização do capitão, que se reencontrou e encontrou toda a Seleção, para um reencontro também com os adeptos.
Ao contrário do que aconteceu na primeira jornada, Portugal não tirou o pé do acelerador e carregou sobre uma equipa do Uzbequistão que demorou demasiado tempo a encontrar-se em campo.
Alheio a isso, Portugal foi para a frente e chegou ao segundo logo depois. Altruísmo de Cristiano Ronaldo e sapiência de Nuno Mendes, que reencarnou em Roberto Carlos para marcar de livre, ainda que pareça que o guarda-redes tenha ficado aquém do que podia fazer.
Depois veio a pausa para hidratação e Portugal ressentiu-se ligeiramente. O jogo quebra sempre e quem está por cima é mais prejudicado. Foi o que aconteceu e o Uzbequistão encontrou espaço para assumir algo mais.
Agradeceu Portugal, que marcou num contra-ataque bem conduzido que Cristiano Ronaldo finalizou com classe depois de grande passe de Bruno Fernandes. Mais uma vez, o ponta de lança da Seleção a recordar-nos dos seus melhores tempos, desta vez com o acrescento de que se tornou o maior goleador português de sempre, ultrapassando Eusébio. Tem agora 10 golos em seis Mundiais - já agora, é o único a marcar em tantas edições.
A segunda parte foi mais de controlo e Portugal deixou o tempo correr com o 3-0 no marcador, beneficiando de um caricato autogolo de Abduvohid Nematov, central do Manchester City que foi impotente perante a alta roda portuguesa.
Já lá mais para o fim houve novo momento de glória, com Rafael Leão a aproveitar uma bola perdida para fazer um golaço e confirmar uma goleada de 5-0, uma das maiores em Mundiais para a Seleção.
No fim do dia, fica a dúvida do que pode valer realmente esta Seleção de Portugal. Bela vitória, é certo, mas contra uma equipa claramente frágil. A título de curiosidade, um dos desportos em que o Uzbequistão mais se destaca é o Ulak Kupkari, também conhecido como Buzkashi, um desporto que consiste em levar a cavalo uma carcaça de uma cabra ou uma ovelha para dentro de uma espécie de baliza.
Nisso, a jogar com a cabra, o Uzbequistão é exímio e certamente melhor que Portugal. Em futebol é outra coisa e desta vez a Seleção voltou a ter um Cristiano Ronaldo em modo GOAT (Greatest of All Time).
O melhor
O entrosamento e o andamento dos jogadores da Seleção, que desta vez pareciam conseguir mostrar que já há futebol em comum entre eles. Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes ou João Félix conseguiram finalmente entender-se, enquanto Cristiano Ronaldo apareceu sempre nos momentos certos para finalizações conseguidas.
O pior
A incerteza associada a esta vitória, sobretudo pela valia do adversário, que demonstrou ser claramente o mais frágil deste grupo. Um pouco como o que aconteceu com a Alemanha frente a Curaçau, o Brasil frente ao Haiti ou Espanha frente à Arábia Saudita. É um bom sinal, mas precisa de ser confirmado e a Colômbia é boa seleção para isso.
A surpresa
Portugal entrou ligado à ficha e assim ficou para lá do primeiro, do segundo e do terceiro. Ao contrário do que aconteceu com a República Democrática do Congo, os jogadores mantiveram o chip ligado, o que permitiu um jogo sereno e até com alguma nota artística.
